CINEMA NACIONAL

“2 Coelhos”: uma jornada de justiça com roupagem pop

Longa do estreante Afonso Poyart estreia nesta sexta (20) com linguagem de videogame

Por: Bruno Machado - Atualizado em

2 Coelhos
Fernando Alves Pinto e Alessandra Negrini em "2 Coelhos": longa se passa em São Paulo (Foto: Divulgação)

“Um filme cujo pretexto é a vingança e a justiça, mas que o Ministério da Justiça classificou como um filme de sobrevivência”, brinca o estreante Afonso Poyart. Seu primeiro longa-metragem, “2 Coelhos”, estreia com nada menos que 300 cópias em todo o país (em São Paulo serão 33 salas) na próxima sexta-feira (20). De baixo orçamento, o filme começou a ser feito em 2008, com R$ 4 milhões. Mais um ano foi necessário apenas para a pós-produção. O longo período foi necessário devido à direção de arte e aos efeitos especiais que flertam com linguagens que extravasam o cinema – como videogame e quadrinhos.

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Em “2 Coelhos”, o diretor santista conta a história de Edgar (Fernando Alves Pinto) , um jovem cuja vida se entrelaça de maneira trágica com o professor universitário Walter (Caco Ciocler). Edgar tem um plano mirabolante que envolve um senador corrupto (Roberto Marchese) e um bandido (Marat Descartes, em atuação surpreendente). Alessandra Negrini engrossa o elenco no papel de uma promotora corrupta que sofre de síndrome do pânico.

Embora o roteiro às vezes dê voltas excessivas para explicar um ou outro ponto da trama e a luz ser excessiva (algo como em “Star Trek” ou em “Super 8”), o filme conta com mais acertos do que erros: a narrativa ágil, o elenco afiado de Fátima Toledo e as cores sombrias, análogas ao cenário. Estamos diante de uma São Paulo nublada e opressora, registrada com planos aéreos impressionantes.

Explosões e Radiohead

Outro destaque de “2 Coelhos” são os efeitos especiais, diferentes de tudo já produzido pelo cinema brasileiro. Poyart abusa das sequências de ação em slow-motion (que virou moda em 1999 com “Matrix”, e influenciou o brasileiro “Cidade de Deus”, de 2002) e das explosões. Não por acaso, muitas das sequências de ação lembram filmes de Tarantino e Guy Ritchie.

Com “2 Coelhos”, Poyart diz pretender atingir o público que vai muito ao cinema, mas vê pouco filmes nacionais. “Não é só comédia que dá certo no Brasil. Os filmes têm de falar com o público. O cinema que me interessa é o que fala com a audiência”, explica.

Em contrapartida, o ritmo frenético do filme pode afastar os mais velhos. A trilha sonora também pode incomodar quem prefere o cinema tradicional: entre uma e outra faixa composta especialmente por André Abujamra, o público ouve música pop, que vai do rock deprê do Radiohead até o funk desbocado dos Avassaladores, sucesso no YouTube.

Improvável, "2 Coelhos" demonstra que o Brasil pode produzir um longa de ação maduro e divertido. Diferente de tentativas recentes e frustradas, a exemplo de “Assalto ao Banco Central” (2011).

Fonte: VEJA SÃO PAULO