‘Os que Riem e os que Choram’: ritual de celebração do Ventoforte

Trupe derruba as fronteiras entre o existente e o imaginário, apresentando uma montagem de visual interessante, belo texto e atuações emocionantes

Assistir a uma peça infantil do grupo Ventoforte é uma experiência única. A começar pelo lugar: o teatro fica em um simplório e pouco confortável galpão no Parque do Povo, cercado de verde, com coreto, bonecos e esculturas. Depois vem a longa duração. Os espetáculos da companhia têm em média duas horas de encenação e seu diretor, o dramaturgo Ilo Krugli, não faz concessões. Quem persiste costuma ser muito bem recompensado, como ocorre em ‘Os que Riem e os que Choram’. Com música envolvente e criativos elementos cenográficos feitos de tecido, a trupe de 36 anos de palco derruba as fronteiras entre o existente e o imaginário, apresentando uma montagem de visual interessante, belo texto e atuações emocionantes.

‘O Homem que Ri’, livro de Victor Hugo publicado em 1869, inspirou a história. Nele, o menino Gwynplaine teve seu rosto desfigurado para parecer estar sempre sorrindo — o mesmo romance influenciou a criação do personagem Coringa, o rival de Batman. Jogado ao mar, o garoto acaba salvo por Ondina (a atriz Lizete Negreiros), uma espécie de ser mágico. Na segunda parte, a trama transpõe-se para o cruzamento de uma cidade grande. Ali, Gwynplaine (o ator Rodrigo Mercadante, que levou o Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem de 2009 por seu trabalho em ‘O Mistério do Fundo do Pote’, também do Ventoforte) sobrevive como artista de rua. Um estrangeiro acha curioso um menino saber detalhes de acontecimentos tão antigos e passa a pesquisar sobre sua vida. Muita coisa não fica clara na narrativa. Talvez pareça (ou mesmo seja) um pouco complicado para os menorzinhos. Mas a intenção aqui não é proporcionar a compreensão total e sim seduzir o espectador para que ele embarque em uma viagem onírica através de um encantador ritual de celebração.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

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