Coberto com tinta, grafite é recuperado por artista na Consolação

Com vassoura e água, Mundano retirou camada cinza que havia sido pintada pela prefeitura; grafiteiro reclama de censura

Grafites feitos pelos artistas Mundano e Crânio na entrada da Passagem Literária, na Rua da Consolação, foram apagados pela prefeitura na última sexta-feira (18). A tinta cinza, no entanto, foi retirada por Mundano no dia seguinte com vassoura e água. O grafiteiro reclama de censura. Já a Subprefeitura da Sé alega que o mural estava vandalizado.

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Os desenhos tinham frases como “menos presos políticos mais políticos presos”, além de cartazes que diziam “libertem nossos presos”, em referência aos manifestantes detidos pela polícia nos protestos contra a Copa do Mundo.

A pintura foi feita um dia antes da reinauguração do Cine Belas Artes, que fica ao lado do local e cuja abertura contou com a presença do prefeito Fernando Haddad. Pelo Facebook, o artista afirmou que o evento e a ação da subprefeitura estariam conectados. “Acredito que maquiaram o local para evitar que o prefeito ficasse feio na foto, mas ficaram feio na fita”, escreveu. “Fica aqui registrada minha indignação com a censura cinzenta que ainda tenta nos calar.”

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De acordo com a Subprefeitura da Sé, a pintura foi feita porque o grafite estava vandalizado, com cartazes colados por cima, o que teria descaracterizado a obra. Além de pintar a parede, a prefeitura realizou a limpeza da galeria sob a Rua da Consolação. “Tem sido praxe (da subprefeitura) em sua conduta o diálogo com artistas das mais variadas frentes, inclusive o grafite, a fim de estimular o uso adequado de locais públicos para expressões culturais típicas da cidade”, afirmou em nota. Ainda de acordo com a administração, Mundano foi convidado a refazer o trabalho.

Polêmica

Em maio do ano passado, a dupla OSGEMEOS teve uma obra apagada três vezes sob o Viaduto do Glicério. A polêmica causada pela divulgação das imagens fez com que a prefeitura convocasse uma reunião entre grafiteiros, representantes da Secretaria de Cultura, da Subprefeitura da Sé e da Coordenadoria da Juventude.

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Na época, a prefeitura afirmou que, quando há dúvida se a intervenção é pichação ou grafite, a equipe deve enviar fotos à subprefeitura para uma análise da imagem.

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