‘Flor do Deserto’ conta a história da top model Waris Dirie

Nascida na Somália, modelo se engajou na luta por direitos da mulher em todo o mundo

Segundo a ONU, 6 000 meninas no mundo sofrem mutilação genital todos os dias. A ex-top model Waris Dirie tinha apenas 3 anos quando foi vítima da absurda prática, fundada na ignorância de que ‘mulher pura’ não pode sentir prazer durante o sexo. Nascida em uma família de nômades na Somália, hoje ela tem 45 anos e viaja o mundo denunciando o abuso. Já conseguiu mudar leis retrógradas de vários países. Sua impressionante história sustenta o drama Flor do Deserto.

Quando o filme começa, Waris (interpretada pela etíope Liya Kebede, também modelo) já está em Londres. Sem visto e morando nas ruas, ela faz amizade com uma espevitada lojista inglesa (a divertida Sally Hawkins, de ‘Simplesmente Feliz’). As diferenças culturais entre ambas vão fazer Waris entender a violência sofrida na infância. Enquanto acompanha a jovem ser descoberta por um fotógrafo (Timothy Spall, da série ‘Harry Potter’) e o mergulho dela no mundo da moda, o espectador conhece detalhes de seu passado por flashbacks. Aos 12 anos, prometida em casamento pelo pai a um homem bem mais velho, Waris fugiu de casa. Descalça, atravessou um deserto até a capital somali, Mogadíscio. Mais tarde, seguiu para a Inglaterra e foi trabalhar como faxineira na embaixada de seu país.

Embora algumas passagens estejam mal costuradas, é impossível deixar de se envolver com uma narrativa tão forte. Não fica muito claro como uma imigrante ilegal, que não sabia falar inglês nem andar de salto alto, conseguiu se tornar modelo internacional de uma hora para outra. A diretora prefere montar belas tomadas em câmera lenta de Waris desfilando do que explicar sua evolução. Por outro lado, o retrato da vida no deserto revela-se bastante autêntico. Sem ser explícita, a cena sobre a brutal mutilação consegue chocar e emocionar.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

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