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‘Academia’ para o rosto e redução de testa: os tratamentos de beleza que estão bombando

Com a chegada das temperaturas baixas, clínicas de estética conquistam clientes em busca de novos procedimentos e algumas modas da pandemia

Por Humberto Abdo, Fernanda Campos Almeida Atualizado em 11 jun 2021, 18h11 - Publicado em 11 jun 2021, 06h00

Na Zona Sul de São Paulo, um novo endereço atrai paulistanos e artistas como Luan Santana, Taís Araujo e Sabrina Sato interessados em exercitar nada menos que o próprio rosto. Para combater rugas e marcas de expressão sem agulha nem bisturi, o dermatologista Alberto Cordeiro comanda sua segunda unidade da Academia da Face, que vende treinos feitos para prevenir o envelhecimento e causar um efeito lifting imediato.

“Gosto de fazer todos os tratamentos da minha clínica, ao lado da academia, e agora invisto na musculação toda semana”, conta ele, que notou aumento de 30% na procura por tratamentos estéticos desde o início da pandemia — em sua clínica na Vila Nova Conceição, a agenda até agosto já está lotada.

Além do sucesso impulsionado por clientes que, em quarentena, decidiram investir nos cuidados pessoais, a chegada do outono e as temperaturas mais baixas são ideais para o início de procedimentos com ácidos, lasers e peelings. E nos centros estéticos não faltam novidades.

“Com menos exposição aos raios UV, os pacientes podem apostar nos tratamentos a laser mais avançados”, conta Rafael Arpini, mestre em medicina cosmética e envelhecimento fisiológico. “Existe um chamado Fotona 4D, que combina duas tecnologias: o estímulo de colágeno e de pigmentação.” A novidade é recomendada, por exemplo, a quem tem flacidez na área do pescoço e custa cerca de 4 500 reais na aplicação completa da face.

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pessoa deitada sendo submetida a tratamento com aparelho de choque
Tratamentos feitos com lasers e choques prometem estimular o colágeno da pele e combater manchas e marcas de expressão. Divulgação/Divulgação

Dos pés à cabeça, são cada vez mais comuns os procedimentos feitos com tecnologias menos dolorosas e mais minuciosas nos resultados. Para “levantar” o rosto e o pescoço, o ultrassom microfocado Liftera é uma dessas inovações. “Ele tem ponteiras adaptadas para pequenas áreas e consegue alcançar pálpebras e lábios, fazendo um dano na beirada da musculatura, a parte externa que se conecta à pele”, explica Ana Carina Junqueira, fundadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas em Medicina Capilar, no Jardim América. Nas clínicas que trabalham com o novo aparelho, sessões podem custar de 3 500 a 5 000 reais. Outro sucesso, os fios coreanos saem entre 1 500 e 1 800 reais — introduzidos na pele, eles suspendem os tecidos do rosto e estimulam a produção de colágeno. “Aqui a gente adora, eles fazem o lifting sem criar volume.”

A toxina botulínica (o clássico Botox) também não saiu de moda. “Todo mundo gosta da harmonização facial, com preenchimentos para paralisar os músculos da testa, amenizar o ‘bigode chinês’ e revitalizar as maçãs do rosto”, exemplifica Loriene Galacini, especialista em odontologia estética. “Nesses casos, menos é mais. Muitas vezes o paciente gosta tanto do resultado que quer sempre mais e algumas partes do rosto acabam ficando proeminentes.”

pessoa deitada levando injeção de botox na testa
Aplicações de Botox e ácido hialurônico seguem em alta e ajudam a paralisar os músculos do rosto, além de retardar a flacidez. Divulgação/Divulgação

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“Em casa, agora as pessoas se olham mais no espelho e não se produzem tanto, então conseguem ver mais defeitos e estão preocupadas com a pele”, resume Thaís Giraldelli, da Lash House, especializada em extensões de cílios e tratamentos para a pele. Com novas técnicas para a aplicação dos cílios, que envolvem fios de várias espessuras e tamanhos, Thaís estima que uma profissional possa faturar até 50 000 reais por mês nesse ramo. “Virou um vício que mexeu com a cabeça das mulheres. Elas já incluem os cílios na mesma rotina do cabelo e das unhas e fazem a manutenção a cada quinze dias.”

Sabrina Sawada sorri na foto. Aparece com cabelos castanhos longos e camiseta branca.
Sabrina Sawada: paciente apostou em tratamentos estéticos para combater dor causada por hérnias de disco. Arquivo Pessoal/Reprodução

Na rotina de Sabrina Sawada, 37, as aplicações faciais e as sessões de tratamento do abdômen também entram nessa categoria. “Tudo o que aparece de moderno e a doutora indica eu experimento. Botox eu amo e sempre intercalo com lasers e aplicações de ácido hialurônico”, conta. Com o excesso de peso após a gravidez e o surgimento de três hérnias de disco, Sabrina recorreu às clínicas estéticas. “O médico falou ‘ou você faz musculação ou fará cirurgia’, mas, em vez de ir à academia, eu testei o T Sculptor, que fortalece os músculos”, relembra. “Na terceira sessão, minha dor já tinha sumido.” O aparelho é usado para estimular a musculatura com ondas eletromagnéticas e promete a redução de gordura logo na primeira sessão, que custa a partir de 700 reais.

“Em tratamentos corporais, tivemos avanço na área dos aparelhos de campo eletromagnético, daqueles que fazem o exercício pela pessoa”, complementa Ana Carina. Um dos favoritos nessa categoria é o Tesla Former, que produz o efeito de cerca de 30 000 abdominais em apenas uma sessão de trinta minutos. “Esses modelos foram aprovados recentemente no Brasil e chegaram no auge da pandemia.”

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imagem da cintura de mulher com o equipamento t sculptor acoplado
Alternativas como o T Sculptor e o Tesla Former: simulam os efeitos de exercícios físicos no corpo e aceleram a queima de gordura. Divulgação/Divulgação

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Com a rotina em home office, vários paulistanos decidiram encarar cirurgias estéticas para aproveitar o tempo de recuperação sem sair de casa. “Eu sabia que teria de ficar totalmente isolada por dez dias e um mês sem fazer movimentos”, conta Jaqueline Braz, 26, que passou pela cirurgia de redução de seios no fim do ano. “Sempre foi uma vontade porque o tamanho me incomodava fisicamente, nada do que eu vestia me deixava confortável… Eles acabavam chegando antes de mim aos lugares”, brinca.

jaqueline sorrindo para a selfie
Jaqueline Braz: mamoplastia feita durante a pandemia. ReproduçãoArquivo Pessoal/Veja SP

A frontoplastia, também em alta, foi a escolha da esteticista Renata Marques, 25. “Sempre quis diminuir a testa, mas não sabia que era possível. Me incomodavam o tamanho e a protuberância dela, ficava saltada. Quando descobri, mergulhei de cara, mas ainda é difícil encontrar conteúdo sobre isso na internet”, observa. Após a operação, que dura cerca de uma hora e meia, os 2,5 centímetros menos na região agradaram. “Mas o pós-operatório foi sofrido, senti bastante dor.”

antes (acima) e depois (abaixo) de cirurgia de redução de testa na Renata Marques
Antes e depois: frontoplastia feita por Renata para reduzir a testa Reprodução/Arquivo Pessoal/Veja SP

No consultório de Patricia Marques, a frontoplastia redutora é seu “carro-chefe”. “Não é uma cirurgia agressiva, embora poucos profissionais arrisquem por se assustarem com a cicatriz, mas ela é muito discreta, bem rente ao cabelo”, explica. Inicialmente criada para mulheres transexuais interessadas em suavizar o formato do rosto, a cirurgia vem ganhando cada vez mais adeptos. “Nossa procura e o volume de consultas e cirurgias aumentaram pelo menos 50%”, estima.

patrícia marques posando para a foto sorrindo apoiada em móvel
Patricia Marques: especialista em cirurgias plásticas na região de Moema Daniel Cancini/Divulgação

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Os transplantes capilares são outro procedimento cuja recuperação ficou mais fácil no período dentro de casa. “As pessoas aproveitaram a oportunidade para não se expor, porque não fica nada bonito uma semana depois”, diz Thiago Bianco, membro da ISHRS (International Society of Hair Restoration Surgery). Existem dois tipos de transplantes: a FUT (Follicular Unit Transplant) retira uma fina faixa de couro cabeludo e em seguida os folículos são implantados na área calva. Mais moderno, o método FUE (Folicular Unit Extraction), ou “fio a fio”, não deixa marcas: sem cortes, os fios são implantados por “furinhos” feitos pelo médico.

“Hoje minha cirurgia é uma das mais caras no Brasil pelo nível de material e tamanho da equipe. E ela dura cerca de nove horas, o que é pouco para a dimensão da cirurgia”, ressalta Bianco. O investimento chega a custar cerca de 50 000 reais. Após cerca de três meses, os fios novos começam a crescer e o resultado final é formado em um ano. “Eu trato calvície desde os 21 anos porque a tendência da minha família é terrível. Dos meus dezesseis primos e meu irmão, só eu fiquei com cabelo.”

Na Clínica Leger, comandada pela médica Manoela Fassina, os mais velhos ainda são maioria entre os clientes que procuram o local. “As pessoas se preocuparam bastante com a área dos olhos, mais evidentes com as máscaras, e muitas mulheres mais velhas se interessaram pelo preenchimento de glúteos. Uma paciente veio falando que ‘queria ficar gostosa, coisa que nunca foi’”, diverte-se.

Doutor Thiago Bianco aplica agulha na cabeça de um paciente durante transplante capilar. Usa máscara protetora e veste roupa cirúrgica na cor azul.
Thiago Bianco, especialista em transplantes capilares. Divulgação/Divulgação

Com a popularização dos tratamentos, o público jovem também aumentou. “Muitos buscam os tratamentos preventivos, alguns influenciados pelas redes sociais”, destaca Mário Farinazzo, cirurgião plástico com consultório em Moema. “Eles se olham cada vez mais nas telas e chegam desinformados, achando que os procedimentos são livres de falhas, mas temos sempre uma margem de erro.” Nas rinoplastias, para modificar o nariz, os casos que não deram certo são frequentes. “De todos, 80% dos que atendo são consertos de cirurgias feitas com técnicas antigas, que causam enfraquecimento do sistema de sustentação”, revela Alan Landecker, especialista no procedimento. “Tem me preocupado a comparação dos jovens com imagens de modelos, influencers e atrizes, que geram ansiedade apesar de as fotos não corresponderem à realidade. Elas impõem um padrão muito alto e perfeito de textura e simetria.”

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Publicado em VEJA São Paulo de 16 de junho de 2021, edição nº 2742

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