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Animação 100% brasileira é exibida nos Estados Unidos

Infantil <em>Nilba e os Desastronautas</em> estreia simultaneamente na TV Cultura e em solo americano. Confira entrevista com Melina Manasseh, um das produtoras do desenho

Por Bruna Ribeiro 28 mar 2013, 20h10 | Atualizado em 5 set 2025, 16h56
Ale McHaado e Melina Manasseh - 44 Toons!
Ale McHaado e Melina Manasseh - 44 Toons! (Divulgação/)
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Pela primeira vez uma animação 100% produzida no Brasil desembarca em solo americano: Nilba e os Desastronautas estreou no dia 1º no canal pago Starz. O lançamento ocorreu simultaneamente na TV Cultura (assista a um episódio abaixo). A série já é conhecida pelos assinantes da TV Rá Tim Bum e do Gloob.

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A trama gira em torno de Nilba, um garoto de 8 anos que sonha em ser piloto de naves espaciais. Em seu aniversário, ele consegue comprar uma viagem interestelar. O problema é que ele se depara com a pior equipe de astronautas do mundo e com um meio de transporte não muito novo. Resultado: o grupo sai da rota e vai parar no planeta Lua Ervilha. Perdidos no espaço, a missão passa a ser, claro, voltar para a Terra. 

Os paulistanos Ale McHaddo e Melina Manasseh estão por trás de toda a história. Marido e mulher e sócios da produtora 44 Toons, eles conhecem bem o mercado de produções infantojuvenis. São os criadores dos curtas A Lasanha Assassina (prêmio da Academia Brasileira de Cinema em 2002) e Osmar, a Primeira Fatia de Pão (ganhador do troféu 2009 do Mercado Internacional de Programação Infantil, em Cannes).

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Há quatro anos começaram a criar o fantasioso universo de Nilba com incentivo da Fundação Padre Anchieta. Melina credita a compra da série pelo mercado americano justamente porque a ideia desde o princípio era captar o imaginário de crianças entre 5 e 9 anos. Outro ponto forte são as referências aos filmes de ficção científica – como Avatar e Planeta dos Macacos – em diversos episódios. “Todo mundo tem um pouco de nerd dentro de si”, afirma. Confira abaixo trechos da entrevista que a produtora concedeu a VEJASAOPAULO.COM:

Qual é o diferencial de Nilba que o levou à TV americana? O roteiro é muito divertido. A gente sempre acrescenta humor às nossas produções. Os americanos da Starz adoraram a série porque ela capta o universo fantasioso da garotada. Eles fizeram testes nos Estados Unidos antes de comprar a animação. A conclusão foi que todo mundo tem um pouco de nerd dentro de si, além disso o público-alvo são as crianças de 5 a 9 anos  – e não em idade pré-escolar, como costuma ocorrer no Brasil.

Como surgiu o desenho? Em 2009, já sabíamos que queríamos montar o Nilba. A TV Rá-Tim-Bum nos convidou para fazer um teste, uma coprodução. Fomos aprovados e começamos a montar. Tivemos 25% de incentivo da Fundação Padre Anchieta. O Ale concebeu os personagens e entrou no processo de desenvolvimento. Dos 39 episódios, de sete minutos cada, ele escreveu pelo menos dezesseis. Depois começa a parte do desenho mesmo. Usamos um software canadense chamado Toon Boom em quase 100% das imagens, como nas roupas e rostos. Apenas algumas texturas do cenário são feitas à mão.

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Já tiveram algum retorno das crianças? No início, toda vez que a gente escrevia um roteiro, mandava para a Fundação Padre Anchieta. A Dra. Myrian Dimenstein, consultora pedagógica, fazia um grupo focal e lia a história para as crianças. Ela anotava em qual parte do texto a garotada ria ou se havia alguma piada que não era entendida. Às vezes, o grupo não reconhecia alguma palavra e a Myrian pedia para mudar. Uma vez, tivemos de trocar “comercial” por “propaganda”.

Quando criaram a 44 Toons? O Ale montou uma empresa em 1996, a 44 Bico Largo. Ele se dedicou à produção de jogos, como O Enigma da Esfinge e Monstruário até 2002, quando começou a desenvolver animações. Neste ano, ele ganhou o prêmio da Academia Brasileira de Cinema com A Lasanha Assassina. Em 2004, foi indicado novamente com O Fantasma da Ópera e, em 2006, levou o troféu do Festival Internacional de Curtas de São Paulo com Super-herói Fora de Série. Eu só comecei a trabalhar com ele em 2008, mas namorávamos desde 1999. Na verdade, a gente já se conhecia desde muito cedo. Estudamos na mesma escola na Granja Vianna. Eu tinha 5 anos e ele, 2, quando nossos pais se mudaram para lá, de São Paulo. Em 2009, já trabalhando juntos, Osmar, a Primeira Fatia de Pão levou o MIPJunior (Mercado Internacional de Programação Infantil), em Cannes, na categoria de Melhor Piloto, para crianças de 11 a 14 anos. Nós mudamos o nome da produtora para 44 Toons, pois os estrangeiros não conseguiam pronunciar “Bico Largo.”

Mais algum projeto em vista? Começamos nosso primeiro longa, BugiGangue no Espaço, também infantojuvenil. É a história de um grupo de alienígenas e crianças que saem da Terra para salvar o universo. Vamos exibi-lo nos cinemas a partir de novembro de 2014. Agora no segundo semestre ainda daremos início à criação de duas novas séries: Tordesilhas e Bobolândia, Monstrolândia. A primeira é sobre a vida de bandeirantes em um Brasil fictício do século XVI. A segunda conta a trajetória de um menino que vive em uma cidade em que os moradores são bobos durante o dia e monstros à noite.

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