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‘Quase Normal’ aborda a rotina de uma família em busca de equilíbrio

Belo e denso, o musical dialoga com questões da sociedade contemporânea, como transtorno bipolar e o uso excessivo de medicamentos

Por Dirceu Alves Jr.
Atualizado em 5 dez 2016, 16h17 - Publicado em 22 fev 2013, 17h53
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  • Musical no Brasil virou sinônimo de diversão, programa leve e grandioso para aliviar a fadiga semanal. Por isso, os temas abordados raramente põem o dedo na ferida do espectador. Quase Normal, versão adaptada e dirigida por Tadeu Aguiar para o espetáculo de Brian Yorkey e Tom Kitt, surge como exceção e dialoga com questões da sociedade contemporânea. Fortemente ancorada na dramaturgia, a peça enfoca o cotidiano de uma família que precisa administrar as emoções em nome do equilíbrio.

    Diana (interpretada por Vanessa Gerbelli Ceroni) é uma dona de casa diagnosticada com um transtorno bipolar. Em uma crise acentuada, ela encara uma conturbada convivência com o marido, Dan (papel de Cristiano Gualda), e com os filhos adolescentes, Natalie (Carol Futuro) e Gabriel (Olavo Cavalheiro). As implicações de seu comportamento na rotina familiar e suas tentativas de tratamento — desde a negação até o uso de medicamentos e a aplicação de eletrochoque — sustentam a narrativa.

    Por esse pesado componente dramático a montagem se mostra tão focada no musical, gênero reafirmado em temas de tom intenso a todo momento. Em praticamente 80% do tempo, as falas são dadas através de canções, algo pouco visto nos musicais atuais. As letras em português, nem sempre em versões coloquiais, algumas vezes amenizam a densa história de Diana, muito bem defendida por Vanessa. Em pé de igualdade aparece Carol Futuro, capaz de dosar a voz afinada com o vigor na atuação. Quem destoa, sobretudo pela importância do papel, é Cristiano Gualda. Cantor competente, ele carece de expressividade para viver o marido atormentado pela instabilidade da mulher. No palco ainda estão os atores André Dias e Victor Maia, além de sete instrumentistas sob a direção musical de Liliane Secco.

    AVALIAÇÃO ✪✪✪

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