‘Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta’ encanta pelas músicas e figurino
Trata-se de boa oportunidade para apresentar a tragédia de uma forma mais leve para as crianças pequenas
“Estou tão contentinha. Achei o meu amor e o seu nome é Cebolinha”, diz Julieta no musical Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta, em cartaz no Complexo Ohtake Cultural desde maio. Marcado por um texto costurado por rimas, o espetáculo que adapta Shakespeare para o mundo dos personagens de Mauricio de Sousa já atraiu mais de 50 000 pessoas e prorrogou temporada até 24 de novembro.
A montagem mantém intacta a personalidade da famosa dupla dos quadrinhos. Mônica, por exemplo, uso o tempo todo seu coelhinho de pelúcia como instrumento de persuasão. A dentucinha aparece encantadora nos vestidos criados pelo estilista Fause Haten, responsável também por todo o figurino – um show à parte. E as canções, rearranjadas por Marcelo Souza, são ritimadas pelas palmas animadas do público em muitos momentos.
Trata-se de boa oportunidade para apresentar a tragédia de uma forma mais leve para as crianças pequenas. As famílias de Romeu e Julieta brigam por causa de futebol e de um jogo de peteca! A publicitária Rita Almeida, 53 anos, levou o neto Rodrigo, 2 anos, e também se divertiu. “É bastante infantil, mas passa rápido. Tem muita energia, por causa das músicas.” No intervalo, Rodrigo, que ainda pronuncia poucas palavras, perguntava: “Cadê a Mônica?”.
O diretor da Mauricio de Sousa AO VIVO, Mauro de Sousa, acredita que a grande emoção do público adulto é a nostalgia. “Muitos dos visitantes se lembram da primeira montagem, em 1978. Outros tinham o vinil com as músicas que continuam as mesmas ou são fãs.”
Esse é o caso do advogado Fábio Rangel, 45 anos, que conta ter aprendido a ler com os gibis da Turma da Mônica. Ele fez questão de acompanhar a filha Agnes, 6 anos. Vidrada por tanta fantasia, a menina não desgrudou um minuto do seu próprio Sansão, que é cor de rosa. “Eu adorei!”, exclamou.
Há uma única, porém importante, ressalva. O enredo dos anos 70 deixou as marcas de seu tempo. Cebolinha vive um homem que foge do casamento e Mônica, uma moça desesperada para “não ficar encalhada”. O único objetivo da garota é arranjar um casamento, mesmo que por meio de coelhadas.