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Lindas ilustrações para acalmar a quarentena

Em desenhos e tirinhas, artistas e designers compartilham mensagens de esperança e resiliência

Por Tatiane de Assis Atualizado em 10 abr 2020, 12h10 - Publicado em 10 abr 2020, 06h00

Junto da torrente de notícias que dão conta da propagação de casos de Covid-19, uma leva de artistas, ilustradores e designers de diferentes estados também têm inundado as redes sociais de tirinhas, pinturas e desenhos sobre a crise. Sem desconsiderar a gravidade da situação, eles miram na leveza para transmitir mensagens de esperança e resiliência aos internautas.

Como esbarrar nas postagens que inspiram serenidade não é assim tão fácil, porque isso depende do algoritmo das plataformas digitais, VEJA SÃO PAULO selecionou nove profissionais que vale a pena acompanhar de perto. Tentar encontrar pontos comuns em seus traços e paletas de cores é inútil. O tom também varia muito: enquanto o carioca Felipe Guga prefere mensagens religiosas, a manauara Laura Athayde foca uma comicidade do bem. “Seja qual for a sua fé, é preciso se conectar neste momento com algo em que você acredita”, resume o paulista Robinho Santana.

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Laura Athayde

Os 51000 seguidores da ilustradora Laura Athayde (@ltdathayde) no Instagram têm a oportunidade de achar brechas no nervosismo deste período de isolamento social e dar umas boas risadas. Na tirinha Depois da Quarentena (abaixo; 2020), Laura dá um tom cômico a uma situação simples: voltar a vestir um sutiã. Seu grande trunfo é sugerir que a quarentena propiciou dias livres dessa peça do vestuário que motiva a confusão toda da personagem. As dicas da artista de Manaus que mora em Belo Horizonte continuam em outras tirinhas. Em um delas, ela fala sobre como se concentrar em home office: “Fuja dos vídeos fofos de bichinho. É cilada! Vídeos japoneses de confeitaria também”.

Laura Athayde
Tirinha Depois da Quarentena, de Laura Athayde Laura Athayde/Divulgação

Larissa Ribeiro

Em dezembro do ano passado, a artista gráfica Larissa Ribeiro criou para o Instagram Brasil a ilustração ao lado, em uma ação para conscientização dos internautas. “A ideia era mostrar que a rede social podia ser usada de forma leve, sem cobranças”, explica a paulistana. Em março deste ano, ela voltou a postar a imagem em seu perfil (@museu_inventado) com o intuito de trazer uma nova perspectiva. “Acho que essa imagem cabe neste momento em que estamos conectados somente pelo virtual. Precisamos olhar para esses canais como uma forma de semear trocas”, afirma Larissa, que escolheu uma paleta vibrante com rosa, verde, vermelho, amarelo e laranja sobre o roxo.

Larissa Ribeiro
Ilustração de Larissa Ribeiro: redes sociais como lugar de acolhimento Larissa Ribeiro/Divulgação

Eva Uviedo

A argentina Eva Uviedo (@evauviedo), radicada em São Paulo desde 1988, se define assim: “Soy latina, soy dramática”. A frase vai ao encontro de suas ilustrações em aquarela, com pinceladas suaves, mas de grande contraste. O desenho abaixo, um tanto melancólico com a frase “Vai passar”, foi feito para a campanha Artistas em Quarentena, que busca ajudar pro- fissionais da arte que tiveram impacto em sua renda.

Eva Uviedo
Ilustração da argentina Eva Uviedo: mensagem de alento Eva Uviedo/Divulgação

Robinho Santana

Com o isolamento social, o artista paulista Robinho Santana (@robinho_santana) deixou seu ateliê no Bexiga e começou a produzir em sua casa, em Diadema. Sua pesquisa sobre saúde mental com a crise humanitária desembocou em uma série que alerta sobre os males da ansiedade neste momento. Na tela Calma, Respira Mano, Tudo Passará, Nada Como um Dia após o Outro Dia… (abaixo; 2020), com o azul do céu, ou do mar, ele pede luz. “É preciso acalmar o próximo”, defende.

Robinho Santana
Obra tela Calma, Respira Mano, Tudo Passará, Nada Como um Dia após o Outro Dia…: esperança com o próximo Robinho Santana/Divulgação

Paula Borges

Com a borra do café que sobra na xícara e alguma água, a estudante de artes visuais Paula Borges (@itsbohr) criou uma ilustração do cantor Lenine (abaixo; 2020). “Já gostava dele, quando veio a quarentena, lembrei da letra de Paciência, diz a cearense sobre seu processo de criação. “A vida é tão rara”, um dos versos da música, aparece no desenho. Na composição, vira um chamado para que as pessoas elejam o que é essencial em suas caminhadas.

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Paula Borges
Aquarela de Paula Borges: música em tempos de crise Paula Borges/Divulgação

Lari Arantes

A convite das Edições Motim, plataforma brasiliense para difusão de produções independentes, a artista carioca Lari Arantes (@lariarantes) produziu uma ilustração sobre a pandemia de coronavírus em todo o mundo. Ela preferiu olhar para a situação a partir da perspectiva dos médicos e enfermeiros que cuidam dos pacientes na rede pública aqui. Em negrito, cravou: “Defenda o SUS”. Não esqueceu, contudo, da importância do afeto e da natureza na imagem.

Ilustração de Lari Arantes: homenagem aos profissionais da saúde Lari Arantes/Divulgação

Antônio Sandes

A cadência da fala de Antônio Sandes combina com a serenidade do perfil que ele criou no Instagram, @omeninouniverso. A iniciativa, acompanhada por 12 000 pessoas, surgiu da turbulência. “Vários amigos estavam com depressão, eu queria falar algo, mas não sentia abertura”, diz o publicitário. A solução foi transformar os abraços que queria dar em pílulas ilustradas. A imagem abaixo, feita a partir de uma ação colaborativa, traz a frase de Maila, uma das seguidoras do projeto.

Antonio Sandes
Desenho do perfil @omeninouniverso: aperto de mãos e abraços virtuais Antônio Sandes/Divulgação

Felipe Guga

No alto, a lua num céu escuro. Embaixo, um mar de ondas coloridas. No centro, um altar onde uma pessoa reza ajoelhada. Perto dela se acende uma chama com os mesmos tons do entorno. Essa ideia de extensão entre os elementos, presente na ilustração do carioca Felipe Guga (@ofelipeguga), reitera a importância da fé e da noção de comunidade. No desenho, há o trecho da Primeira Epístola aos Coríntios: “Vós sois o templo”.

Felipe Guga
Desenho de Felipe Guga: noção da comunidade Felipe Guga/Divulgação

Andréa Bellotti

A recomendação de isolamento social, devido à propagação de casos de Covid-19 no Brasil, inspirou a ilustradora Andréa Bellotti (@deia_bellotti). Em seus quadrinhos, uma senhora de coque e vestido azul aparece no sofá dando sugestões a outros idosos: “Vovós e vovôs, nós temos que ficar em casa. Sei que estamos saudá- veis e cheios de disposição… Mas agora não é o momento de dar aquele rolê!”. Outro personagem que aparece nos desenhos é um senhor esguio, de cabelos brancos. “Nesse caso, ele não é um vovô, mas sim meu pai”, conta a carioca, que conserva o tom sereno.

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Idoso consciente: criação de Andréa Bellotti Andrea Bellotti/Divulgação

 

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 15 de abril de 2020, edição nº 2682.

 

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