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Brechós do Instagram: paulistanas lucram com roupas de segunda mão

Conheça a nova onda da rede social, que traz peças bacanas voltadas principalmente ao público feminino

Por Guilherme Queiroz - Atualizado em 16 Apr 2019, 19h39 - Publicado em 16 Apr 2019, 19h37

Como forma de complementar o orçamento, Ana Mastrochirico, Camilla Gonçalves e Pamela Gondin começaram a vender roupas usadas através do Instagram, no mesmo esquema dos bons e velhos brechós, mas on-line. Elas fazem parte de um movimento recente que torna a atividade cada vez mais profissional.

A rotina das três é parecida: garimpar peças em bazares beneficentes por toda a capital, reparar os artigos se necessário, higienizar e, por último, fazer cliques bacanas para colocar nas redes sociais. Entre idas e vindas para entregar as mercadorias no Metrô ou enviar pelos Correios, elas perceberam que a atividade poderia ser uma boa fonte de renda. 

Os negócios funcionam de maneira semelhante. Seguindo uma rotina de postagens, publicam as fotos no Instagram. Os interessados mandam mensagens na seção privada da plataforma – e os primeiros conseguem levar a peça. O pagamento é realizado por transferência bancária, PayPal ou, na hora da entrega, em alguma estação de Metrô, se o cliente morar na capital.

Muitas dessas lojas são voltadas ao público feminino e tocadas por mulheres. Camilla Gonçalves, por exemplo, idealizadora do @brechominante, com 23 300 seguidores, consegue vender cerca de sessenta peças por mês, arrecadando uma média de 6 000 a 7 000 reais. Seu comércio pela internet se iniciou há cinco anos. A paulistana já havia trabalhado em diversas butiques de roupas e possuía um amplo guarda-roupas.

https://www.instagram.com/p/Bs8-41YAqCv/

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“Comecei a vender minhas peças em grupos do Facebook, para complementar renda”, conta Camilla. Logo, viu que a atividade poderia ser levada mais a sério, por causa do alto interesse e da velocidade de saída dos artigos. Em dezembro, deixou o emprego e passou a se dedicar exclusivamente ao brechó, com a ajuda de dois amigos, Gustavo Jacques e Mariana Faiotto.

Hoje, ela divide sua rotina entre a busca de tesouros nos bazares paulistanos e a atenção às redes sociais. As peças de estilos variados são expostas nas redes, na maioria das vezes, no corpo dos que tocam o brechó. 

Ana Mastrochirico entrou na empreitada quando voltou para a capital em 2016, após ter se formado em design no Espírito Santo e não conseguir um emprego. Seu faro para as pepitas escondidas nos bazares foi aguçado por uma experiência no ano anterior: entrou em um desafio para passar um ano vestindo apenas roupas de brechós.

A atividade no perfil @ogarimpobrecho, com 12 300 seguidores, se tornou sua principal aposta, até que em 2017 deu uma pausa. “Consegui um emprego em uma agência de publicidade”, conta. Entretanto, no ano passado, voltou à plataforma com força total e viu que poderia ganhar o mesmo do que na antiga ocupação. Comprou, então, manequins e um celular mais potente para divulgar os looks.

Entre camisas floridas, regatas coloridas e macacões, ela comemora a flexibilidade do trabalho: “Hoje consigo fazer os meus próprios horários”. A frequência de vendas gira em torno de setenta peças por mês, o que resulta em pelo menos 4 000 reais. “Você precisa sempre prestar atenção no perfil, mantendo uma rotina. A resposta deve ser instantânea porque a saída é muito rápida.”

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Para Pamela Gondin, a ideia surgiu durante a faculdade. Quando cursava comércio exterior, conheceu uma colega que mantinha um brechó no Instagram, em 2014. A ideia chamou sua atenção. Ela montou, assim, um plano de negócios para o perfil, tentando convencer a colega a aceitá-la como sócia. “Deu certo e começamos a trabalhar juntas.”

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A dupla acabou se separando, mas ela montou sua própria página em 2016, o @brecho.d4, com 47 000 seguidores. Até janeiro do ano passado, trabalhava em um banco. “Não era feliz, resolvi sair e focar na loja on-line”, conta ela, que hoje trabalha com a namorada, Patrícia Harumi.

Em um fundo branco, conjuntinhos são fotografados. Saias, camisetas e regatas são anunciados junto a informações como medidas de cintura, quadril e comprimento, facilitando a busca das clientes. Há saída de pelo menos sessenta peças por mês, conseguindo uma média de 2 000 a 4 000 reais.

Elas não são as únicas que embarcaram na ideia. No Instagram, é possível achar outras dezenas de perfil semelhantes, que realizam vendas praticamente da mesma maneira. Embora a maioria seja voltada para o público feminino, alguns investem também em roupas masculinas. Confira outros exemplos:

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Macacão, veste G por $45 Cintura 104/ quadril 114/ coxa 66 Camisa Wace G por $39,90 Circunferência 114/comprimento 70/ombro 56 Condição 10/10 #disponivelb77 Modelo @everquem Ph @carla.otaviano

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