4 perguntas para Sullivan & Massadas: dupla faz primeiro show em 34 anos
Confira a entrevista com os compositores, que se apresentam juntos pela primeira vez desde 1990 no próximo dia 6, em São Paulo

Depois de um jejum de 34 anos, a dupla Sullivan & Massadas brinda o público com um show.
O reencontro especial de Michael Sullivan, 74, e Paulo Massadas, 73, acontece no Cine Joia, no próximo dia 6, celebrando o lançamento da série que conta a história da bem-sucedida parceria musical, Retratos e Canções (2024), produzida pela Kuarup e lançada no Globoplay em março.
O compositor pernambucano (Sullivan) e o carioca (Massadas) iniciaram na década de 70 uma colaboração que renderia uma série de sucessos até 1994.
Deslizes, na voz de Fagner, Whisky a Go-Go, com o Roupa Nova, Estranha Loucura, com Alcione, e Me Dê Motivo, imortalizada por Tim Maia, são só alguns exemplos.
A última vez que os dois se apresentaram juntos foi no ano de 1990, na gravação do disco Sullivan e Massadas Ao Vivo. “O tempo dirá, porque o show está chamando muita atenção. Podemos, quem sabe, fazer novos encontros”, deixa no ar Sullivan (confira a entrevista a seguir).
18 anos. Cine Joia. Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade, ☎ 3231-3705. ♿ Sáb. (6), 19h30. R$ 130,00 a R$ 260,00. cinejoia.byinti.com.sp.
4 perguntas para Sullivan & Massadas
Como foi gravar e cantar juntos no documentário, depois de tanto tempo?
(Sullivan) Eu acredito muito em Deus, e Sullivan e Massadas foi uma coisa inexplicável, uma união muito forte, sobrenatural quase. Nunca teve ensaio para nós. Fomos trabalhando e construindo uma história, que, se a gente se reunísse agora, faríamos uma grande canção.
Como funcionava o processo de composição de vocês?
(Massadas) Com o passar do tempo, fomos vendo que cada um tinha mais facilidade com determinada coisa. E as melodias dele (Sullivan) eram muito poderosas, fortes, incisivas e amorosas. A gente, que não é burro, começou a se dividir mais assim, Sullivan com a música, e eu com as letras. Embora muitas vezes estivéssemos juntos no processo e tudo fosse dividido irmanamente.
Tem alguma música que vocês estão com mais saudade de cantar juntos?
(Massadas) Da minha parte, todas são filhos, e sofro de muita saudade deles.
(Sullivan) A gente se separou, mas tem quase setecentos filhos para cuidar (risos). Foi um casal que se amou e fez filhos demais. Mas é algo muito bom, um exercício quase diário, porque toda hora chega uma proposta de regravação.
Como é receber, em vida, novas consagrações das suas carreiras?
(Massadas) Acho que o vento faz a curva. Você planta a semente, e aquilo fica no subconsciente das pessoas, e depois passa ao coração. Nós traduzimos momentos de milhões de pessoas, especialmente com canções de amor. Porque a música é uma marcação de tempo, você se lembra da pessoa que namorava, ou de uma situação que passou. Viver dentro dessa máquina do tempo é o nosso maior prêmio.
(Sullivan) Normalmente as pessoas esperam acontecer a saudade. É muito lindo quando acontece em vida, porque sua família, seus netos, sua mulher, irmãos, estão juntos para curtir e se emocionar juntos.
Publicado em VEJA São Paulo de 28 de junho de 2024, edição nº 2899