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Por Arnaldo Cheixas
Terapeuta analítico-comportamental e mestre em Neurociências e Comportamento pela USP, Cheixas propõe usar a psicologia na abordagem de temas relevantes sobre a vida na metrópole.
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Um papo rápido sobre o transtorno bipolar

O que é: Transtorno psiquiátrico do humor caracterizado pela alternância espontânea entre fases de tristeza e fases de euforia intensas. Se considerarmos uma escala na qual o ponto mais baixo é a depressão e o ponto mais elevado é a mania, o humor da pessoa com transtorno bipolar oscila entre os extremos dessa escala sem […]

Por Carolina Giovanelli
Atualizado em 26 fev 2017, 15h35 - Publicado em 16 jul 2015, 19h39

Bipolaridade

O que é: Transtorno psiquiátrico do humor caracterizado pela alternância espontânea entre fases de tristeza e fases de euforia intensas. Se considerarmos uma escala na qual o ponto mais baixo é a depressão e o ponto mais elevado é a mania, o humor da pessoa com transtorno bipolar oscila entre os extremos dessa escala sem que haja um motivo explícito. Uma pessoa saudável fica alegre diante de acontecimentos bons e triste diante de acontecimentos ruins. Mas essa lógica não funciona para pessoas com transtorno bipolar.

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A oscilação entre mania e depressão é completamente imprevisível. O problema do transtorno bipolar não é apenas a oscilação do humor mas também o fato de que a intensidade de cada fase (mania e depressão) é extremamente significativa. Sem tratamento, o transtorno bipolar incapacita o indivíduo, produzindo prejuízos sociais, amorosos-sexuais e profissionais.

Sintomas e sinais: 1) Na fase de mania: autoestima elevada, sensação de grandiosidade, pouca necessidade de sono, intensidade na fala, sensação de pensamentos acelerados, distração, engajamento em múltiplas atividades, compulsão por compras, início de variados projetos grandiosos que acabam não se completando e experiências psicóticas.

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2) Na fase depressiva: sentimentos de tristeza, vazio ou desesperança na maior parte do dia, perda do interesse e do prazer nas atividades cotidianas, perda ou ganho significativos de massa corporal, insônia ou hipersonia (muito sono) frequentes, fadiga ou cansaço constantes, sentimentos de inutilidade e culpa, indecisão, pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

Bipolaridade

Diagnóstico: Vale ressaltar que o diagnóstico é um processo complexo que leva em conta a combinação, a frequência, a intensidade e a duração dos sinais e sintomas citados acima. Não necessariamente todos eles estão presentes num quadro de bipolaridade. O diagnóstico, portanto, só pode ser feito por profissional habilitado.

Tipos: Transtorno Bipolar Tipo I (alternância entre mania e depressão: este é o transtorno bipolar clássico), Transtorno Bipolar Tipo II (alternância entre hipomania – fase de elevação do humor não suficientemente grave para caracterizar um episódio de mania – e depressão) e Transtorno Ciclotímico (quando as fases de hipomania e depressão têm menor intensidade).

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Causas: Os estudos científicos existentes apontam para uma causa genética modulada por fatores ambientais. O uso de substâncias químicas (drogas ilegais e medicamentos) também pode causar um transtorno bipolar, bem como a presença de alguma outra doença.

Tratamento: Combinação de medicamentos estabilizadores do humor e psicoterapia. Embora não haja cura, é possível seguir a vida normalmente desde que haja tratamento adequado.

Informações adicionais: Até a década de 80 os transtornos bipolares eram chamados de psicose maníaco-depressiva. Não há diferenças significativas entre homens e mulheres com transtorno bipolar, embora fatores de gênero possam determinar reações diferentes à doença. O transtorno bipolar é a doença que mais causa suicídios no Brasil. Pessoas com o transtorno são extremamente criativas nas fases de mania, o que gera sentimentos de ambivalência quanto à motivação para tratamento. O pintor Vincent Van Gogh é um caso marcante de criatividade associada à doença, já que os sintomas psicóticos que ele apresentava potencializavam seu talento para a pintura.

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