“O Feio” satiriza a padronização da beleza
Febre comportamental, a obsessão em torno da beleza tem sido um tema recorrente nos palcos de São Paulo. Pelo menos, nesse segundo semestre. Depois de “Razões para Ser Bonita” e “Velha É a Mãe!”, outra comédia, desta vez escrita pelo dramaturgo alemão Marius Von Mayenburg, ganha a cena. “O Feio” chegou de mansinho no pequeno […]


Alvise Camozzi, Pedro Barreiro, Rodrigo Lopez e Malu Bierrenbach na comédia do alemão Marius Von Mayenburg (Foto: Cris Bierrenbach)
Febre comportamental, a obsessão em torno da beleza tem sido um tema recorrente nos palcos de São Paulo. Pelo menos, nesse segundo semestre. Depois de “Razões para Ser Bonita” e “Velha É a Mãe!”, outra comédia, desta vez escrita pelo dramaturgo alemão Marius Von Mayenburg, ganha a cena. “O Feio” chegou de mansinho no pequeno Espaço Beta do Sesc Consolação e revela-se uma grande surpresa do final de temporada. Fala de coisas que nos interessam. E essas coisas não são apenas ditas, mas representadas.
Rodrigo Lopez interpreta um engenheiro e inventor que sempre se considerou um homem normal. Até descobrir que era absurdamente feio e a salvação seria uma cirurgia plástica. A partir desse momento, o protagonista renasce belo, sua ascensão profissional é meteórica e sua vida vira do avesso. Ele entra em crise ao perceber que a felicidade não se baseia apenas na aparência e sente-se transformado em uma peça de fabricação em série.
Sob a direção de Alvise Camozzi, a montagem revela-se uma inteligente e atual crítica. Com poucos objetos cenográficos, uma iluminação cuidada e quatro afinados atores – além de Lopez e do próprio Camozzi, estão no elenco Malu Bierrenbach e Pedro Barreiro –, a encenação prova que é possível aliar criatividade e até sofisticação ao verdadeiro minimalismo.