Jack Quaid: “Os melhores filmes de terror são espelho da nossa sociedade”
Ator estrela ‘Acompanhante Perfeita’ ao lado de Sophie Thatcher e, em entrevista a Vejinha, reflete sobre temas e referências do filme

Acompanhante Perfeita, do diretor e roteirista Drew Hancock, é o tipo de filme que fica melhor quanto menos informações você tiver ao entrar na sala de cinema.
Por isso, aqui vai uma breve sinopse: o casal Iris (Sophie Thatcher) e Josh (Jack Quaid) viaja com alguns amigos para passar o fim de semana em uma casa de campo luxuosa e tudo corre bem, até que o passeio toma um rumo inesperado quando revelações vêm à tona.
O longa tem como produtores os criadores de Noites Brutais (2022) e traz interlocuções interessantes com O Exterminador do Futuro (1984), Garota Infernal (2009) e Ex_Machina (2014) — ao apresentar uma “diva” assassina e super-humana como protagonista.
Confira a seguir a entrevista de Jack Quaid para a Vejinha.
O que te interessou no filme?
A primeira coisa que chamou minha atenção é que era dos mesmos produtores de Noites Brutais, que foi meu filme favorito de 2022. E então eu li o roteiro e decidi que eu absolutamente precisava fazer parte. A história tinha tantas reviravoltas incríveis e personagens muito interessantes. E amei também o fato de não ser de um gênero específico, ser único.

O que pensava ao criar o personagem do Josh?
Ele é o antagonista e bons vilões não sabem que são os vilões. Eles pensam que são os herois de sua própria história. A maior parte da preparação foi encontrar empatia por ele, porque ele faz muitas escolhas desprezíveis ao longo do filme. Agora eu posso dizer “dane-se aquele cara”, mas quando estou filmando, tenho que ter um certo nível de empatia com o personagem. Ele é uma pessoa muito insegura e que talvez não tenha sido muito amada e agora quer se vingar do mundo. Foi a minha abordagem.
Quais foram suas referências?
Filmes como os de John Cusack. Não acho que Josh seja como John, mas na cabeça dele ele acha que é. Fiz uma playlist com muitas baladas de amor dos anos 80. Ele se considera um romântico, então foi meio que me enganar, seguir um caminho diferente com o que ele pensa sobre si mesmo, para entrar na cabeça dele.
Como o filme fala sobre a atualidade?
Os melhores filmes de terror são aqueles que são espelho da nossa sociedade atual. Ainda não temos essa tecnologia no mundo, mas não parece muito distante, quem sabe em alguns anos. A tecnologia é obviamente um grande tema. O filme tenta dizer que não é a tecnologia em si que é boa ou ruim. São as pessoas que usam a tecnologia que fazem as escolhas. Pode ser usada para grandes coisas e também pode tirar empregos das pessoas. Então temos que ser responsáveis.
Uma palavra para definir Josh?
Inseguro. É a que eu diria.

Publicado em VEJA São Paulo de 7 de fevereiro de 2025, edição nº 2930