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Vinho e Algo Mais

Por Por Marcelo Copello Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

A relação do vinho com a invenção do Carnaval

Em suas origens, a bebida e a celebração estão diretamente conectadas. Entenda

Por Marcelo Copello
28 fev 2025, 06h00
Carnaval e vinho, em suas origens, estão diretamente conectados
A celebração teria nascido da Festa de Osíris, deus do vinho no Antigo Egito (Super Hero Woozie/Freepik/Divulgação)
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O vinho, nas últimas décadas, teve sua imagem associada a sofisticação, complexidade e reflexão, perdendo um pouco o caráter de bebida alimentar, popular e mística.

Esquecemos que Carnaval e vinho, em suas origens, estão diretamente conectados. A celebração teria nascido da Festa de Osíris, deus do vinho no Antigo Egito, que marcava o recuo das águas do Nilo e a fertilidade da primavera.

Festejos semelhantes aconteciam na Grécia, em homenagem à Dionísio, e, em Roma, com os bacanais, saturnais e lupercais, devotados aos deuses Baco, Saturno e Pã.

Dionísio, também chamado de Baco, morria a cada colheita — pisando-se as uvas, sacrificava-se o deus. O suco era guardado até o fim do inverno, quando, então, Dionísio revivia na forma da bebida. Morte e renascimento simbolizando a ressurreição da natureza e a fertilidade da terra é um tema religioso antigo, comum a diferentes civilizações.

Este, contudo, era um caso particular, pois o deus era tomado pels adoradores e, ao penetrar-lhes o corpo, efetivamente proporcionava alegria às suas almas. Dionísio, junto com Apolo, formam a dicotomia mitológica grega dos opostos, emoção e razão.

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Apolo é um atleta e um cientista. É o belo, puro, equilibrado, sóbrio, defensor da lei e da ordem. Dionísio/ Baco, por sua vez, revela-se passional, tem natureza instintiva, desinibida, entusiástica, criadora e desafiadora.

Pouco lembrado, porém, é o fato dele não ser apenas o deus do vinho, mas também da fertilidade, da dança, do teatro e da música. O primeiro teatro do mundo foi construído no século IV a.C., na Acrópole de Atenas. Comportava 14 000 pessoas, que vinham participar dos ritos dionisíacos da primavera.

Seguindo este espírito, festas como o Carnaval assumem uma variada gama de aspectos do universo dionisíaco. Torna-se um território independente, de corpos seminus, música, bebidas, fantasias, alegria e despreocupação com o amanhã.

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A sabedoria, contudo, está em ser ao mesmo tempo Apolo e Dionísio, numa assemblage adequada a cada momento, dentro da diversidade de cada ser humano. O mesmo vinho que aquece nossos corações, nos embriaga. Para acompanhar a coluna, sugerimos alguns vinhos mais festivos.

Duas garrafas com fundo branco
Vinhos festivos: opções de rótulos (Reprodução/Divulgação)

Paine Pink Moscato 2023. Da vinícola VyF Wines, com uvas 95% moscatel de alexandria e 5% syrah, do Vale Central, no Chile. Cor-de-rosa clara. Aroma de frutas vermelhas como morango e framboesa, e florais de rosas. Paladar meio doce, com boa acidez, fácil de beber. R$ 29,90, na Wine.

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Influente Branco. Um Vinho Regional Lisboa, da Adega Cooperativa do Cadaval. Blend de uvas brancas, incluindo seara-nova e vital. Amarelo palha. Aroma frutado e fresco. Paladar meio doce, muito leve, com apenas 9,5% de álcool, fácil de beber. R$ 59,90, na Evino.

Publicado em VEJA São Paulo de 28 de fevereiro de 2025, edição nº 2933.

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