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Às quartas-feiras, Xan Ravelli, musicoterapeuta, especialista em comportamento e inteligência emocional, comunicadora, apresentadora de TV e empreendedora vai dividir com os leitores sua bagagem multifacetada, com reflexões sobre o amor e as relações na pós-contemporaneidade

Amores líquidos e preguiçosos

Nós aprendemos a deslizar o dedo e achar que isso bastava pra encontrar amor

Por Xan Ravelli 8 out 2025, 16h34 | Atualizado em 5 jun 2026, 23h25
Amores líquidos e preguiçosos
Amores líquidos e preguiçosos (Freepik/Reprodução)
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E então, nós aprendemos a deslizar o dedo e achar que isso bastava pra encontrar amor. O mesmo gesto que acende uma paixão, apaga uma conversa. Tudo parece mais perto… mas também mais raso.

Vivemos tempos de matches instantâneos, crushes descartáveis e afetos que expiram como stories. O digital encurtou distâncias, sim, mas também reduziu nossa tolerância a tudo que exige paciência, diálogo ou empenho. A promessa de conexão virou vitrine de disponibilidade, e o amor, muitas vezes, virou consumo.

Como lembra Zeynep Tufekci, nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão vulneráveis às lógicas da velocidade e da distração. As plataformas nos treinam para desejar o novo, o breve, o fácil.

Já Sherry Turkle, pesquisadora do MIT (Massachusetts Institute of Technology), chama isso de solidão compartilhada: estamos juntos, mas ausentes; próximos, mas superficiais.

Falha de segurança

É curioso, quanto mais opções temos, menos profundidade sustentamos. Tentamos aplicar a lógica da competição, da guerra e da performance ao amor. Um olhar que demora, uma resposta que atrasa, um silêncio que pede leitura, tudo vira ameaça. Como se sentir fosse perigoso e a entrega, uma falha de segurança.

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Nas telas, aprendemos a substituir o incômodo da espera pela distração do próximo. E nessa rotação infinita de possibilidades, vamos confundindo liberdade com fuga, tudo em nome do fácil e do menos trabalhoso.

A pressa tem engolido o afeto. Queremos o prazer do encontro, mas sem o risco da frustração; o calor da presença, mas sem a vulnerabilidade que o amor impõe. O problema não é a tecnologia mas o modo como a usamos pra evitar o que mais nos humaniza: o vínculo.

Amar, hoje, é um convite ao respiro. É sentir sem tentar racionalizar tudo. Entender que quando é saudável ainda pode ser imperfeito e mesmo assim merecer cuidado, isso é um ato de resistência. É desacelerar num mundo que vive em scroll. É ter coragem de permanecer quando tudo ao redor incentiva a desistência. É recusar o afeto preguiçoso e escolher o sentir inteiro, aquele que dá trabalho, mas também dá sentido.

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Afinal, quem não quer se sentir amado sendo inteiro, com defeitos, qualidades e tudo que faz a gente ser a gente?

Então bora aprender outra vez, a demorar.

Pra olhar. Pra escutar. Pra ficar.

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