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“Febre do Rato”

Por Tiago Faria O diretor pernambucano Cláudio Assis, de 52 anos, fez apenas três longas-metragens de ficção. Mas foi o bastante para que deixasse um rastro notável — e ruidoso — nos festivais brasileiros. A estreia, “Amarelo Manga” (2002), venceu com estrondo em Brasília. Quatro anos depois, o perturbador “Baixio das Bestas” repetiu o feito, […]

Por VEJASP
Atualizado em 27 fev 2017, 12h23 - Publicado em 22 jun 2012, 19h17

Por Tiago Faria

Drama anárquico: o longa ”Febre do Rato” provoca a plateia ao retratar um libertário poeta recifense

O diretor pernambucano Cláudio Assis, de 52 anos, fez apenas três longas-metragens de ficção. Mas foi o bastante para que deixasse um rastro notável — e ruidoso — nos festivais brasileiros. A estreia, “Amarelo Manga” (2002), venceu com estrondo em Brasília. Quatro anos depois, o perturbador “Baixio das Bestas” repetiu o feito, tão aplaudido quanto vaiado. O drama “Febre do Rato” chega à cidade valorizado por oito troféus em Paulínia, onde arrebatou júri e crítica no ano passado. Embora não indique unanimidade, essa coleção de prêmios aponta para um talento do cineasta: a capacidade de provocar reações intensas na plateia. A nova produção de Assis preserva esse temperamento esquentado. Oferece, por isso, munição tanto para os fãs quanto para quem rejeita as transgressões do realizador. Uma parte do público vai identificar um lirismo seco e corajoso neste retrato de um poeta marginal do Recife, interpretado por um enérgico Irandhyr Santos (de “Tropa de Elite 2”). Mas o despudor da narrativa, entrecortada por cenas longas de nudez e sexo, por vezes beira o choque gratuito. Descontadas as previsíveis polêmicas, a força da fita encontra-se nesse desejo intransigente, quase juvenil, de não se impor limites. A atmosfera anárquica combina à perfeição com a história de Zizo, um agitador verborrágico e radical, imerso num mundo particular. Quando o protagonista, autor do tabloide caseiro “Febre do Rato”, se apaixona por uma jovem arredia (papel de Nanda Costa), o texto chega a se embrenhar no romantismo. Para compor esse submundo recifense, Assis se ampara numa impecável fotografia em preto e branco de Walter Carvalho (diretor do documentário “Raul — O Início, o Fim e o Meio”) e numa trilha vibrante de Jorge du Peixe (da banda Nação Zumbi). O roteiro de Hilton Lacerda, sem se prender a uma trama convencional, descreve um cotidiano em que arte, loucura e prazer sexual aliviam os efeitos da miséria. Um enredo torto, imperfeito e narrado à maneira de Zizo — com liberdade e poesia, doa a quem doer.

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