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Vítimas da enchente de março ainda não conseguiram sacar FGTS

Clientes de serviços de self storage afetados não terão direito ao benefício; saiba mais

Por Ana Carolina Soares
12 abr 2019, 17h42

As vítimas afetadas pela enchente de 11 de março ainda não conseguiram sacar o benefício de 6 220 reais do FGTS. O saque foi prometido pelo prefeito Bruno Covas, que declarou situação de emergência na cidade à época, quando a água bateu os 2 metros de altura em diversos imóveis na região da Mooca, Ipiranga e Vila Prudente.

A Caixa Econômica Federal informou que recepcionou a documentação encaminhada pela prefeitura, delimitando as áreas atingidas pela calamidade, e que deve liberar o saque na próxima semana. Para retirar o dinheiro, as vítimas deverão levar a uma agência alguns documentos, como carteira de trabalho e previdência, documento de identidade, inscrição no PIS/Pasep, além de comprovante de residência.

Um tipo específico de vítima, no entanto, ficou excluído do benefício. São aqueles que possuíam bens armazenados nos chamados “self storages”, como hoje costumam ser chamados os antigos “guarda móveis”.

É o caso da gerente Andrea Sukonis, de 45 anos. No ano passado, ela passou por um divórcio e deixou a casa do ex-marido para viver em um hostel com a filha Laura, de 8 anos. Assim, guardou seus móveis, eletrodomésticos e lembranças (como fotos do nascimento de sua filha) na MetroFit, empresa de self storage. “Perdi 37 000 reais em bens. Bati perna em não sei quantas agências da Caixa Econômica, liguei, mas até agora, nada, ninguém dá nenhuma informação. É uma tremenda confusão”, reclama. “Além da empresa não se responsabilizar, agora que aluguei uma casa, preciso comprar novos móveis e contava com esse dinheiro prometido pelo governo“, diz Andrea.

A atriz Carla Costa, 33, perdeu fotos de família. “Tinha imagens do meu pai na Hungria, retratos de 1915, tudo devastado pela água. Ao contratar o serviço, ninguém me informou que ali seria afetado”, conta. Ela reclama do atendimento dado pela MetroFit. “Soube que havia perdido meus bens dois dias depois, por e-mail. Ao chegar lá, não havia infra-estrutura para a gente recolher nossos objetos. Querendo nos compensar, o empresário contratou um food truck, para nos dar lanchinho”, conta a atriz, que filmou a destruição. Veja abaixo:

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O CEO da empresa, Hans-Peter Scholl, diz que não se trata de um guarda-móveis, mas um espaço de locação. “A empresa realiza locações de espaços, o que não pode ser confundido com ‘serviço de armazenamento’, ou seja, não possuímos ciência prévia nem fazemos vistoria dos bens colocados. Tanto que juridicamente não somos classificados como uma empresa de prestação de serviços, e sim como uma empresa de empreendimentos imobiliários”, diz.

Hans acrescenta que também teve um prejuízo com a enchente, estimado em mais de 2 milhões de reais. As instalações foram danificadas e o seguro do prédio não cobre alagamentos. Segundo o empresário, aquela região onde fica a MetroFit jamais tinha passado por um problema igual. “Foi uma fatalidade e não tenho como ressarcir os clientes, infelizmente”, conta.

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