São Paulo vintage: onde o usado é o novo novo

Movimento vintage valoriza consumo sustentável e recoloca lugares como brechós, sebos e lojas de vinil entre os pontos de interesse do paulistano

A capacidade de reinvenção de São Paulo é especial. A cidade tem 462 anos e segue na vanguarda produtiva, financeira e cultural do Brasil. E, claro, lança tendências – ou melhor, relança. Nos últimos anos os paulistanos vêm redescobrindo o prazer de garimpar peças de valor em brechós, sebos e lojas de disco de vinil. Em parceria com o #hellocidades, plataforma de Motorola que incentiva a reconexão pessoal através das cidades com o uso consciente da tecnologia, fomos conhecer esse fenômeno paulistano.

A nova música do passado

Um dos entusiastas dessa onda “retrô” é Daniel Höhne, de 30 anos, que descobriu sua paixão pelo vinil. “Comecei a me interessar por vinis quando encontrei alguns discos antigos do meu pai. Aí comprei uma Sonatinha [tipo de vitrola portátil], e fui colecionando”. Ele chegou a ter mais de 2 mil títulos catalogados e armazenados em casa.

Grande parte dos discos de sua coleção foram adquiridos em feiras especializadas ou lojas dedicadas ao vinil. Uma delas é a que ocorre todo sábado na tradicional feirinha de antiguidades da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros. Lá, há um corredor na qual colecionadores compram e vendem artigos que variam dos mais ordinários a raridades.

É o mesmo modelo das feiras organizadas pela Locomotiva Discos (R. Barão de Itapetininga, 37, República; 3255-4963), cujos eventos reúnem cerca de 2 mil pessoas por edição. Gilberto Custódio, um dos donos da loja fundada em 2011, diz que os vinis hoje são objetos de desejo. “Se uma pessoa é fã de música, ela vai querer o disco, assim como se uma pessoa é fã de filmes, ela vai querer vai querer ir ao cinema”, analisa.

A Eric Discos (R. Artur de Azevedo, 1813, Pinheiros; 3081-8252), loja do segmento inaugurada no final dos anos 1970, é também um dos exemplos da retomada dos vinis. Após o período de ouro, na década de 80, a chegada dos CDs quase acabou com o produto. “Naquela época, o pessoal torceu o nariz. Mas depois, com mais tecnologia, o vinil cresceu de novo. O jovem gosta do objeto, ele quer colecionar”, explica o gerente da loja Cristovam de Souza.

A moda compartilhada

Em julho de 2014, Nathália Capistrano, de 32 anos, notou que tinha em seu armário dezenas de peças paradas, algumas delas até com etiquetas de novas. Ela, então, publicou em seu perfil no Facebook um post chamando amigas para trocarem roupas e acessórios. A resposta foi imediata: muitas delas toparam a proposta. No final daquele mês, foi realizada a primeira edição do Trocaderia.

Evento do projeto Trocaderia, onde público troca roupas sem envolvimento de dinheiro (Trocaderia/Divulgação)

O Trocaderia é um evento itinerante que já teve 24 edições, em lugares como o Museu de Imagem e Som (MIS) e em praças desde o Bixiga ao Brooklin. Lá, mulheres – homens são bem-vindos, embora sejam raridade – se encontraram para trocar peças de forma justa e organizada. “O consumo consciente, a moda colaborativa e acessível e um olhar sustentável são assuntos-tendência e vemos que uma real mudança comportamental está no ar”, afirma Nathália.

Mais tradicionais, embora também moderninhos, são os brechós que fazem sucesso na cidade. Há espaço para todo tipo de loja, como aquelas especializadas em roupas vintage, caso do Frou Frou Vintage Shop (R. Augusta, 725, Consolação; 2506-8954), e também para quem busca roupas atuais e de marcas. Esta é a proposta do Brechó do Borogodó (R. Fradique Coutinho, 944, Pinheiros; 3813-2231), inaugurado pela figurinista Erika Nigro, de 43 anos, em 2015. “Cada vez mais gente está buscando brechós, e a qualidade é alta: tudo é novo, arrumado e impecável. E todo mundo quer pagar barato”, diz Erika.

Tradição escrita em papel

Sebos nunca saíram de moda. Nem mesmo computadores, celulares, tablets e e-readers são capazes de desbancar o reinado do livro em papel, com aroma e textura de tradição. Principalmente para estudantes universitários, que são o público alvo do Sebo Central (R. Riachuelo, 62, Centro; 3105-0520), cujas obras são predominantemente sobre Direito – muito buscadas por alunos do Largo São Francisco.

Ali perto fica a loja de livros usados mais famosa de São Paulo. Trata-se do Sebo do Messias (Praça Dr. João Mendes, 140, Sé; 3104-7111), aberto em 1969 e que hoje tem mais de 200 mil peças em seu acervo. Bem mais recente, mas também queridinho dos jovens, é o Sebo Casa Puebla (Al. dos Jurupis, 1256, Moema; 5542-0116), cujo acervo de 15 mil peças é dedicado a livros de humanas e que aos sábados está sempre presente na feirinha da Praça Benedito Calixto.

Agora é a sua vez! Tem uma coleção de vinis? Uma lojinha de antiguidades preferida que faz parte da sua vida? Compartilhe fotos nas redes sociais usando a hashtag #hellocidades. Conecte-se com outras pessoas com os mesmos gostos, troque referências e dicas, e aproveite para se reconectar também com a cidade de São Paulo por meio do hellomoto.com.br.

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