Quatro morreram por febre amarela em SP em janeiro

Todas as vítimas haviam viajado para Minas, onde há um surto da doença

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo informou ontem que quatro pessoas morreram no Estado com suspeita de febre amarela neste mês. Todas as vítimas haviam viajado para Minas, onde há um surto da doença, o que indica, de acordo com a pasta, que a transmissão tenha ocorrido fora do território paulista. Mesmo assim, a secretaria pediu doses extras da vacina ao Ministério da Saúde para intensificar a imunização no interior do Estado, área de risco.

Dos quatro óbitos, três aconteceram na capital e o outro em Américo Brasiliense, na região de Araraquara. Uma das vítimas mortas na cidade de São Paulo era moradora de Santana do Parnaíba, na região metropolitana, mas teve o óbito confirmado na capital porque estava internada no Instituto Emílio Ribas, na zona oeste. As outras duas mortes registradas na capital aconteceram no Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul.

Embora as quatro vítimas tenham viajado para Minas, não está totalmente descartada a possibilidade de o paciente de Américo Brasiliense ter sido infectado em alguma área rural da própria cidade paulista. “O que nos deixa em dúvida é que esse paciente viajou para Divinópolis, cidade mineira onde não há surto. Então estamos investigando para saber se a infecção aconteceu no Estado de São Paulo ou no de Minas”, explica Marcos Boulos, coordenador de controle de doenças.

De acordo com Boulos, as quatro vítimas paulistas eram homens e jovens. “Tivemos dois óbitos de pessoas de 23 anos e os outros nessa mesma faixa etária”, afirmou ele. Além das quatro mortes, há ainda outros dois casos da doença em investigação no Estado, nos quais os pacientes estão em recuperação.

Caso confirmadas, essas serão as primeiras mortes por febre amarela registradas em território paulista neste ano. No ano passado, dois óbitos pela doença foram notificados: um em Ribeirão Preto, em dezembro, e outro em Bady Bassit, região de São José do Rio Preto, em abril. Nesses dois casos a infecção pela doença foi autóctone, ou seja, de transmissão local. Em ambos os registros, porém, a contaminação aconteceu fora da área urbana.

Vacinação

A Secretaria da Saúde de São Paulo solicitou ao governo federal 235 000 doses extras da vacina para imunizar a população do interior. “Na maioria das regiões de risco, cerca de 80% da população já é vacinada, mas há algumas áreas próximas da divisa de Minas, como São João da Boa Vista, que ainda não têm um alto índice de cobertura. Estamos focando nesses locais”, explica Boulos.

Ele diz que, apesar das mortes, não há motivo para pânico, uma vez que os casos de contaminação no País seguem ocorrendo em áreas rurais ou de mata, de maneira isolada. “Estamos fazendo todo o trabalho de vigilância, mas não temos registro de caso de febre amarela urbana (transmitida pelo Aedes aegypti) há muito tempo, desde 1942. Provavelmente, o Aedes perdeu um pouco de sua competência de transmissão.”

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