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Poeta Ferreira Gullar morre aos 86 anos

Artista era imortal na Academia Brasileira de Letras desde 2014

Por Veja São Paulo 4 dez 2016, 11h54

A literatura brasileira perdeu neste domingo (4) um dos seus maiores artistas. Poeta ensaísta, crítico de arte, dramaturgo, biógrafo, tradutor e memorialista, Ferreira Gullar morreu aos 86 anos no Rio de Janeiro. O escritor estava internado no Hospital Copa D’Or há cerca de vinte dias devido a uma insuficiência respiratória. 

José Ribamar Ferreira nasceu em 10 de setembro de 1930 na capital do Maranhão e era um dos onze filhos que teriam seus pais, o comerciante Newton Ferreira e a dona de casa Alzira Ribeiro Goulart. Em 1951, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1951, onde conheceu o crítico de arte Mário Pedrosa e o escritor Oswald de Andrade, e trabalhou como revisor na revista “O Cruzeiro”.

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Em 1954, publicou A Luta Corporal, cujo projeto gráfico chamou a atenção de Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Gullar trabalhou na revista “Manchete” e no “Diário Carioca”, e depois se engajou no projeto do “Suplemento Dominical” do “Jornal do Brasil”. Em 1956, participou da I Exposição Nacional de Arte Concreta no MASP.

No ano seguinte, quando a mostra foi para o Rio de Janeiro, distanciou-se do grupo concretista de São Paulo. Em 1958, lançou o livro Poemas. Um ano depois, redigiu o “Manifesto Neoconcreto”, publicado no “Suplemento Dominical” e também assinado por Lygia Pape, Franz Waissman, Lygia Clark, Amilcar de Castro e Reynaldo Jardim, entre outros. “O manifesto” abriu o catálogo da I Exposição de Arte Neoconcreta, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.Em 1961, Gullar assumiu a direção da Fundação Cultural de Brasília no governo de Jânio Quadros. Na instituição, que dirigiu até outubro de 1961, construiu o Museu de Arte Popular.

Eleito em 2014 para a Academia Brasileira de Letras, coleciona uma vasta lista de prêmios. Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2007, seu livro Resmungos ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. A obra, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Gullar publicadas no jornal Folha de São Paulo ao longo de 2005.

Em 2010, Gullar foi agraciado com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. No mesmo ano, foi contemplado com o título de Doutor Honoris Causa na Faculdade de Letras da UFRJ. Um ano depois ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesia Em Alguma Parte Alguma.

 

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