Clique e Assine a partir de R$ 6,90/mês

Secretário diz que pode responsabilizar pais que não permitirem filhos na escola

Rossieli Soares defendeu que apenas estudantes com atestado médico ou do grupo de risco continuem com ensino remoto

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 22 dez 2020, 15h05 - Publicado em 22 dez 2020, 11h11

O secretário estadual de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, defendeu o retorno obrigatório das aulas presenciais em 2021 em entrevista concedida nesta segunda-feira (21) ao Estadão. Na última quinta-feira (17), o governo de São Paulo divulgou informações sobre o retorno em 2021De acordo com Soares, pais de estudantes, tanto da rede pública quanto da privada, poderiam ser até responsabilizados caso não permitissem que seus filhos retornassem às aulas presenciais em 2021.

“O pai ou mãe podem ser responsabilizados, sim. Podemos encaminhar para o conselho tutelar e caberá a ele fazer a tutela do direito da criança”, explica. Ele também diz que a escola é um “espaço seguro” e só iria permitir estudantes com atestado médico ou do grupo de risco não retornarem às escolas. 

A Vejinha questionou a Secretaria da Educação de São Paulo sobre a fala. De acordo com a pasta, o acionamento do Conselho Tutelar seria a última alternativa adotada. Antes, a escola conversaria com os pais para entender os motivos de a criança faltar às aulas.

Questionada se a medida não seria muito dura tendo em vista o enfrentamento de uma pandemia e o medo real da contaminação, a Secretaria disse que a volta às aulas é segura e que segue orientações do Centro de Contingência e estudos sobre o coronavírus.

“Educação é direito da criança e dever do Estado, deve ser obrigatória dentro dos protocolos”, afirma. “Muita coisa evoluiu de março ou maio para cá, hoje a ciência mostra que o espaço escolar é seguro. Para o estudante não voltar, só com atestado médico, se tiver no grupo de risco”. Ele diz que, mesmo na fase vermelha, haverá aulas presenciais nas escolas da rede pública. 

Continua após a publicidade

Apesar de parte da população ser contrária à volta, o secretário pensa que é uma característica da sociedade não priorizar a educação. “Infelizmente, no nosso país, quando a gente fala que educação não é prioridade não se pode criticar só a classe política, é uma característica da nossa sociedade. (…) Eu defendo muito a tecnologia, as soluções que os professores buscaram durante a pandemia, mas nada substitui a escola. Isso não está claro para pais e mães”, explica. 

Em relação aos professores, ele classifica a função dos docentes como essencial, afirmando que farmácias e supermercados não fecharam e as pessoas que trabalham nesses lugares precisam se deslocar. “O que é essencial para a sociedade não tem de fechar. Professor, funcionário da educação, tem papel fundamental, precisa ser valorizado”.

Sobre o possível risco de greve, o secretário afirma que, em alguns lugares, o judiciário demonstrou que seria um ato ilegal, mas que irá tentar dialogar para demonstrar que o estado tem condições de garantir um retorno seguro.

Soares espera que haja um ensino híbrido com rodízio, com partes remotas e outras presenciais. Na metade do segundo semestre de 2021 para frente, ele idealiza que todos os alunos possam retornar integralmente para escola.

+Assine a Vejinha a partir de 5,90

Continua após a publicidade

Publicidade