Vidros da raia olímpica da USP são quebrados três vezes em uma semana

Muro revitalizado foi inaugurado parcialmente no começo de abril

Nem bem teve sua etapa inicial entregue, o muro de vidro da raia olímpica da Universidade de São Paulo (USP) demandou várias trocas. Em um intervalo de sete dias, os painéis que separam a pista aquática da Cidade Universitária, no Butantã, da Marginal Pinheiros amanheceram quebrados não uma, mas três vezes.

A primeira ocorrência foi registrada em 18 de abril, duas semanas após a inauguração. Quarenta e oito horas depois, no dia 20, outra parte da estrutura acabou destruída. Mais três painéis apareceram despedaçados na terça-feira (24). Os oito vidros danificados já foram substituídos por quadros excedentes. Parceria da USP com a prefeitura, a troca do paredão de concreto por uma estrutura envidraçada foi anunciada há dez meses, com o intuito de revitalizar o entorno da Marginal e integrar a universidade à cidade.

De vidro temperado com película de proteção, os painéis exibem 3,15 metros de altura, 1,8 metro de largura e 12 milímetros de espessura. O projeto, concebido pelo escritório de arquitetura Jóia Bergamo e orçado em 20 milhões de reais, é custeado por 45 empresas privadas. Pouco antes de deixar o cargo para concorrer ao governo, o então prefeito João Doria (PSDB) inaugurou a obra parcialmente, com cerca de 500 metros de extensão reformados, o que representa aproximadamente 20% dos 2,2 quilômetros prometidos. O restante da composição tem programação de entrega até maio.

Em um futuro ainda incerto, haverá nova iluminação, paisagismo e pista de corrida. Diante do incidente, a prefeitura anunciou que realizará um convênio com a USP para que a Guarda Civil Metropolitana também patrulhe a área. Hoje, protegem o local a Guarda Universitária, a PM e uma empresa terceirizada. O projeto prevê ainda câmeras, sem previsão de instalação. O sistema viria a calhar para coibir outros casos relacionados a segurança. No dia 4, duas pessoas acabaram detidas após ser flagradas furtando barras de ferro da mesma obra.

A causa da quebra dos vidros ainda é um mistério. Após a primeira ocorrência, um vigilante contou à polícia que avistou um homem circulando pelo local. Questionado, o rapaz disse procurar uma bolsa jogada por ali. Ele foi orientado a sair pela portaria, mas pulou o muro e fugiu. No dia 20, houve relatos de um carro que reduziu a velocidade bruscamente próximo à área dos danos. Uma perícia investiga se problemas de má instalação ou até a trepidação dos caminhões que trafegam na via ao lado podem ter relação com os estilhaços. O resultado sai em trinta dias.

A estrutura logo após a inauguração: obra de 20 milhões de reais

A estrutura logo após a inauguração: obra de 20 milhões de reais (Aloisio Mauricio/Fotoarena/Veja SP)

Especialistas duvidam, entretanto, dessas possibilidades. “Não é provável que a tremedeira causada pelo trânsito tenha sido transferida para a base do muro”, aponta Tatiana Domingues, consultora técnica em aplicação de vidros. “Além disso, não haveria um buraco no meio das estruturas em caso de rompimento espontâneo.”

Desde o começo, a iniciativa divide opiniões. A ideia original era instalar uma grade no lugar da barreira de concreto. Parte dos cerca de 1 000 remadores que visitam o espaço regularmente, no entanto, reclamou de possível piora nos impactos sonoro e ambiental, o que trouxe a escolha do vidro ao projeto. “Outra solução seria colocar um gradil entremeado com vegetação para reduzir o ruído, mas não existe medida que resolva toda a questão”, pontua a geógrafa Stela Goldenstein, ex-diretora da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros.

Traz ainda preocupação o fato de que a universidade, em crise financeira, deva arcar com os gastos de manutenção do “presente” da prefeitura. “Se em tão pouco tempo estouraram tantos vidros, precisamos imaginar o custo no futuro para a instituição”, opina o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e arquiteto Francisco Spadoni. O responsável pelo cuidado do espaço após a finalização das obras será definido por meio de um edital, aberto à manifestação de empresas. Se ninguém demonstrar interesse, entretanto, a tarefa ficará a cargo da própria USP.

ROTA DE VANDALISMO

O tipo mais comum de depredação do patrimônio é a pichação. Desde o começo do ano, pelo menos 45 pessoas foram detidas pelo delito. Confira mais pontos atingidos por esse e outros tipos de vandalismo.

Pátio do Colégio: dois detidos por pichação

Pátio do Colégio: dois detidos por pichação (Suamy Beydoun/Veja SP)

Praça da Sé. Os dezessete monumentos e esculturas do lugar são constantemente pichados. Só neste ano, a prefeitura regional da área realizou duas operações para reparar os estragos.

Avenida 23 de Maio. O corredor verde de 11 quilômetros tinha casos de furto e destruição até o fim de 2017. De lá para cá, fios, bombas e outras estruturas foram enterradas e protegidas.

Pátio do Colégio. O endereço foi pichado no último dia 10. Mais de 100 voluntários colaboraram com o conserto da fachada, cuja reinauguração oficial será no dia 6. Duas pessoas foram detidas.

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