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MP entra com ação por improbidade contra dez policiais do Denarc

Delegados e investigadores são acusados de extorquirem, torturarem e roubarem traficantes em Campinas

Por Veja São Paulo Atualizado em 5 dez 2016, 12h00 - Publicado em 1 out 2015, 21h26

O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública contra dois delegados e oito policiais civis do Departamento de Repressão ao Narcótico (Denarc) nesta quarta-feira (30). Eles são acusados de cobrarem propina de traficantes de Campinas em troca de proteção e informações sigilosas. A ação ainda inclui como réus três informantes da Polícia, segundo nota enviada pelo MP.

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Ainda, segundo a nota, todos foram denunciados à Justiça pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pela “prática de concussão, roubo, tortura e extorsão mediante sequestro”, e respondem a processo na Vara Criminal de Campinas.

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De acordo com a ação, no início do ano de 2013 os policiais reuniram informações sobre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Campinas, como a identidade do líder e dos principais articuladores do tráfico na região do Jardim São Fernando. Eles os localizaram e começaram a extorqui-los. Segundo a MP, em um dos casos, os policiais exigiram 200 000 reais de um traficante conhecido como “Codorna” para que ele não fosse preso, chegando a sequestrar um integrante do grupo do traficante para forçar o pagamento. Como o valor não foi pago, os policiais sequestraram novamente e torturaram “Codorna” e ainda invadiram o apartamento do traficante, a fim de forjar um flagrante. Eles roubaram 18 000 reais e prenderam pessoas ligadas ao traficante que foram mantidas reféns enquanto os flagrantes forjados foram levados ao Denarc como forma intimidação. 

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Em outra ocasião, os policiais também localizaram e prenderam um integrante do PCC que estava foragido, exigindo de seus comparsas a quantia de 40 000 reais como resgate, que somente não foi pago porque policiais rodoviários desconfiaram das atitudes dos homens que estavam com o dinheiro e os interceptaram. A ação também sustenta que um dos delegados, chefe da Unidade de Inteligência do Denarc à época dos fatos, repassou aos policiais informações sigilosas sobre ações de combate que seriam realizadas em Campinas. Imediatamente, os policiais avisaram “Codorna” e passaram ao traficante orientação para que ele se desfizesse de seus telefones celulares.

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Os promotores pedem, na ação, o afastamento cautelar dos policiais envolvidos e a condenação de todos à perda dos cargos públicos que exercem, à suspensão dos direitos políticos, à perda dos 200 000 obtidos ilicitamente, ao pagamento de multa civil, e à proibição de contratar com o poder público ou dele receber benefícios. As mesmas penas são pedidas para os informantes.

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