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“Busquei fazer o inverso, decidi ser elegante”, diz Marco Antonio Villa

O historiador deixa a Jovem Pan após cinco anos de contrato e um afastamento de trinta dias repleto de controvérsias

Por Mariana Rosario - Atualizado em 25 Jun 2019, 19h46 - Publicado em 25 Jun 2019, 19h42

O jornalista e historiador Marco Antonio Villa não faz mais parte do quadro de comentaristas da rádio Jovem Pan. Após um afastamento de trinta dias cercado de polêmicas, ele diz não ter mais clima para voltar a figurar entre os colaboradores do Jornal da Manhã. Em entrevista a VEJA SÃO PAULO, comentou sobre o desligamento da empresa, os novos planos para carreira e se acredita ter sofrido represálias após criticar o governo de Jair Bolsonaro (PSL):

De quem partiu a decisão de sua saída?

Partiu de mim. Percebi que não havia mais clima de trabalho e optei por terminar o contrato, tentei uma saída elegante. Foi na quarta (19), antes do feriado do dia 20, por meio do meu advogado. Durante uma reunião no decorrer do dia, houve um acordo de rescisão do contrato, tudo de forma amigável.

Por que tomou essa decisão?

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Decidi que não tinha mais condições de voltar, houve uma desconsideração a todo esforço que eu fiz em quase cinco anos trabalhando lá. Sempre fui muito dedicado, esforçado, muito amigo de todos, desde a atendente aos colegas da redação. Mas não havia mais clima, não me sentia mais confortável. 

Você chegou a falar com a direção da Jovem Pan sobre o seu afastamento?

Evitei uma conversa, deixei esse episódio de lado. Não quis, não achei nada elegante o que foi feito e, por isso, busquei fazer o inverso, decidi ser elegante. 

E o que fará agora? Seguirá fazendo publicações em suas redes sociais?

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Estou me dedicando ao canal, às minhas redes sociais. Já tive convite de duas empresas, mas ainda é sigiloso. Esse episódio me motivou a falar mais sobre política. Recebi diversas mensagens de apoio e de respeito ao meu trabalho, o que me animou muito mais do que eu já sou animado, me estimulou a seguir no caminho reto, republicano, defensor da moral, da ética republicana e de um país diferente do que estamos vivendo.

O que fez durante os últimos trinta dias? Esteve de férias mesmo?

Pelo contrário, eu nunca trabalhei tanto, passei a levantar uma hora antes do que o normal, às 4 da manhã. Lia todos os jornais e revistas para, a partir das 10h30 da manhã, ter todos os vídeos das redes sociais gravados. Aproveitei também para tirar o atraso na leitura, li seis livros nesse período.

O senhor acredita que toda essa confusão se deu por conta de suas opiniões políticas?

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Sim, foi uma questão política. Não sei bem se alguém pediu ou não pediu (o afastamento da rádio). Seria leviano, eu acho que… aconteceu, eu tenho uma visão de mundo, a empresa tem outra, a empresa continua e eu continuo. Tento ver pelo lado positivo. Foram momentos de muita mudança, peguei o início da crise do governo Dilma, o impeachment, o governo Temer e os primeiros meses do governo Bolsonaro. Como historiador foi muito rico comentar todas essas mudanças desde janeiro de 2015. Foi bacana, foi bom.

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