Avatar do usuário logado
Usuário

Empresas paulistanas faturam com a retomada dos jogos de tabuleiro

Setor estima que 368 títulos devam chegar às prateleiras brasileiras neste ano, um crescimento de 60% em relação a 2017

Por Guilherme Queiroz 27 jul 2018, 06h00 | Atualizado em 5 set 2025, 19h55
Jogos de tabuleiro
Barbosa, da Galápagos: 16 milhões de reais em 2017 (Alexandre Battibugli/Veja SP)
Continua após publicidade

Abandonados por anos no fundo dos armários após a proliferação dos videogames, os jogos de tabuleiro estão novamente conquistando território no mercado de brinquedos. O setor estima que 368 títulos devam chegar às prateleiras brasileiras neste ano, um crescimento de 60% em relação a 2017. Nesse cenário aquecido, a capital passou a abrigar empresas dedicadas à distribuição de novos produtos.

Fundada em 2009 por três estudantes de engenharia da Poli-USP, a Galápagos é hoje a principal desse segmento. Funciona em um prédio de escritórios no bairro de Pinheiros, na Zona Oeste, onde trabalham trinta funcionários. Com cerca de quarenta lançamentos anuais, o negócio faturou 16 milhões de reais em 2017, um aumento de 700% nos últimos quatro anos.

Um dos seus maiores sucessos é Zombicide, jogo que veio dos EUA no qual os participantes precisam sobreviver a um apocalipse zumbi. É vendido por 420 reais. “No início desenvolvemos nossos próprios games, mas o público se interessa mais por títulos aclamados no exterior e passamos a importá-los”, diz o presidente da marca, Yuri Barbosa.

Outros preferidos dos fãs são os eurogames, com melhor acabamento e regras mais elaboradas, como Mansions of Madness, título de horror e investigação que inclui um aplicativo para fornecer trilha sonora. Seu preço dá a medida da sofisticação: 500 reais. Outras marcas populares no setor são a Devir — responsável pelo jogo O Hobbit, baseado na obra de J.R.R. Tolkien, vendido a 35 reais — e a Mandala — distribuidora do Quartz, game de aventura que custa 139,90 reais.

Jogos de tabuleiro
Kevin e Samanta, da Potato Cat: card game futurista (Marcelo Justo/Veja SP)
Continua após a publicidade

A área também tem despertado o interesse de jovens desenvolvedores. Criada em 2015 por Kevin Oliveira e Samanta Geraldini, dois ex-alunos do curso de jogos digitais da Faculdade de Tecnologia (Fatec), a Potato Cat lançou seu primeiro produto no ano seguinte, por meio de um financiamento coletivo na internet. Chamado de Cartas a Vapor, o projeto consiste em um card game em que os participantes precisam defender uma Porto Alegre retrofuturista da destruição.

“A maioria dos produtos nesse segmento atinge o objetivo ou até arrecada mais dinheiro”, diz Oliveira. Quem deseja conhecer as novidades das lojas tem à disposição algumas luderias abertas recentemente na capital, onde é possível sentar-se em torno de um tabuleiro por algumas horas.

Veteranas notam o aquecimento do nicho. Com mais de oitenta anos, a Estrela se dedica a clássicos como Banco Imobiliário e registrou um aumento de 15% na venda de jogos de tabuleiro entre 2016 e 2017, alcançando um faturamento de 100 milhões de reais nesse tipo de produto. “É a categoria que mais cresce no mercado internacional de brinquedos”, diz o presidente da empresa, Carlos Tilkian.

Continua após a publicidade

O interesse do público pode ser medido no portal Ludopedia, que reúne informações sobre lançamentos e funciona como uma rede social de jogadores. Os acessos ao site dobraram em dois anos, atingindo 33 milhões de visitantes em 2017. A plataforma investiu na criação de um e-commerce que permite a venda de jogos usados, e o número de transações aumenta 40% ao ano.

Eventos como o Diversão Offline também servem para calcular a movimentação nos tabuleiros. Em sua primeira edição, em março deste ano, na Consolação, reuniu editoras nacionais para a entrega de prêmios e lançamentos, atraiu 5 000 pessoas e movimentou mais de 500 000 reais.

Game_Vault
Espaço da Game Vault (Divulgação/Veja SP)
Continua após a publicidade

Onde jogar na capital

Doidos por Dados. Clube de jogos de tabuleiro e RPG. Dispõe de uma coleção de 300 títulos e oferece monitores. A entrada custa 15 reais de terça a quinta, e 25 reais de sexta a domingo. Rua Doutor Neto de Araújo, 397, Vila Mariana, ☎ 94261-9136.

Encounter Board Game. A empresa leva jogos para restaurantes e oferece monitores para orientar o público. Um dos pontos é o Stue, que dispõe de 150 títulos a seus fregueses. O serviço custa 20 reais por pessoa. Quartas, quintas e domingos, das 18h à 0h; sextas e sábados, das 18h à 1h. Restaurante Stue. Rua Girassol, 320, Vila Madalena, ☎ 99845-4090.

Game Vault. Estabelecimento que reserva espaço para que os clientes experimentem mais de 250 títulos. O serviço é gratuito. Rua das Azaléas, 138, Mirandópolis, ☎ 3796-8942.

Playeasy. Loja de jogos de tabuleiro que disponibiliza cópias abertas para o público. Rua Pedro Taques, 47, Consolação, ☎ 2594-9933.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês