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Estudo mostra recuo no desempenho de alunos da rede estadual paulista

Secretaria defende que volta às aulas presenciais reduziria impacto da Covid-19; professores ainda temem pandemia

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 28 abr 2021, 18h49 - Publicado em 28 abr 2021, 18h48

Um estudo mostrou que os estudantes dos anos iniciais da rede estadual de ensino de São Paulo tiveram regressão na aprendizagem durante a pandemia. A informação foi divulgada nesta terça-feira (27) pelo governo paulista.

A avaliação foi aplicada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF) em estudantes do 5º e do 9º anos do ensino fundamental e da 3º série do ensino médio, no início deste ano letivo.

Sobre os resultados alcançados em 2019, o estudo diz que as maiores diferenças na escala de proficiência foram verificadas em matemática entre alunos do 5º ano do ensino fundamental, que apresentaram 46 pontos a menos do que o resultado do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2019, com queda de 19% na aprendizagem. Em língua portuguesa, foram 29 pontos a menos, com queda de 13%.

Para o 9º ano do ensino fundamental e o 3º do médio, porém, a defasagem foi menor, embora com perdas no aprendizado. Segundo a Secretaria de Educação do Estado, isso sugere que o impacto da mudança para o ensino remoto foi maior entre os estudantes mais novos.

“Trata-se de uma das primeiras e mais importantes pesquisas sobre o tema na atualidade. Diante desses dados, temos convicção da importância do retorno às aulas para contribuir no processo de retomada de aprendizagem dos nossos alunos e para reduzir, aos poucos, todos os impactos causados, e já previstos, pelo distanciamento social”, defendeu o secretário da Educação, Rossieli Soares.

Professores, no entanto, reclamam da volta às aulas presenciais e fazem protestos por não se sentirem seguros no ambiente escolar. Eles alegam risco de contaminação com a Covid-19. Levantamento realizado por pesquisadores da Rede Escola Pública e Universidade (Repu) indicou que a incidência de Covid-19 entre professores das escolas estaduais de São Paulo no início deste ano foi maior do que a registrada na população em geral.

Avaliação

Em cada ano escolar, foram avaliados aproximadamente 7 mil estudantes, considerando uma amostra representativa e de diferentes perfis sociais e regionais do estado, nos componentes curriculares de língua portuguesa e matemática. Aplicados em formato impresso e de forma presencial, os testes incluíam itens baseados nas escalas de proficiência do Saeb.

A pesquisa comparou a proficiência desse grupo de estudantes, que iniciam agora o 5º e o 9º anos do ensino fundamental e o 3º do médio, com o nível atingido pelos que concluíram essas etapas em 2019. Assim, a rede estadual de São Paulo identifica quanto, em média, os estudantes precisam avançar neste período letivo para alcançar o mesmo resultado de anos anteriores, apesar das perdas de aprendizagem causadas durante a pandemia.

Estratégias de recuperação

O Programa de Recuperação e Aprofundamento (PRA), que dá apoio à recuperação da aprendizagem dos estudantes dos ensinos fundamental e médio para alcançar resultados equivalentes aos anteriores à pandemia de Covid-19. O PRA abrange seis frentes: currículo, materiais, formação, avaliação, acompanhamento e tecnologia.

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Esse apoio é obtido também por meio do Projeto e Reforço e Recuperação (PRR), que consiste na atribuição de aulas para professores de língua portuguesa e matemática. Ou seja, é um professor a mais que a turma tem, além do professor regente, para apoiar nesse processo, de forma mais próxima e personalizada. Atualmente, são 2261 professores e mais de 32 mil aulas semanais. Em classes do 1º ao 5º anos, são 21 aulas semanais.

De acordo com a coordenadora do Centro de Mídias da Educação de São Paulo, Bruna Waitman, uma das principais ações do programa é entender 2020 e 2021 como um único ciclo de aprendizagem. “O estudante vai trabalhar no ano de 2021 habilidades que já viu no ano anterior, como uma forma de recuperá-las. Esse programa conta com materiais impressos e digitais e formação para que os professores possam trabalhar a temática da recuperação. Por meio do centro de mídias, também há uma série de ações e aulas focadas no trabalho de habilidades essenciais e na recuperação delas. Há também aplicação de avaliações diagnósticas e formativas e, por fim, um olhar focado nas habilidades essenciais”.

Existe ainda o programa Além da Escola, que amplia a carga horária de alunos do 6º ano do fundamental à 3ª série do ensino médio das escolas regulares (incluindo escolas de ensino integral – indígena, quilombo, área de assentamento e grupos do noturno regular do programa de ensino integral), por meio do oferecimento de conteúdos do centro de mídias e plataformas educacionais parceiras, além de orientação de estudos com um professor duas vezes por semana, via chat.

O tempo extra de estudo varia conforme o período: 1 hora e 45 minutos por dia para estudantes do período diurno e 1 hora e 15 minutos para os matriculados no noturno.

“O Além da Escola é uma ação de combate às desigualdades e de recuperação da aprendizagem e tem como foco os 500 mil alunos mais vulneráveis da rede, que estão recebendo chips de internet para que possam expandir o tempo de estudo”, explicou Bruna.

Ela acrescentou que, nesse tempo, os estudantes podem navegar em conteúdos do centro de mídias, de plataformas parceiras e criar projetos de seu interesse, acrescenta. “Esses estudantes estarão organizados em grupos de 8 a 12 alunos e serão acompanhados por um professor. Isso permite que o professor customize a experiência e foque no que os estudantes mais precisam. Ao longo do semestre, eles vão realizar projetos e, cumpridas todas as etapas, vão receber R$ 300 para para tirar os projetos do papel na sua unidade escolar.”

O investimento é de R$ 45 milhões na aquisição de 500 mil chips de 3GB (gigabytes) de internet por mês que estão sendo distribuídos para esses estudantes, disse a coordenadora do centro de mídias.

Com Agência Brasil

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