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Condomínios comerciais modernos têm prédios vazios na capital

Estudo de consultoria imobiliária mostra que a quantidade de salas comerciais desocupadas chega a 30%, recorde nos últimos quinze anos

Por Mariana Gonzalez - Atualizado em 29 dez 2016, 15h40 - Publicado em 29 dez 2016, 15h37

Lançado em novembro de 2014, o condomínio São Paulo Headquarters, na Marginal Pinheiros, em Interlagos, é um dos mais modernos do país. Fruto de um investimento de mais de 100 milhões de reais, bancado pela incorporadora Fibra Experts, o endereço dispõe de quatro torres que podem abrigar aproximadamente 100 escritórios — com aluguéis de 110 000 reais por mês para um ambiente de 1 000 metros quadrados —, além de um shopping no térreo, incluindo praça de alimentação. No terreno há ainda amplos jardins e 2 300 vagas de estacionamento.

Até agora, no entanto, apenas um único espaço foi alugado. Trata-se da filial da empresa petroquímica mexicana Mexichem. Ela ocupa, com seus 115 funcionários, o segundo dos doze andares de um dos espigões. Das 25 lojas disponíveis para locação no térreo, apenas cinco estão abertas. “Não esperávamos trabalhar sozinhos em um lugar desse porte”, comenta a diretora de RH da companhia, Adriana Garcia. “Por um lado, é legal tanto espaço só para a gente. Por outro, faltam serviços, como restaurantes.”

Adriana Garcia, da Mexichem: a única empresa do complexo (Foto: Leo Martins)
Adriana Garcia, da Mexichem: a única empresa do complexo (Foto: Leo Martins)

O São Paulo Headquarters é um dos cerca de dez complexos corporativos de alto padrão inaugurados na cidade nos últimos dois anos que estão com menos de 7% de ocupação. Nesses lugares, os aluguéis custam entre 70 000 e 200 000 reais por mês. Alguns permaneciam completamente vazios em dezembro, caso do Jacarandá, edifício espelhado de seis andares entregue em 2015 na Berrini, e do Atlas Office Park, conjunto de quatro prédios lançado em 2016 na Vila Leopoldina, na Zona Oeste. Além deles, dezenas de condomínios comerciais espalhados por toda a capital estão com andares inteiros desocupados.

Um estudo da Buildings Pesquisa Imobiliária, renomada empresa da área, quantificou o fenômeno. Em 2016, a taxa de vacância, índice dos espaços imobiliários vagos e disponíveis para locação, atingiu o maior porcentual em toda a cidade desde 2002: 30%. As regiões mais atingidas são as imediações da Marginal Pinheiros.

Especialistas do setor acreditam que isso se deve ao excedente de lançamentos corporativos. São edifícios que começaram a ser construídos entre 2012 e 2013, quando o mercado estava superaquecido, com uma procura maior do que a oferta de espaços disponíveis. Para se ter uma ideia, naquela época, a taxa de vacância era de apenas 12%. Esses empreendimentos, no entanto, só foram entregues nos últimos dois anos. Com a crise econômica, a quantidade de interessados já havia despencado, tanto para compra como para locação. “Em consequência disso, começaram a sobrar lugares vagos”, diz Paulo Casoni, diretor de outra consultoria, a JLL Pesquisa Imobiliária.

Para tentar driblar a situação e garantir os negócios, algumas companhias passaram a bancar obras de finalização, instalando pisos e aquecedores sem cobrar nada. A “cortesia” chega a 1 500 reais por metro quadrado. No caso dos aluguéis, há abatimento de até 40% na mensalidade. Na visão de consultores, esse cenário deve perdurar pelos próximos sete anos. “Há ainda vários empreendimentos com entrega prevista para esse período”, calcula Fernando Didziakas, diretor de negócios da Buildings. “Considerando o quadro recessivo atual, será difícil preencher todos eles em um espaço curto de tempo.”

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Os cinco campeões de vagas

Os edifícios novos que estavam totalmente desocupados em dezembro

Atlas Office Park. Inaugurado em 2016 na Vila Leopoldina, dispõe de quatro prédios. Valor do aluguel: 65 reais o metro quadrado

Jacarandá. Na Berrini desde 2015, conta com seis andares e fachada espelhada. Valor do aluguel: 120 reais o metro quadrado

Olímpia Business Tower. Aberto na Vila Olímpia em 2014, tem 22 andares e 591 vagas na garagem. Valor do aluguel: 120 reais o metro quadrado

Parque da Cidade — Torre Sucupira. O prédio, na Marginal Pinheiros, começou a funcionar em 2015. Valor do aluguel: 110 reais o metro quadrado

São Paulo Corporate Towers — Torre Sul. O edifício de trinta andares foi entregue em 2016 na Juscelino Kubitschek. Valor do aluguel: 110 reais o metro quadrado

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