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Dez curiosidades da Passagem Literária da Consolação

Túnel fica sob a rua da Consolação e liga as calçadas do cinema Belas Artes e do Riviera Bar

Por Guilherme Queiroz - Atualizado em 19 jul 2019, 17h24 - Publicado em 19 jul 2019, 06h00

Na Passagem Literária da Consolação, túnel que fica sob a rua da Consolação e liga as calçadas do cinema Belas Artes e do Riviera Bar, há exposições variadas e um sebo de livros. Inaugurado nos anos 70, desde 2005 o local é gerido pela Associação Via Libris, entidade de livreiros que atuavam na Rua Augusta e foram convidados pela prefeitura a tomar conta do espaço. Eles mantêm a programação cultural, a limpeza do ambiente e o sebo. “Antes as pessoas tinham medo de passar aqui”, diz a representante da associação, Odete Carvalho. Confira dez curiosidades sobre o lugar.

1. Com agenda disputada, a passagem recebe até doze exposições por ano. A concorrência é grande: a programação de 2020 já está quase cheia. Os custos de cada mostra ficam por conta do artista.

Cartaz autografado do filme Perdidos em Paris Ricardo D'Angelo/Veja SP

2. Em 2017, o filme francês Perdidos em Paris ganhou um vídeo de divulgação na capital. Os atores do longa repetiram cenas da produção no espaço. Um cartaz autografado do filme restou ali como lembrança do episódio.

3. O local é palco de apresentações de trabalhos de conclusão de curso e de bancas de defesa de tese. Alunos do Centro Universitário Belas Artes e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP já expuseram lá.

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4. Os livreiros recebem vários tipos de leitor. O endereço é frequentado até por moradores de rua da região. “Um deles vem todo mês, compra pelo menos três livros e não aceita doação”, explica Odete.

5. No último sábado do mês, a passagem transforma- se em um cinema. Alunos de escolas públicas da cidade são convidados a exibir projetos de curtas-metragens no espaço. É o evento Quarta Pessoa do Singular.

6. Administrado pela Via Libris, o local enfrentou turbulências entre membros do conselho da associação. Houve quem roubasse livros de bibliotecas para revender e quem surrupiasse dinheiro dos colegas.

Com três opções de entrada, na calçada do cinema Belas Artes, ao lado do Riviera Bar ou no canteiro central Ricardo D'Angelo/Veja SP

7. Os livreiros são surpreendidos por transeuntes que pedem conselhos emocionais. “Na semana passada apareceu um rapaz chorando porque perdera o emprego.” Mas demissões não são os únicos casos. “Alguns divorciados pedem livros para superar o término”, conta Odete.

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8. Na entrada do túnel existem cartazes com o rosto de personalidades influentes, como os escritores Ferreira Gullar e Hilda Hilst e o pastor e ativista Martin Luther King.

9. Consultar a programação é tarefa presencial. Em um quadro-negro, são divulgadas as atrações da semana. “Tentamos administrar uma página no Facebook, mas ela não ficou atualizada”, diz Odete.

Grafites de artistas como Cranio, Titi Freak e Mundano Ricardo D'Angelo/Veja SP

10. Os grafites que enfeitam as entradas do local são assinados por referências da área. Entre os nomes que colaboraram com a decoração, constam artistas como Cranio, Titi Freak e Mundano.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 24 de julho de 2019, edição nº 2644.

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