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Covid-19: mortes se concentram nas áreas pobres de São Paulo

Mapas mostram que número de vítimas está ligado à presença de favelas, e não à quantidade de casos confirmados ou de idosos

Por Pedro Carvalho - Atualizado em 18 Apr 2020, 21h34 - Publicado em 18 Apr 2020, 17h53

Os bairros de São Paulo que têm mais mortes por Covid-19 não são aqueles com mais casos da doença, nem os que possuem maior número de idosos: são os mais pobres. A conclusão é resultado da comparação entre os dados da prefeitura sobre o novo coronavírus e os mapas da desigualdade da Rede Nossa São Paulo.

Na imagem acima, o mapa dos distritos com mais favelas entre o total de domicílios (à esquerda) mostra correlação com a distribuição das vítimas da doença (à direita). Em ambos, a cor mais intensa indica uma proporção maior (de favelas ou óbitos) nas diferentes regiões.

“A principal concentração de UTIs está no centro da cidade. Além disso, quem usa a saúde privada tem 5,8 mais leitos de hospitais por habitante do que aqueles que dependem do SUS”, diz Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo. “Fatores como renda e saneamento também explicam a correlação entre os mapas”, afirma.

O distrito paulistano com maior número de mortes é a Brasilândia, na Zona Norte, com 54 vítimas, segundo dados divulgados pela prefeitura na sexta-feira (17). Em seguida vem Sapopemba, na Zona Leste, com 51. Outros que encabeçam a lista são Cidade Tiradentes (37) e São Mateus (41), ambos na Zona Leste. Os dados foram mostrados pela Vejinha ontem (17), em reportagem de Guilherme Queiroz.

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Essas informações sobre as vítimas fatais, no entanto, são discrepantes do mapa que mostra os casos confirmados da doença. Os distritos com mais moradores contaminados são o Morumbi (297), o Jardim Paulista (200) e a Vila Mariana (207). Os dados são da prefeitura (veja abaixo).

Número de casos confirmados até 17 de abril Prefeitura de SP/Divulgação

“É preocupante notar que no mapa de casos [acima] as regiões mais periféricas estão ‘escurecendo’. Nas próximas semanas, a tendência é que isso se intensifique, enquanto as áreas centrais devem ‘clarear'”, afirma Abrahão.

O número de vítimas fatais, até agora, também não está relacionado à presença de moradores mais velhos no bairro. Em março, a repórter Tatiane Assis, da Vejinha, mostrou  quais são os distritos com o maior número de idosos da capital paulista. Em números absolutos, a liderança é do Sacomã, com 29 200 moradores de 60 anos ou mais. Em termos percentuais, a lista tem como destaque o Alto de Pinheiros (23% nessa faixa de idade), o Jardim Paulista (22,2%) e a Lapa (22,2%), todos na Zona Oeste.

A Rede Nossa São Paulo começa a fazer, na próxima semana, uma pesquisa sobre as percepções da população a respeito do coronavírus. O levantamento será realizado em parceria com o Ibope.

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