Avatar do usuário logado
Usuário

Terapia constelação familiar se espalha como forma de investigar a mente

A ferramenta de autoconhecimento que foi organizada nos anos 70 passou a ser aplicada em empresas e também em questões jurídicas

Por Juliene Moretti Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 ago 2019, 06h00 | Atualizado em 23 ago 2019, 15h33
Ronaldo Cavichioli
Cavichioli: ajuda para repensar a organização da empresa da família (Alexandre Battibugli/Veja SP)
Continua após publicidade

Organizada no fim dos anos 70 pelo ex-missionário alemão Bert Hellinger, a terapia que ficou conhecida como constelação familiar sistêmica está em ascensão no campo das técnicas de autoconhecimento. A proposta é ajudar a solucionar problemas inconscientes (e economizar algumas tantas sessões de terapia). “Hellinger explica que uma situação pode se repetir por gerações, sem que os descendentes saibam os motivos”, diz a psicoterapeuta Fátima Corga, do Instituto Luz, que estuda o método há oito anos. Nas dinâmicas, a pessoa que está sendo constelada (ou seja, quem apresenta o problema inicial e arca com o pagamento da sessão, que custa a partir de 400 reais) explica uma situação. Pessoas ou objetos são usados para representar os envolvidos naquele cenário, desde pais e avós até parentes mortos. De longe, parece teatro, mas sem diálogos. O terapeuta pergunta o que cada um está sentindo e todos compartilham. “Diferentemente do psicodrama, os participantes sabem pouco sobre o assunto”, explica Fátima.

Irene Cardotti
Irene Cardotti, terapeuta: alívio para todos (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Advogada e consteladora há dez anos, Cristina Vasconcellos afirma que o processo de elucidar os emaranhados mentais começa pela sistematização do problema. “Identificar os integrantes do sistema, seu pertencimento e equilíbrio é o primeiro passo para enxergar uma solução”, diz ela. Para acompanhar a sessão, também é preciso pagar uma taxa. Cada um que recebe um papel costuma relatar emoções como tristeza, raiva e felicidade. Cabe ao facilitador apontar os padrões de comportamento a partir das reações de todos. Psicóloga há 39 anos, Irene Cardotti participou do primeiro curso de Hellinger no país, em 1999, e faz questão de explicitar que o processo não é racionalizado: “Quando as pessoas se abrem, entram em sintonia, sem saber como”.

Janaína Camacho – Constelação Familiar
Janaína Camacho, que lidou com a compulsão alimentar (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Quem já testou a alternativa é só elogios. A estudante de nutrição Janaína Camacho, de 34 anos, sofria desde pequena com transtornos alimentares. Fez o processo da constelação com bonecos, em vez de participar do grupo. “Descobri que a compulsão começou quando meus pais se separaram e estava ligada à mágoa que eu sentia”, diz Janaína. No caso de Ronaldo Cavichioli, a terapia auxiliou no luto pela morte da mulher, Betty, e na definição do que fazer com o negócio familiar que tocavam juntos. No Instituto Luz, Cavichioli e suas filhas, que também estavam à frente da confecção de roupas, entraram na dinâmica. “Foi curioso porque uma das representantes agia de forma questionadora, igual a uma das meninas”, diz o empresário. No fim, aliviados, os três retomaram a empresa com funções reorganizadas.

Continua após a publicidade

O uso dessas dinâmicas no universo corporativo também cresceu. “A constelação serve para analisar os departamentos e o mercado, por exemplo”, explica José Luiz Weiss, sócio da consultoria Corall. Na GE, foi usada para desenhar um novo processo de avaliação de funcionários. “Descobrimos a ansiedade dentro da mudança e elaboramos elementos para ajudar”, justifica Weiss.

O sistema judiciário também aderiu. No Fórum Regional de Santo Amaro, rolam desde o ano passado encontros mensais com quem passa por disputas. A participação, gratuita, não é obrigatória e o que é discutido ali não é usado como prova. “A ideia é que pelo menos uma das partes olhe a situação de forma diferente”, diz a juíza Claudia Spagnuolo, da 11ª Vara de Família. Depois das reuniões, ela relata maior facilidade em fechar acordos. O juiz Paulo Fadigas, da Vara da Infância e Juventude, abriu espaço para a metodologia. “Para cuidar de uma criança acolhida pelo Estado, é importante que os responsáveis estejam bem emocionalmente, e a constelação ajuda”, afirma Fadigas.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 28 de agosto de 2019, edição nº 2649.

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês