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Cartas sobre a edição 2211

Por Da Redação Atualizado em 5 dez 2016, 18h11 - Publicado em 9 abr 2011, 00h50


Trânsito

Veementes congratulações pelas diversas reportagens (“Só perdemos com ele”, 6 de abril) em que finalmente nós, cidadãos, podemos ver exposta a vergonhosa situação em que se encontra esta megalópole — ainda mais quando se percebe que falta tanta coisa, com destaque para o planejamento e a execução de obras e para uma fiscalização do trânsito mais condizente. E que, enquanto isso, o prefeito Kassab se ocupa com a parte puramente política de sua vida, como se bastasse “ser prefeito” para cacifar seu futuro perante os eleitores.

MARCO AURÉLIO FERNANDES

As autoridades que inventam o rodízio de veículos, atapetam as vias de radares, criam corredores disso e daquilo são as mesmas que permitem o adensamento demográfico e o crescimento irracional e desordenado da cidade. Ou São Paulo para de crescer ou nunca haverá recursos suficientes para investimentos em infraestrutura a fim de minimizar o sofrimento que é viver na cidade. Ou seja, São Paulo não tem excesso de veículos, tem excesso de gente.

RENATO LUIZ MUSSO

A reportagem mostra uma discussão aprofundada acerca de um dos problemas mais complexos do mundo moderno: os sistemas de transportes. Na minha avaliação, esse trabalho jornalístico de fôlego é um dos caminhos para termos uma sociedade mais atuante, que faz a sua parte, contribuindo para minimizar os problemas sociais e cobrando ações das administrações públicas, em todos os níveis.

MARCELO CARDINALE BRANCO Secretário Municipal de Transportes

As soluções apontadas por especialistas esbarram em diversos problemas que acabam atrapalhando ou inviabilizando a implantação de tais medidas. Primeiramente, a falta de educação das pessoas. Outro fator que dificulta é a Justiça, lenta e burocrática — os processos de desapropriação para que se implantem novos corredores de ônibus e linhas de metrô acabam delongando demasiadamente a adoção dessas medidas. Outro ponto — que acredito ser o mais grave — é a corrupção deslavada, que desvia milhões destinados a melhorias do sistema de transportes.

ALEXANDRE WITTBOLDT

O trânsito da cidade de São Paulo está travado. Não é brincadeira. É piada. Chega-se mais rápido a muitos lugares caminhando do que indo de carro. Mas parece que está tudo bem, pois os cidadãos estão calados.

IZABEL AVALLONE

Se a cidade com a maior arrecadação de impostos do país é administrada dessa forma por nossos governantes há anos, posso imaginar como estão as demais. Um viva para a Copa do Mundo! Um viva para a Olimpíada! Um viva para os quilômetros de metrô entregues ano a ano! Um viva para a nossa falta de civismo!

CESAR MEDEIROS

Brincadeira é ser multada no mesmo lugar três vezes (na Rua Prestes Maia, 800, depois da Estação da Luz) por estar a 68 quilômetros por hora. Quando conseguimos sair dos congestionamentos, somos pegos pelos “radares-cassino” até em velocidade de tartaruga.

RENATA ZWEI

Enquanto não houver uma regra clara para a organização imobiliária da cidade, isenta de interesses das construtoras, de nada adiantarão as medidas propostas, que serão paliativas. A cada novo edifício erguido, há um maior adensamento da população e de carros, obviamente. Devemos cobrar de nossos vereadores e de nosso prefeito um novo plano diretor, ou conviveremos cada vez mais com trânsito infindável, falta de água e de tratamento de esgoto, violência, falta de leitos hospitalares…

ARTUR YOSHIO ANDO

Resolvi escrever instigado pelas últimas matérias (excelentes!) e pela minha indignação diante da incompetência com que esta cidade é administrada. Um sensacional exemplo de gestão urbana: pela manhã, trafego a 3 quilômetros por hora na Avenida Giovanni Gronchi, entre as ruas Charles Spencer Chaplin e Santo Américo.

JORGE DIB

Quando a inspeção veicular ambiental foi criada, havia o intuito de controlar a emissão de gases dos veículos e, consequentemente, tirar de circulação aqueles que não tinham condições mínimas de uso, contribuindo assim para a melhora na fluidez do trânsito. Pois bem. Passados mais de dois anos do início da inspeção veicular, vejo diariamente, sobre tudo na Zona Leste, carros, motos, caminhões e inclusive veículos oficiais sem o selo da inspeção ambiental, que é obrigatório e identifica os veículos que já passaram pela inspeção. Diante disso, pergunto: não existe fiscalização ou a inspeção veicular é mais um imposto criado pensando só na arrecadação?

RENATO GUALDA

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Após 29 anos de vida paulistana, nos quais pude experimentar tanto os pontos positivos quanto os negativos da cidade, percebi que a cada ano que passa as deficiências crescem em progressão geométrica. Nos últimos dois anos, o trânsito vem tomando um tempo muito precioso de nossa vida: perdemos um mês inteiro por ano parados em congestionamentos. Isso é inconcebível.

RODRIGO OLIVEIRA

Tem de ter peito e coragem para tomar medidas que melhorem o transporte público. Também é preciso ter peito para taxar o cidadão por meio de medidas impopulares e mais duras. A administração municipal não pode continuar dessa forma. Homens públicos deveriam andar de ônibus de vez em quando para sentir o que temos de passar e assim melhorar o serviço.

ANA CAROLINA SALEM VANOSSI

Parabéns pela detalhada reportagem. A facilidade hoje de as pessoas adquirirem um carro pagando a perder de vista e o número absurdamente excessivo de gente em São Paulo pioram tudo. A cidade não é elástica.

MARLENE DUARTE PEREIRA

Só há uma solução: descentralização urgente, com empresas e serviços expandindo seus negócios para a periferia e somente contratando funcionários que residam próximo ao local de trabalho. Fim aos “turistas” de todos os dias, que ficam em média duas horas no trânsito, na ida, para ir trabalhar, e mais duas, na volta para casa.

ARCANGELO SFORCIN

O problema só será resolvido quando as pessoas se derem conta de que a maior parte das atividades profissionais desenvolvidas em escritórios poderia ser feita em sua própria casa. Já existem os recursos e a tecnologia para isso. Estimular a implantação de home offices ajudaria a aliviar o trânsito, pois uma pessoa que passa o dia sentada diante de um computador não precisa se deslocar 50 quilômetros para isso, por exemplo.

RODRIGO AMARAL

Bastante oportuna a reportagem. Uma pena a prefeitura não seguir o pensamento do citado professor Diógenes Costa, da Unicamp, que preconiza a criação de mais corredores de ônibus, sem cruzamento e com plataformas para embarque e desembarque.

MARIA H. MERCER

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