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“Onde estavam quando eu debochava da Dilma?”, diz humorista após polêmica

Famoso por imitar ex-presidente, Gustavo Mendes bateu boca com parte da plateia durante show em Minas Gerais após criticar Jair Bolsonaro em uma piada

Por Redação VEJA São Paulo - Atualizado em 1 Sep 2019, 11h57 - Publicado em 1 Sep 2019, 11h37

Famoso por imitar a ex-presidente Dilma Rousseff, o humorista Gustavo Mendes postou no sábado (31) um vídeo nas redes sociais para se defender dos ataques recebeu durante um show no interior de Minas Gerais em que criticou o presidente Jair Bolsonaro.

Durante a apresentação em Teófilo Otoni, na sexta-feira, Mendes discutiu com parte da plateia e convidou o público para que se retirasse após ele ter feito piadas com o presidente.

“Onde estavam quando eu debochada da Dilma?”, questiona o humorista na gravação feita para se retratar sobre o que aconteceu.

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É possível que você já tenha sabido o que aconteceu durante o meu show em Teófilo Otoni.Parte da plateia, insatisfeita com as piadas sobre Bolsonaro se sentiu no direito de dizer o que eu posso ou não posso falar nos meus shows. E Isso nunca, amiguinhos, nunca vai acontecer, porque isso se chama censura e eu não vou aceitar essa tentativa de intimidação. Principalmente vindo de pessoas que se articularam para isso.O problema daquelas pessoas não eram as piadas políticas.Ora, eu sou Gustavo Mendes. Minha trajetória sempre foi de assumir posições com força e transparência, mesmo sabendo que isso incomodava muita gente. O Humor é sempre OPOSIÇÃO.Esse é o papel do artista e principalmente o do comediante: incomodar os poderosos.Onde estavam essas pessoas quando eu debochava da Dilma? Debochava do Temer?Eu amo meu público, mesmo aqueles que votaram no Bolsonaro, mas não vou me calar diante do que está acontecendo hoje no Brasil: os milhões de desempregados continuam sem ver nenhuma medida que lhes dê esperança; nossa maior riqueza – a Amazônia – sendo devastada e um governo que incentiva o desmatamento; a promessa de acabar com a corrupção e um governo que tem seus corruptos de estimação; milhões passando fome e um governo que nega a existência da miséria. Quem não está cumprindo o que prometeu não sou eu. Onde está o Brasil melhor que foi prometido? Violência, corrupção, desemprego, nepotismo; tudo continua e piora porque o presidente está sempre mais ocupado em causar polêmica que governar.As pesquisas mostram que os que consideram seu governo ruim ou péssimo já são 40%. Amigos, não sou eu que invento esses números, nem sou eu que faz o povo deixar de gostar desse governo. O pior inimigo do Bolsonaro é ele mesmo. E os que apoiam os erros dele.Isso que aconteceu contra mim, infelizmente não é um privilégio meu. É uma nova onda de intimidação à liberdade de expressão: Roger Waters do Pink Floyd e Cateano foram vaiados; Miriam Leitão foi impedida de lançar seu livro numa Feira; Gleen – que denunciou a vaza jato – sofreu foguetaço em Parati; professores são filmados por alunos que se acham no direito de ser uma patrulha ideológica; e por aí vai.Você pode não gostar das minhas posições, mas não se deixe ceder à tentação do autoritarismo.Um Brasil melhor só vai ser construindo num ambiente de tolerância e respeito. Exterminar a ideia contrária só cria a falsa sensação de uma unanimidade burra.Nenhuma piada ou crítica pode justificar a censura à liberdade de expressão.Seguirei firme sendo o Gustavo Mendes que sempre fui. Sei que pago um preço por isso, mas ao mesmo tempo tenho um lucro imenso. Do amor sincero dos que admiram meu trabalho mesmo eventualmente discordando das minhas opiniões; e principalmente, da consciência tranquila de que estou do lado certo da história.Um beijo cheio de amor a todos.

Posted by Gustavo Mendes on Saturday, August 31, 2019

No vídeo, Mendes afirma que houve tentativa de censura em seu show. “Humor é sempre oposição. Esse é o papel do artista: incomodar os poderoso”, afirmou.

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No Instagram, o humorista também gravou vídeos para falar do assunto. Em um deles, disse que botou parte da plateia para correr “porque fascista não tem lugar” em suas apresentações. “O problema deles era o fascismo e o autoritarismo e achar que podiam calar um artista que sempre fez questão de ter voz”, disse.

Em entrevista ao UOL, Mendes revelou diz que algumas pessoas cercaram o carro dele e tentaram agredi-lo após a confusão no show em Minas Gerais.

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