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Poder SP - Por Sérgio Quintella

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Sérgio Quintella é repórter de cidades e trabalha na Vejinha desde 2015

Laudo aponta que atirador do MorumbiShopping pode deixar a cadeia

Mateus da Costa Meira matou três pessoas em 1999; apesar do relatório, Justiça manteve o condenado preso

Por Sérgio Quintella Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 set 2019, 12h54 | Atualizado em 4 jul 2026, 11h36
Mateus da Costa Meira
Mateus da Costa Meira (Fernando Pereira/Veja SP)
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Laudo aponta que atirador do MorumbiShopping pode deixar a cadeia Priorizar nos meus resultados Google

Quase vinte anos depois de matar três pessoas e ferir outras quatro no cinema do MorumbiShopping, em São Paulo, o ex-estudante de medicina Mateus da Costa Meira, hoje com 44 anos e cumprindo pena na Bahia, foi submetido recentemente a um exame chamado de verificação de cessação de periculosidade, que lhe foi favorável.

Segundo o laudo, o condenado a mais de 120 anos de cadeia (depois, a sanção foi reduzida para 48 anos) “encontra-se compensado, funcional, sem qualquer alteração de comportamento que indique periculosidade”, sendo considerado apto à desinternação. A medida, no entanto, não é automática e foi vetada pela Justiça a pedido do Ministério Público.

Além de solicitar uma nova rodada de exames, os promotores juntaram na ação um parecer do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos, segundo o qual “a saída imediata de Matheus, sem um processo gradual de desligamento, que inclua saídas temporárias com devidos planejamento e acompanhamento, pode ter consequências graves para si, para sua família e para a sociedade”.

Outro ponto que pesou para a determinação da juíza Maria do Socorro Santa Rosa de Carvalho Habib, da Vara de Execuções Penais da Bahia, é que o próprio pai do condenado, Deolino Vanderlei Meira, verbaliza essa preocupação nos documentos apresentados ao Judiciário.

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Os crimes e a pena

Na noite de 3 de novembro de 1999, Meira entrou com uma submetralhadora 9 milímetros em uma sala de cinema do MorumbiShopping e disparou a esmo contra a plateia que assistia ao filme Clube da Luta. Antes, acompanhou a exibição por cerca de quinze minutos.

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Preso em flagrante, foi condenado em 2004 e ficou em São Paulo até 2009, quando conseguiu autorização para cumprir pena na Bahia, seu estado natal. Primeiro levado à Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, foi transferido para o Hospital de Custódia e Tratamento (HCT), na mesma cidade, após esfaquear um colega de cela. O motivo alegado foi que o volume da TV à qual a vítima assistia estava muito alto.

Meira foi absolvido do crime de tentativa de homicídio, mas com a condição de que ficasse internado, por tempo indeterminado, em um centro psiquiátrico, onde está até hoje.

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Troca de cartas com travesti

Dois anos depois dos assassinatos, Mateus da Costa Meira passou a trocar cartas com uma travesti chamada Alcione, a qual havia conhecido semanas antes do crime. Nos documentos, que se tornaram públicos na época, o condenado manipulava a amiga, pedindo-lhe dinheiro e mantimentos. Desenhava corações, bonecos e casinhas. No fim, Alcione, que suspendeu o contato com o assassino, diz ter gasto mais de 20 000 reais com os pedidos de Meira.

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