Mara Gabrilli, por uma São Paulo acessível

Cadeirante desde 1994, quando sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica, a deputada federal Mara Gabrilli já passou por diversas saias justas para conseguir se locomover na cidade. Uma das situações mais embaraçosas pelas quais passou foi quando sua cadeira entalou na entrada do restaurante Ritz do Itaim Bibi, então recém-inaugurado, do seu amigo o […]

A deputada federal Mara Gabrilli (Foto: Fernando Moraes)

Cadeirante desde 1994, quando sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica, a deputada federal Mara Gabrilli já passou por diversas saias justas para conseguir se locomover na cidade. Uma das situações mais embaraçosas pelas quais passou foi quando sua cadeira entalou na entrada do restaurante Ritz do Itaim Bibi, então recém-inaugurado, do seu amigo o restauranteur Sergio Kalil (leia entrevista abaixo).

Na próxima segunda (26), Mara participará do evento “Espaços Urbanos e Acessibilidade”, promovido pela Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas do Estado de SP (Abea) em parceria com a Construtora e Incorporadora Pedra Forte Brasil e o Crea SP (Conselho Regional de Arquitetos e Engenheiros. Ela e o deputado federal Walter Feldman discutirão problemas e apontarão soluções para tornar as cidades mais acessíveis a todos. O evento acontece às 19h no auditório do centro técnico cultural do Crea, na Avenida Angélica 2364, Consolação (estacionamento no local).

Psicóloga e publicitária de formação, Mara foi eleita vereadora por duas vezes e foi a primeira titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. Em conversa com o blog, ela contou um pouco sobre o que pode ser feito para tornar a cidade mais amigável a todos os seus moradores.

O que é possível fazer em São Paulo para as pessoas se locomoverem com mais facilidade?
A primeira coisa é cuidar das nossas calçadas. Apresentei um projeto de lei que propõe que as calçadas passem a ser de responsabilidade do poder público, não do munícipe como é hoje. Só no Brasil os moradores é que cuidam das calçadas, o que é um absurdo, porque cada um faz como quer, sem padronização nem manutenção adequada. Em Miami, por exemplo, em que o governo cuida das calçadas, se alguma delas for danificada pela manhã, à tarde já estará consertada. Em São Paulo, temos 30 000 quilômetros de calçadas, a maior parte delas intransitável por uma cadeira de rodas.

De que forma engenheiros e arquitetos podem contribuir com a acessibilidade?
Seguindo algo que está sendo muito discutido no mundo todo, que é o desenho universal. Ou seja, projetar e construir espaços que possam ser usados por qualquer pessoa, seja jovem, idosa, deficiente ou não. Uma casa em que se você quebrar o pé, por exemplo, não enfrentará nenhuma dificuldade extra. E poderá continuar morando ali numa boa quando ficar idoso. É criar um banheiro em que uma cadeira de rodas tenha espaço para fazer o giro, corredores com largura suficiente, pequenas rampas em vez de degraus etc. Na verdade oferecer acessibilidade é uma obrigação, embora muita gente ache que não.

Por que projetos acessíveis não são o padrão nas obras?
Há muito preconceito. Existe um senso comum de que se o projeto for acessível, será feio, o que é uma grande bobagem. Claro que é possível criar um lindo design de interior que possa ser frequentado por todos. Há também uma idéia errada de que ambientes acessíveis são mais caros de serem projetados e construídos. O custo é apenas 1% maior, ou seja, nada. E o ganho é imensurável. Não é só uma questão de responsabilidade social, mas de marketing também. É preciso acordar para isso.

Você já passou alguma saia justa em São Paulo por conta de lugares sem acessibilidade?
Sim, muitas vezes. Eu frequentava e frequento muito o Spot, do restauranteur Sergio Kalil. Quando ele inaugurou o Ritz no Itaim Bibi, em 2000, convidou o Marcelo Rubens Paiva (escritor e também cadeirante) e eu para testarmos a acessibilidade do local. Quando chegamos, não conseguimos passar pela porta! Por uma questão de milímetros, a cadeira entalava. O Kalil ficou super chateado, porque a preocupação dele era oferecer um lugar acessível. Essa história mostra como as coisas não são fáceis, mesmo quando a intenção é a melhor possível. Claro que depois ele fez uma pequena reforma e ficou tudo bem. O restaurante Varanda Grill, do chef Sylvio Lazzarini também teve uma história semelhante. Eu disse a ele que adorava ir lá, mas achava um pouco difícil me locomover lá dentro. O Sylvio reformou tudo. Fiquei muito comovida.

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s