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Memória Por Blog Uma viagem no tempo às décadas passadas por meio de suas histórias, costumes e curiosidades.

Rio-São Paulo pelos trilhos: conheça a história do Trem de Prata

Criado com o nome de Santa Cruz e rebatizado como Trem de Prata, o ramal fez história com charme na rota entre as duas maiores cidades do país

Por Maurício Xavier 22 fev 2019, 06h00

Há pouco mais de vinte anos, um elegante trem cumpriu sua última viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro. A história da rota noturna sobre trilhos entre as duas maiores cidades do Brasil remonta a 1949, quando uma composição desembarcou no Brasil, vinda dos Estados Unidos, e ganhou o nome de Santa Cruz. Na época, ela partia da Estação Roosevelt, ou da Luz, no centro de São Paulo, em direção à Estação Dom Pedro II, mais conhecida como Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Tratava-se de uma opção sofisticada que, com o passar das décadas, ficou cara demais.

A linha pública foi interrompida pela primeira vez em 1991 e, no mesmo ano, um consórcio privado venceu uma concorrência para explorá-la em formato de concessão por dez anos. Reformado, e rebatizado como Trem de Prata, voltou a circular em 1994 com partidas semanais, nessa fase entre as estações Barra Funda, em São Paulo, e Barão de Mauá, também chamada de Leopoldina, no Rio de Janeiro. Uma segunda composição começou a rodar no ano seguinte, o que tornou a periodicidade diária.

Vagão-restaurante do Expresso Santa Cruz, conhecido como Trem de Prata ROBERTO LOFFEL/Divulgação

O trem contava com um um carro-bar, um carro-restaurante, dois vagões de bagagem e quatro de dormitórios — dotados de quarenta cabines duplas ocupadas por oitenta passageiros e atendidas por 24 tripulantes. A uma velocidade de 60 quilômetros por hora, a viagem ferroviária durava nove horas e meia pelos 516 quilômetros de trilhos — partia às 20h30 e chegava ao Rio às 6 da manhã.

Cabine Dupla do Expresso Santa Cruz, em 1996 ROBERTO LOFFEL/Divulgação

Poucos anos depois, no entanto, a rota passou a sofrer com atrasos frequentes e a concorrência do avião. Nesse período, o bilhete do trem custava até 120 reais (com direito a um café da manhã), o dobro da média da ponte aérea. Em seus últimos tempos, houve ocasiões em que o Trem de Prata realizou o percurso Rio-São Paulo com menos de dez passageiros em seus vagões. A derradeira viagem ocorreu em 29 de novembro de 1998.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 27 de fevereiro de 2019, edição nº 2623.

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