TeleCatch, o MMA das antigas

A luta de mentira que parecia de verdade (mas não muito)

Tudo bem, a essa hora você deve estar me xingando por fazer essa comparação de Telecatch com MMA. Mas a analogia foi feita só pra dar uma dimensão do quanto eram populares essas lutas nos anos 60, 70 e 80. O Telecatch é a luta livre coreografada, muito mais um espetáculo de teatro e circo do que propriamente uma luta de verdade. Era feita pra entreter os espectadores, que elegiam seus lutadores preferidos e torciam por eles com todas as forças, e ainda faziam com que todos odiassem os vilões, aqueles lutadores que eram idealizados pra serem do mal, que trapaceavam e batiam desonestamente nos pobres lutadores do bem, que eram vistos como super-heróis pelos fãs.

As lutas livres televisionadas surgiram nos anos 60, na extinta TV Excelsior, e se propunham a exibir os espetáculos de luta itinerante que viajavam com os circos. Foi um verdadeiro nocaute! As lutas viraram mania, e, aos domingos, durante a transmissão, a cidade inteira parava como se fosse um jogo de Copa do Mundo. Nos anos seguintes, a transmissão do Telecatch foi disputadíssima entre as principais emissoras da época. Entre os anos 60 e  80, as lutas foram exibidas na Gazeta, Record, Bandeirantes e até Globo. Algumas vezes, havia transmissão de lutas por dois canais ao mesmo tempo, numa disputa round a round pela audiência. Telecatch, Os Reis do Ringue, Gigantes do Ringue, Mestres do Ringue, os nomes dos programas variavam, mas a essência era a mesma.

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Todo mundo, ou quase, sabia que as lutas eram encenadas, assim como toda a armação que os lutadores aprontavam no ringue, como bater no juiz e xingar o público. Mas todo mundo adorava assim mesmo. Muitos deles usavam máscaras ou uma vestimenta chamativa, caracterizando ainda mais o conceito de espetáculo circense. Os lutadores desempenhavam seus papéis, mas davam e levavam socos de verdade. O importante para um lutador de Telecatch é saber como apanhar e até onde bater. O sangue escorrendo das inúmeras pancadas que eles levavam era de verdade, assim como a rivalidade entre alguns lutadores, mas a luta nunca deixava de ser apenas um show.

Os lutadores mais importantes dessa era, tanto os “do bem” quanto os “do mal” ganharam muito dinheiro com suas performances. Muitos deles viveram, e alguns vivem até hoje, com o fruto do seu trabalho. Um dos mais conhecidos de todos os tempos, Michel Serdan, ainda procura patrocínio para voltar a televisionar as lutas.

Relembre algumas dessas lendas dos ringues:

Ted Boy Marino

Aquiles, o Matador

Michel Serdan

Fantomas

Mister Argentina

Tigre Paraguaio

Verdugo

 

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