Fui ver qual é a do rapel no Viaduto Sumaré

"Não dá para pensar muito na hora, mas a minha sensação foi de que a cidade parou por instantes, enquanto eu descia"

Existem duas reações possíveis para quem passa pelas avenidas Paulo VI ou Doutor Arnaldo, na altura do Viaduto Sumaré, e vê uma galera praticando rapel, slackline ou bungee jumping por ali. “Meu Deus, o que estes loucos estão fazendo” ou “que massa, bora experimentar”. Durante muito tempo fui membro catedrático do primeiro grupo. A ideia de me arriscar “desnecessariamente” era pouco atraente, pelo menos até estrear este blog.

Minha escolha pelo rapel foi eliminatória: o slackline requer treino prévio e equilíbrio e o bungee jumping pede um pulo de cabeça. Me pareceu óbvio no final das contas. Dentre as várias empresas que oferecem o serviço, selecionei uma aleatoriamente (vulgo a primeira que apareceu no Google) e combinei tudo com o instrutor pelo WhatsApp. Pensando nisso agora, talvez eu tenha pulado algumas etapas de segurança. Mas deu certo.

Fui durante a semana, à noite. Como de praxe, diversos grupos praticavam a atividade dos dois lados do viaduto. Encontrei minha galera e logo me explicaram o esquema. Fica um instrutor em cima do viaduto, um segundo desce com os iniciantes e um terceiro se mantém lá embaixo, no canteiro central da Paulo VI. Sem saber o que esperar da experiência, fiquei aliviado em ver que havia uma fila de três pessoas na minha frente.

Os arquétipos bem definidos dos presentes ajudaram a moldar minha experiência. Primeiro, uma moça com pavor de altura tentando, e não conseguindo, superar seu medo. Depois, um casal empolgado e experiente em esportes radicais. Me encaixei perfeitamente no meio desse espectro. Não estava empolgadão, mas, depois de olhar para baixo (uma altura de aproximadamente 28 metros) e não tremer, também não pensei em desistir.

“A vista” não me assustou tanto como eu imaginei que iria

“A vista” não me assustou tanto como eu imaginei que iria (Matheus Prado/Veja SP)

Antes de realizar a atividade, me ensinaram a operar minimamente o equipamento. A corda fica presa ao viaduto e ao corpo dependurado. Com a mão dominante, posicionada atrás da bunda, controla-se a velocidade da queda. Enquanto há parede para apoiar os pés, deve-se manter as pernas ligeiramente abertas e esticadas, dando passos para trás enquanto se dá corda.

Já munido da parafernália adequada, saltei a mureta – bateu um medo absurdo durante 1,7 segundos – e me posicionei, já soltando o peso na corda, de costas para o distante chão. Fui dando corda aos poucos e acompanhando o movimento do corpo com pés. Essa parte é bem tranquila. Me senti o próprio Homem-Aranha, de Jorge Vercillo, andando no abismo.

Quando a estrutura do viaduto acaba, sobra a corda. O instrutor, que fica ali no cangote o tempo todo, pediu que esticasse as pernas para frente e entrelaçasse as minhas com as dele. Continuei controlando a velocidade e apreciando a paisagem. Não dá para pensar muito na hora, mas a minha sensação foi de que a cidade parou por instantes, enquanto eu descia, ao longo de cerca de 15 minutos.

Voltaria? Em outro local. É legal descer no viaduto para se ter a experiência urbana, mas há lugares próximos de São Paulo mais adequados para a prática. Na Rapel SP, a descida acompanhada custa 59 reais e a monitorada (sem ajuda dos universitários), 45 reais.

 

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