Carolina Giovanelli | 24/02/2010
Cafe de la Musique, no Itaim: mesas no caminho, sujeira e atendentes antipáticos
Cida Souza
O designer Bruno Grandino chegou à festa mensal PostiT, no clube Vegas, na Consolação, por volta da meia-noite do dia 16 de janeiro. Os relógios marcavam 3 horas da manhã e o rapaz de 22 anos ainda aguardava na fila. Até que desistiu. “Fui desrespeitado”, afirma. Nos últimos tempos, cair na farra tem demandado uma dose generosa de paciência por parte dos baladeiros paulistanos. Na PostiT, por exemplo, é tanta gente que a fila bloqueia toda a calçada do número 765 da Rua Augusta. Além disso, o aglomerado invade também uma das faixas da via, atravancando o trânsito. Lá dentro, reina um calorão, que faz com que os dançarinos mais empolgados cheguem em casa cobertos de suor. Na hora de pagar, adivinhe: mais irritação e filas de espera. Não é só no Vegas que isso acontece. Essa é apenas uma das muitas boates da cidade — no total são 2 000 estabelecimentos desse tipo, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) — que apresentam empecilhos para a diversão de seus frequentadores. Para avaliar quesitos como filas, serviço e instalações, percorremos nove baladas entre os dias 15 e 30 de janeiro.
Cida Souza

Burburinho em frente ao Villa Country, na Barra Funda: sistema eficiente de ingresso pré-pago
O concorrido Kia Ora, misto de pub e casa noturna no Itam Bibi, é um dos campeões de reclamação, por causa de sua fila de dobrar o quarteirão. A professora Luciana Schaefer já amargou mais de duas horas na rua e resolveu adotar uma nova tática: chegar cedo, por volta das 20 horas, horário em que as portas são abertas. “Pago mico de ficar aqui sem ninguém, mas pelo menos garanto meu espaço”, diz ela, entre esbarrões e empurrões, comuns no lotado ambiente. Conseguir um drinque também pode ser desafiador. Banquinhos em frente ao balcão dificultam a passagem. O sócio César Ranieri afirma que depois de o Kia Ora atingir a lotação máxima de 450 pessoas não há solução: é necessário esperar que alguém saia para dar lugar a outra pessoa, num sistema de rodízio. “Quanto mais gente, melhor seria para nós. Mas não podemos prejudicar o conforto de quem está lá dentro.”
Além da falta de infraestrutura, um serviço desencontrado faz com que alguns lugares percam pontos. O refinado Cafe de la Musique, no Itaim, peca pela quantidade de mesas na pista (por volta de dez). Esses obstáculos fazem com que os garçons circulem com dificuldade. O chão é imundo. Copos quebrados e guardanapos estão por toda parte. “A equipe é bem treinada, mas fica difícil localizar a sujeira”, afirma a coordenadora de marketing Cláudia Gomes. Em Pinheiros, na Gambiarra, que rola semanalmente no Open Bar Club, há goteiras, o chão do mezanino treme com movimentos mais bruscos e o ambiente é para lá de abafado. São três saídas diferentes, com seis caixas no total — insuficientes para atender adequadamente os cerca de 1 000 frequentadores. O sistema de compra antecipada de ingressos ajuda a fluidez na porta do Villa Country, na Barra Funda, que recebe em média 2 000 pessoas por noite. Porém, a Avenida Francisco Matarazzo sofre com o movimento intenso do reduto sertanejo e de mais duas casas coladas a ele. Uma de suas faixas fica completamente bloqueada por um punhado de jovens, comprometendo o tráfego local.
Cida Souza

Bagunça na saída da Gambiarra, no Open Bar Club: apenas seis caixas para atender cerca de 1 000 pessoas
Depois de instaurada a lei antifumo, alguns empreendimentos adotaram novos sistemas para facilitar a vida dos fumantes. Um deles é o Hot Hot, na Bela Vista, adepto da comanda pré-paga. Para ir embora é uma beleza, porém se o cliente quiser de volta parte do valor que carregou no cartão não há jeito. A boate não restitui o dinheiro, mas possibilita o uso em outra visita. “Não somos um banco”, afirma uma das donas, Flávia Ceccato. “Pagamos taxas a cada compra.” O advogado especialista em direito do consumidor Sergio Tannuri afirma que o procedimento é legal. “Foi uma opção do cliente depositar determinada quantia.” Algumas práticas facilmente encontradas pelos clubes afora, no entanto, são ilegais. A consumação mínima, por exemplo, é uma delas. Ninguém deve se sentir obrigado a comprar algo que não queira. Cobranças de valores aleatórios pela perda da comanda também são injustificadas. “É dever do prestador de serviço ter um controle do gasto de cada cliente”, diz Tannuri.
|
Pésimo |
Regular |
Bom |
Muito bom |
© Copyright 2012 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados.