Joias

Um salto brilhante da Hermès

Pierre Hardy amplia as peças da grife com chicotes e cascos diamantados

Por: Simone Esmanhotto - Atualizado em

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No restrito clube das grifes que cobram um valor alto por um trabalho benfeito, a Hermès é admirada até pelos rivais. Não só pela qualidade obsessiva, mas pela capacidade de transformar objetos do cotidiano, às vezes desprovidos de qualquer apelo, em objetos de desejo. É o caso das duas novas linhas de alta joalheria da grife-símbolo de Paris: Fouet, com cinco itens, e Centaure, com treze. Desenhadas por Pierre Hardy, autor também das joias de prata e dos sapatos da marca, as peças com pavê de diamantes remetem a chicotes de cavaleiros e cascos dos animais — a Hermès surgiu em 1837 vendendo selas e arreios. Em entrevista, Pierre Hardy explica como acessórios da cavalaria se tornaram a mais nova aposta (brilhante) da Hermès.

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Hardy: acessórios de montaria tratados como esculturas preciosas (Foto: Frédéric Presles)

VEJA SÃO PAULO LUXO — O que separa as joias de prata das novas peças, além dos quilates?

PIERRE HARDY — Joalheria, por definição, é uma seleção de objetos especiais. Quanto mais no topo, no entanto, mais é preciso pensar no impensável. Isso significa fazer objetos únicos e raros no sentido de terem um desenho original e poderoso, diferente de tudo o que já foi feito antes. A raridade é uma das últimas fronteiras do universo do luxo.

VEJA SÃO PAULO LUXO — Raridade não tem mais ligação com a descoberta de uma pedra excepcional?

PIERRE HARDY — Esse critério é subjetivo. Para mim, o que vale é capturar os olhos e dar vontade de tocar. Não sou especialista em pedras. Há pessoas ao meu redor que fazem isso bem. Quando eu desenho, considero apenas a qualidade dos materiais, as texturas e as cores.

VEJA SÃO PAULO LUXO — Com que objetivo?

PIERRE HARDY — Embelezar o corpo. A joia equivale a uma escultura portátil. A beleza de uma peça está na forma como ela reflete a luz e chama atenção para o colo, as mãos e o pulso. Foi uma descoberta que fiz com a alta joalheria e é o que busco nos meus desenhos.

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Anel Centaure, de ouro rosa e branco em forma de cascos: 890 diamantes e a aventurina vermelha (Foto: Erwan Frotin)

VEJA SÃO PAULO LUXO — Quando esboça uma peça, você tem uma mulher-modelo em mente?

PIERRE HARDY — Ah, não! Mulheres são imprevisíveis: uma chinesa pequena pode gostar de joias enormes, e uma americana alta pode preferir as delicadas. A relação de vocês com a joia é íntima, parecida com a que têm com sapatos do ponto de vista da fantasia. A diferença é que com as joias o amor é infinito. Sapatos são casos fugazes.

VEJA SÃO PAULO LUXO — Suas peças são sóbrias, mesmo as com pavê de diamantes. Há algo que você reprove nesse universo?

PIERRE HARDY — O luxo precisa de discrição e substância. Estou muito mais interessado numa solução nova do que pura e simplesmente no efeito bling-bling, do brilho arrebatador e ostensivo. Do ponto de vista da mulher, pode até ser que ela eleja um grande bracelete diamantado. Se ela usá-lo com classe, será o jeito certo.

Fonte: VEJA SÃO PAULO