Internet

Twitter: conheça os paulistanos mais influentes no microblog

Algumas personalidades têm conseguido fazer barulho. Contam piadas, narram tarefas fortuitas, falam com fãs... Veja quem são

Por: Giovana Romani - Atualizado em

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Há não muito tempo, conhecer os detalhes do cotidiano das celebridades era muito complicado. Paparazzi de revistas e sites precisavam se esmerar para conseguir o melhor clique da atriz da novela almoçando nos Jardins, do cantor desembarcando no aeroporto ou do novo casal 20 da praça. A batalha dos fotógrafos continua, mas agora o acesso ao pensamento e à rotina de centenas de figuras conhecidas está ao alcance das mãos, ou, melhor, a alguns cliques do mouse. Sem medo de se exporem, famosos paulistanos entregaram-se de corpo e alma ao Twitter, a rede social de troca de mensagens de até 140 caracteres, e passaram a narrar sua rotina e emitir opiniões. Criado em 2006, o Twitter, cujo símbolo é um simpático passarinho, virou febre no Brasil somente no ano passado. É a segunda maior rede social do planeta (atrás do Facebook), com 105 milhões de usuários em todo o mundo e 190 milhões de visitas únicas mensais. “O diferencial do Twitter é a repercussão da informação, que vai se espalhando dentro da rede e provoca uma reação em cadeia”, explica Marcelo Marzola, presidente da consultoria Predicta.

+ Twitter reúne famosos, músicos, chefs, museus e cinemas

+ Veja galeria com imagens dos paulistanos mais influentes do Twitter

Cientes desse poder, personalidades das mais diversas áreas lançam mão de esquemas variados para se destacar no universo virtual. Para listar os paulistanos mais influentes do Twitter, contamos com dados de três empresas do setor: as consultorias Predicta e E.Life, especializadas no comportamento do consumidor nos meios digitais, e a Riot, agência de mídias sociais. Com base no número de seguidores, quantidade de menções e retweets, cliques em URLs e frequência de postagens, profissionais da Riot e da E.Life montaram relações com vinte nomes de pessoas nascidas ou radicadas na cidade.

Para chegar ao resultado apresentado a seguir, VEJA SÃO PAULO cruzou as duas tabelas e chegou aos nomes que se repetiam. Coube à Predicta analisar os perfis e monitorar sua movimentação nos últimos trinta dias. “O Twitter funciona para os artistas em duas frentes: como forma de ampliar o alcance do trabalho e para humanizá-los, deixando-os menos distantes dos fãs”, afirma Marzola. “As marcas também estão de olho na repercussão do que essas celebridades dizem sobre seus produtos”, explica Alessandro Barbosa Lima, CEO da E.Life. Vale lembrar que há diversos medidores on-line de influência, tais como Tweet Level, Twitter Grader e Twitter Rank, nos quais é possível, inclusive, medir sua própria relevância na rede de microblogging.

 

O BÊ-Á-BÁ DO MICROBLOG

Tweet

Mensagem de até 140 caracteres. Originalmente, a rede social pede que se responda à pergunta: “O que está acontecendo?”

Retweet

Retransmissão de mensagem postada por outra pessoa

Trending topics

Termos mais difundidos na rede, monitorados pelo Twitter

URL

Endereço de uma página da web

Fake

Termo usado para designar perfil falso de personalidades

 

CQCs

No ar há pouco mais de dois anos, o humorístico CQC, da Rede Bandeirantes, mostrou a que veio. Com média de 6 pontos de audiência, atraiu a atenção de artistas como o cantor Caetano Veloso, virou o terror de políticos Brasil afora e alçou ao sucesso comediantes até então desconhecidos do público.

É o caso de Rafinha Bastos, gaúcho radicado em São Paulo desde 2002. Se sua atuação na TV é recente, o burburinho causado por ele na internet vem de longe. Em 1999, lançou o site Página do Rafinha, que chegou a receber 25 000 visitas diárias. Mantém ainda, há quatro anos, um canal no YouTube, no qual posta trechos de suas apresentações de stand-up comedy. Eles já foram vistos quase 40 milhões de vezes. “Descobri no Twitter um modo instantâneo de ficar em contato com quem gosta do meu trabalho”, diz. “Como minhas piadas sempre foram muito sucintas, é ideal.”

Cada um à sua maneira, Marcelo Tas e Marco Luque, os outros integrantes da bancada do programa, também colecionam um bom número de seguidores. Tas comenta bastante sobre política e eleições. Luque, por sua vez, divulga seus shows e interage com outras figuras conhecidas, como a cantora Claudia Leitte e o ator americano Ashton Kutcher, marido de Demi Moore. “Meu inglês é mais ou menos, mas acabamos amigos”, conta Luque, que foi até Los Angeles conhecer o casal hollywoodiano. A conta do comediante no microblog foi criada por um fã. “Ele fazia tão bem o meu papel que nem me incomodei”, lembra. Por iniciativa própria, o admirador cedeu o endereço ao Luque original. “Hoje trabalhamos juntos”, afirma o comediante. “Ele cataloga tudo o que sai na internet com meu nome.”

Entre os repórteres, o destaque fora das telas (de TV) é Danilo Gentili. “Principalmente devido às polêmicas envolvendo suas matérias recentes”, analisa Bruno Mokarzel, gerente de mídia social da consultoria Predicta, referindo-se aos episódios de agressão ao repórter. Na rede, Gentili não faz a mínima questão de ser politicamente correto. Expõe, porém, facetas até então desconhecidas do público. É protetor de animais e, um dia desses, ligou a webcam enquanto tomava banho — sim, você leu certo.

 

LUCIANO HUCK

Cabe a Luciano Huck o título de Twitter número 1 do Brasil em quantidade de seguidores. São mais de 2 milhões de pessoas assistindo de camarote às aventuras da família do apresentador, suas opiniões sobre futebol, os bate-papos com políticos e as avaliações sobre as atrações do ‘Caldeirão do Huck’, da Rede Globo.

“Ele usa muito bem a ferramenta”, avalia Marcelo Marzola, presidente da Predicta. “Como é impossível responder a todos, ele escreve uma mensagem resumida, dando a entender que leu boa parte das críticas sobre o programa exibido naquele dia.”

Huck pode ser considerado um fenômeno da rede social. Criou sua conta em maio do ano passado e, quatro meses depois, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar 1 milhão de seguidores. Para atingir tal marca, lançou mão de um recurso criticado por alguns concorrentes: promovia concursos entre os fãs e os premiava com TVs de plasma, por exemplo.

 

PANIQUETES

Não pode ter medo, tem de escrever tudo o que vem à cabeça.” Esse é o conselho da apresentadora Sabrina Sato, integrante do programa ‘Pânico na TV’, da Rede TV!, a quem pretende começar a aventurar-se no mundo do Twitter. Para ela, pelo menos, funciona. Mais de 750 000 pessoas acompanham o que acontece na sua vida: a priminha que veio acordá-la, a consulta médica, a sobremesa do restaurante, o tombo no aeroporto, a viagem a Natal para visitar o namorado... Boa parte das informações é ilustrada com fotos.

“Em poucos minutos, uma imagem chega a ter 9 000 visualizações”, diz. A bela fatura com tanta popularidade. Escreve, por exemplo, sobre a marca de jeans da qual é garota-propaganda. Certa vez, lamentou ter perdido seu smartphone durante um jogo do Corinthians e — tcharã! — no outro dia a marca lhe enviou um aparelho novinho em folha.

Seu colega Rodrigo Scarpa, o Vesgo, é mais econômico na exposição de sua vida pessoal. “Uso o Twitter como ferramenta de trabalho”, afirma. “Se uma piada tem muitos retweets, é porque funciona.” Curioso: ele deixa entrevistados corados com suas perguntas indiscretas, mas quando está no centro das atenções não dá detalhes sobre namorada, viagens nem tarefas domésticas. “Prefiro colocar um link interessante a comentar que estou indo ao banheiro.”

 

MANO MENEZES

Com 1,4 milhão de seguidores, o perfil de Mano Menezes no Twitter é terceirizado. Ou quase isso. A jornalista Camilla Menezes, filha de Mano e assessora de imprensa, está por trás das postagens diárias do técnico do Corinthians. “Escrevemos a quatro mãos”, garante a moça. “Não faço nada sem consultá-lo e busco usar a linguagem dele, bem diferente da minha.”

As mensagens e o comportamento de Mano na rede fazem parte de uma jogada de marketing muito bem pensada no início do ano passado. Quais assuntos poderiam ser abordados e a possibilidade de postar durante treinos foram algumas das questões discutidas. Mano e equipe optaram por publicar “apenas” de duas a quatro mensagens diárias. “Há muita cobrança e poderiam pensar que o Twitter estava atrapalhando o trabalho do Mano nos gramados”, explica Camilla.

Tanto cuidado deu certo e, nas primeiras semanas, o endereço já somava 30 000 seguidores. Na twittosfera, acusaram-no de usar programas para conseguir seguidores-fantasma. “Nunca fizemos isso”, diz a filha. Segundo ela, as mensagens do pai chegaram a repercutir em quarenta manchetes de jornais em um período de dois meses. Assuntos pessoais e notícias de verdade quase não aparecem. Até a última quarta-feira (21), nenhuma palavra sobre a possível ida de Mano para o comando da seleção brasileira havia entrado no ar.

 

EDUARDO SURITA

Se você já passou da adolescência, provavelmente nunca ouviu falar do paulistano Eduardo Surita, um dos três autores do blog Vida de Garoto, do site da revista CAPRICHO, da Editora Abril, que publica VEJA SÃO PAULO. O jovem de 16 anos arrebatou o coração de garotas que enchem seu Twitter de elogios, beijos e juras de amor.

Dudu (para os íntimos) tirava fotos em casa e já fazia sucesso entre as amigas do Orkut até que, em março do ano passado, apareceu pela primeira vez no blog Colírios, também do site da CAPRICHO. Foi aí que as mocinhas não o deixaram mesmo em paz. Junto com outros dois meninos (um do Rio de Janeiro e outro de Santa Catarina), ele começou a contar sua rotina na rede — atualmente, o blog Vida de Garoto recebe, em média, 78 000 acessos por dia.

Os três também apresentam um reality show na MTV, o ‘Colírios Capricho’, que elegerá o quarto integrante do grupo. “Com o Twitter consigo ter uma relação mais aberta com as fãs”, acredita Dudu. Aviso às seguidoras: ele está namorando, pretende estudar publicidade e ser apresentador de TV. (Se você tem mais de 15 anos e reconheceu o sobrenome, é isso mesmo. Dudu é filho de Emílio Surita, líder e âncora do programa ‘Pânico na TV’.)

 

MARIMOON

Casaco de oncinha, madeixas verdes e coturnos de vinil. Esse pode ser o figurino de MariMoon, VJ da MTV, em um dia chuvoso na capital paulista. Por ter esse jeitão, digamos, um tanto diferente, a paulistana Mariana Lima, de 27 anos, começou a ganhar fama e dinheiro na internet sete anos atrás.

Antes de contar sua história, uma ressalva importante: MariMoon é apelido, e não uma personagem. “Sou assim mesmo, meio grunge, meio gótica, meio indie, meio hippie”, define-se.

Mari colocou no ar seu primeiro site em 1997. Três anos depois, fez um blog e, quando ganhou uma câmera digital, só queria saber de fotografar. Criou um fotolog, em que postava exclusivamente imagens suas com looks variados. A página chegou a receber 300 000 visitas por semana. “Daí fui capa de revista, estrelei uma campanha publicitária, e me chamaram para trabalhar na MTV”, lembra.

Maníaca por tecnologia, MariMoon hoje faz de seu Twitter a principal forma de comunicação com os fãs que coleciona há tempos. Quando pode, ganha uma graninha com isso. “Se cito um produto, estou ajudando a vendê-lo”, afirma. “Mas cobro muito caro, então quase ninguém quer pagar.”

 

TIAGO LEIFERT

Um dos sucessos da TV na última Copa do Mundo, o jornalista Tiago Leifert nem sequer pisou na África do Sul. Apenas trocou sua São Paulo natal, onde apresenta o programa ‘Globo Esporte’, pelos estúdios da emissora no Rio de Janeiro. Nem a jornada dura de trabalho durante a cobertura o manteve longe de uma de suas paixões: a tecnologia.

Aficionado de games, Leifert assume que dorme com seu smartphone debaixo do travesseiro. Durante o mês de junho, viu seu número de seguidores no Twitter dobrar. Nada que o tenha intimidado. Assim como na televisão, na rede ele faz comentários bem-humorados, interage com os telespectadores e não se cansa de tirar onda do ex-jogador e comentarista esportivo Caio Ribeiro, seu colega.

“Uso meu Twitter 80% para diversão e 20% para trabalho”, afirma. “Falo da rodada do futebol quando ela está em andamento, mas procuro não dar nenhuma notícia, porque é um perfil pessoal.” Da direção da Globo, garante não receber nenhuma interferência, apenas a recomendação de não comentar assuntos internos da empresa. “Até porque são assuntos internos, né?”

 

PE LANZA

A família Restart é mesmo muito unida. Aos 18 anos, Pe Lanza, vocalista e baixista da banda formada por quatro paulistanos de classe média, foi a figura mais citada no Twitter nos últimos trinta dias entre as que integram a lista de VEJA SÃO PAULO. Teve 55 375 menções a seu nome. Não conhece o grupo? Seus integrantes vestem calças justas de cores extravagantes, usam cortes de cabelo esquisitos e cantam o que chamam de “happy rock”, músicas animadas sobre as alegrias e desventuras da adolescência.

“Somos muito felizes e fazemos tudo com carinho”, filosofa Pe Lanza. “Nossos fãs se identificam.” Eles, os fãs, formam a tal família Restart. Lançado em fevereiro, o disco de estreia da banda já tem 35 000 cópias vendidas. Uma sessão de autógrafos do álbum, que seria realizada em uma livraria paulistana, precisou ser cancelada por causa da multidão de adolescentes presentes.

“Esperávamos 200 pessoas e apareceram mais de 3 000”, explica o cantor. Revoltada, uma das meninas soltou uma frase sem pé nem cabeça que virou mania no YouTube: “É uma p... falta de sacanagem”. Tanta paixão é retribuída. Com seu primeiro bom cachê, Pe Lanza comprou um iPhone “para ficar mais perto das fãs”. O que responde a quem o ofende (a turma de opositores do Restart também é grande)? “Nada. O mundo está precisando de amor.”

 

ANA HICKMANN

A apresentadora de TV Ana Hickmann anda brava, muito brava. Não se conforma com os perfis falsos que a imitam no Twitter. Um deles, segundo a própria, contava mentiras e destratava os fãs. “Trata-se de um crime de falsidade ideológica”, reclama. “E essa pessoa ainda comete erros de português absurdos.”

Há duas semanas, a apresentadora lançou uma campanha contra os imitadores. Com o slogan “Eu sigo o Twitter oficial @ahickmann. O resto é fake”, a iniciativa deu certo, e a cópia que mais a revoltava suspendeu a conta. Receber o selo de “Verified Account”, que é emitido pela administração do microblog e garante a autenticidade do perfil, ajudou no processo. “Comprovar a veracidade foi demorado e difícil, mas valeu a pena.”

Dona de um escritório em que seis pessoas trabalham só para cuidar de sua carreira e de seus licenciamentos, Ana faz questão de tocar seu Twitter sem ajuda de ninguém. Não responde a perguntas por considerar impossível atender a todos os fãs. Divulga as atrações de seu programa dominical, na Record, e fala um pouco da vida pessoal — no último sábado, por exemplo, contou que Alexandre Corrêa, seu marido e empresário, ficou de mau humor após perder 200 reais na aposta do jogo de boliche. “Quem vive da imagem precisa usar todas as ferramentas a seu favor”, diz Ana.

 

LUCIANA GIMENEZ

Ela não é do tipo que leva desaforo para casa. Apesar de ter um número pequeno de seguidores — se comparado a outros nomes da televisão —, Luciana Gimenez, a apresentadora do ‘Superpop’, da Rede TV!, faz um barulho danado no Twitter. “A interação proporciona que o nome dela seja citado várias vezes e a coloca nessa lista”, explica Bruno Mokarzel, da Predicta. Tudo porque Luciana compra briga e responde à altura a quem a ofende. “Infelizmente, as pessoas são muito ignorantes”, afirma.

Na última terça (20), postou uma frase pela metade e foi crucificada por alguns. Durante a Copa do Mundo, enfureceu-se com quem a provocava chamando o rolling stone Mick Jagger, pai de seu filho, Lucas, de pé-frio. “Não é porque sou famosa que preciso aguentar tudo”, diz. “Mas não dou ataques, faço de forma consciente.”

Depois de passar uma lição de moral nos críticos mais abusados, Luciana ainda costuma bloqueá-los, impedindo o acesso deles à sua conta. Os expulsos perdem momentos engraçados. Por exemplo, a foto da apresentadora toda melecada com uma máscara facial ou o close de seu pé em uma sandália de plástico — “É uma coisa íntima, os fãs curtem”. Ainda deixam de ver as postagens escritas ora em português, ora em inglês — “Tenho muitos amigos fora do Brasil". E as campanhas para encontrar um lar para cães e gatos abandonados.

Observação: o número de seguidores foi apurado na última quarta (21), às 20h

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO