Cidade

Itaquera se transforma para receber a Copa do Mundo

Nosso repórter morou por dois meses no bairro, que, às vésperas da grande festa do futebol, ainda se acostuma com o fato de ter saído da periferia para o centro das atrações do mundo

Por: Silas Colombo - Atualizado em

Itaquera vista aérea
A Radial Leste com a Arena Corinthians ao fundo: grandes mudanças em três anos (Foto: Anderson Chaurais)

A exemplo de muitos paulistanos, eu jamais havia colocado os pés em Itaquera antes de o lugar ser escolhido em 2011 como o palco de abertura da Copa. Quando assinei, há dois meses, o contrato de locação de um apartamento para morar no local com o objetivo de acompanhar de perto as transformações produzidas pelo evento no bairro, já tinha ouvido falar do boom imobiliário na região. Mesmo assim, os valores me surpreenderam e soaram como um verdadeiro chute nas alturas. “Os aluguéis para a temporada começam a partir de 10 000 reais por mês”, disse, com naturalidade, um corretor da área.

 

Depois de muita conversa, fechei em abril um acordo de 6 000 reais por um apartamento de 48 metros quadrados no 4º andar do condomínio São Firmino, na Cohab Padre José de Anchieta. O lugar não tem porteiro nem vaga definida na garagem (uma por unidade). Isso mesmo. Acomodação bem longe do padrão Fifa. Da janela da sala, porém, é possível ver a Arena Corinthians, que fica a 350 metros dali. Antes da construção do campo, esse imóvel era locado, no máximo, por 1 000 reais. O valor hiperinflacionado o pôs no mesmo patamar de preço de um endereço do Alto de Pinheiros com 200 metros quadrados, três suítes, hidromassagem, cinco banheiros, closet e churrasqueira.

Itaquera campo várzea
A sede do E.C. Urca, vizinho do estádio: um dos últimos campos de futebol de várzea no bairro (Foto: Mario Rodrigues)

O efeito da Copa no pedaço vai muito além do mercado imobiliário, percebi logo depois de me mudar. Na manhã de uma terça, no fim do mês passado, acordei às 7 horas da manhã com um estrondo que fez tremer as janelas e deixou um rastro de fumaça no céu. Coloquei a cabeça para fora do apartamento e vi outros moradores com a mesma cara de sono e de espanto acompanhando o objeto responsável pela confusão: um caça do Exército que fazia no momento um sobrevoo pela região. “Vai ter Copa ou vai ter guerra?”, brincou um homem.

Depois de um tempo vivendo ali, eu me acostumei com o movimento aéreo acima do normal. Diariamente, o local é visitado por vários helicópteros de emissoras de TV. O barulho da frota desperta a ira do cachorro do vizinho e alguns aparelhos chegam a sobrevoar meu prédio tão de perto que fazem chacoalhar as roupas estendidas no varal. Para qualquer pessoa que more ou passe pelo bairro, é quase impossível fugir do tema futebol. Na hora do almoço do mesmo dia em que ocorreu a aparição do jato militar, o aparelho de TV do boteco mostrava os moradores de uma rua das redondezas pendurando bandeiras brasileiras nos postes. “É o Big Brother Itaquera”, brincou o chapeiro.

 

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(Foto: Reprodução)

Às vésperas do torneio, cujo pontapé inicial será dado nesta quinta (12), ainda não é possível dormir no meu apartamento sem ouvir o barulho das marretadas dos operários — até quinta (5) havia cerca de 700 profissionais diretamente envolvidos em trabalhos como a conclusão das arquibancadas provisórias e a finalização da instalação de equipamentos elétricos e hidráulicos.

grafite radial leste itaquera
Artistas em ação: mural de 4 quilômetros de graftes (Foto: Mario Rodrigues)

Em sua maior parte, é gente correndo contra o tempo para terminar a Arena Corinthians. Apesar do atraso, muita coisa foi feita no bairro. Nos dois meses em que residi ali, deu para ver como as mudanças foram sendo aceleradas à medida que a Copa começou a se aproximar. Visualmente, a paisagem árida de prédios padronizados e casas simples do entorno começou a ganhar as cores da Seleção Canarinho. A Radial Leste, a principal via de acesso à região, tem verde e amarelo no canteiro central desde a Vila Matilde. A partir da estação Patriarca do Metrô, setenta grafiteiros pintaram o maior mural a céu aberto da América Latina, com 4 quilômetros de ilustrações. A fachada lateral de seis prédios da Cohab José Bonifácio ganhou desenhos dos onde o escrete conquistou os cinco títulos mundiais (o espaço para o hexa já está reservado). Nas últimas semanas a Fifa instalou placas de sinalização em inglês para orientar os visitantes estrangeiros que pretendem ir ao campo.

 

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(Foto: reprodução)

A ironia da chegada da globalização a uma das regiões mais carentes de São Paulo (a renda média local, inferior a dois salários mínimos, é um quarto da registrada no bairro de Perdizes) rendeu brincadeiras na internet. “Itaquera Stadium — Where Judas lost his boots” (Estádio de Itaquera — Onde Judas perdeu as botas) foi a mais reproduzida. Do ponto de vista da objetividade geográfica, essa piada é um pouco exagerada, pois o bairro fica a apenas 20 quilômetros do centro. A diferença de realidades, porém, traz a sensação de uma distância muito maior, não apenas para os forasteiros. Quando pergunto à costureira Rose Maria, uma das locais, onde ela compra o tecido daquelas bolsas tão caprichadas que vende na região da 25 de Março, escuto: “Lá em São Paulo”. O ato falho é comum.

 

Com 220 000 habitantes, o bairro parece uma grande cidade-dormitório. Boa parte dessa população se desloca diariamente até o centro para trabalhar. Por volta das 6 da manhã, as filas de embarque na Estação Corinthians-Itaquera alongam-se para fora dos limites da parada de metrô. Os poucos felizardos que conseguem sentar-se à janela dos trens podem vislumbrar por alguns instantes as linhas modernas da Arena Corinthians. Nos picos de movimento, é mais fácil o Irã ganhar a Copa do que alguém atravessar de carro a Radial Leste a partir daquela área em menos de duas horas.

Além de colocar o lugar no centro do mundo, a competição trouxe outros benefícios a essa região onde as pessoas se referem ao centro da metrópole como se não estivesse na mesma cidade. Em meio a um festival de promessas descumpridas e obras feitas pela metade que se tornou marca da organização do evento da Fifa em nosso país, o bairro da Zona Leste representa uma exceção. Se há algum local do Brasil que vai lucrar com o torneio, esse lugar é Itaquera.

Fabrício Martins Vikstar Itaquera
Fabricio Martins, diretor do call center Vikstar: 3 000 novas vagas nos próximos meses (Foto: Mario Rodrigues)

Somente em obras viárias para amenizar os principais gargalos de trânsito, os governos estadual e municipal investiram no pedaço 548,5 milhões de reais. Entre o movimento trazido pelas construções e os incentivos para investimentos em novos negócios, foram geradas nos últimos três anos 39 000 vagas temporárias e 34 000 permanentes, segundo cálculos da consultoria Accenture.

O grupo Lindencorp, junto com a empresa dona de um terreno de 200 000 metros quadrados de uma pedreira bem ao lado do estádio, vai levantar um complexo de hotéis, prédios comerciais e empresas de tecnologia. A ideia é aproveitar a estrutura viária e de transporte que agora atende o local para criar mais 55 000 empregos. “Tornou-se mais fácil provar aos empresários que aqui há potencial”, afirma Wilson Poit, presidente da SPNegócios, empresa de economia mista vinculada à Secretaria Municipal de Finanças encarregada de fomentar investimentos na capital. Até quem já estava operando na região aproveitou o novo fôlego. Com mais de 4 000 postos de atendimento, o call center Vikstar vai derrubar algumas paredes e criar 3 000 vagas nos próximos meses. “A estrutura do  Piauí, onde temos outra filial, estava melhor que a daqui”, afirma Fabrício Martins, diretor- geral da companhia.

 

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Atendentes poliglotas no shopping do bairro:à espera de 1,5 milhão de turistas (Foto: Mario Rodrigues)

O Shopping Metrô Itaquera, o único da região, está sempre cheio. Recebe 65 000 visitantes por dia. O gasto mensal médio dos clientes é de 600 reais, mais que o dobro de um centro de compras como o Villa-Lobos. Não é à toa que o lugar promete dobrar de tamanho no ano que vem. Preparado para receber os turistas que vão desembarcar por lá nas próximas semanas (o número esperado é de 1,5 milhão de visitantes), o empreendimento da Zona Leste deixou a postos  uma equipe de cinco assistentes poliglotas para ajudar os estrangeiros.

Amadeu Carvalho
Amadeu Carvalho, "O Fiscal da Fiel", documenta a evolução das obras no Itaquerão: quase 100 000 seguidores no facebook (Foto: Lucas Lima)

O estádio, que desencadeou todo esse movimento, virou ponto de peregrinação. Por ali, todos os dias algumas dezenas de pessoas procuram um espaço nas grades para observar o andamento dos trabalhos. Entre os fiscais não oficiais, uma figura ganhou notoriedade no local. Trata-se do professor de inglês Amadeu Carvalho, que filma e fotografa a evolução das obras. O material é publicado em seu site, que hoje tem mais de 130 000 acessos mensais, e em uma página no Facebook, com 93 000 seguidores. “Sou o correspondente especial dos corintianos”, conta “O Fiscal da Fiel”, como Amadeu ficou conhecido. O trabalho de documentação vai virar livro.

Rádio comunitária Itaquera
Equipe de locutores da Rádio Comunitária Itaquera FM: dicas de trânsito em dias de jogos (Foto: Mario Rodrigues)

Tamanha adoração não ocorre por acaso. Estima-se que quase 50% dos itaquerenses sejam corintianos, uma das maiores proporções da cidade. As dúvidas sobre se o restante da nação alvinegra da capital poderia se assustar com a distância até a nova casa dissiparam-se com os primeiros jogos. Na inauguração oficial da arena, em 18 de maio, fiquei preso dentro de uma pastelaria que baixou as portas devido ao susto com a primeira leva de torcedores que desembarcou na Estação Artur Alvim.

Quem tentou voltar para casa de carro também ficou pela rua ou pagou 20 reais para usar a garagem de algum morador enquanto a partida não começasse. Com a CET mais perdida que os próprios motoristas, o jeito foi sintonizar a Rádio Comunitária Itaquera (87,5 FM) para saber quais eram as alternativas. “Só quem é daqui consegue entender os caminhos”, afirma o locutor Paulo Ferraz.

Alessandro Bueno Itaquera
Alessandro Bueno, sócio da choperia La Bueno: 450 000 reais para abrir bar em Itaquera (Foto: Mario Rodrigues)

Com a inauguração de avenidas com calçadas largas e iluminação de LED, a vida noturna de Itaquera ganhou novo impulso. Pude passear a pé depois de escurecer, o que era bem perigoso antes das melhorias. Encontrei pelo caminho várias famílias fazendo o mesmo. Isso levou os donos de bar a colocar mesas na calçada e animou empresários a dar um upgrade na boemia da região. Alessandro Bueno e o sócio, Laércio Lopes, investiram mais de 450 000 reais na Choperia La Bueno, numa travessa da Avenida Itaquera. Inaugurado em dezembro, o sportbar bem decorado aposta em um cardápio de bebidas importadas e cozinha gourmet. “Antes, para curtir um lugar bacana, tínhamos de ir até o Tatuapé”, diz Bueno.

Veerle Denissen Itaquera
A cineasta holandesa Veerle Denissen: a vida no bairro vai virar flme (Foto: Mario Rodrigues)

No bando de pessoas que começam a visitar o bairro atraídas pelo movimento da Copa, noto agora pequenos grupos de estrangeiros. Quase todos os dias alguém me para na rua falando português com bastante sotaque. Uma das gringas que circulam pelo pedaço é a jornalista holandesa Veerle Denissen. “Fiquei chocada na primeira vez que vi as casas de madeira em cima do esgoto aberto”, conta ela, referindo-se a uma visita à Vila da Paz, favela com 377 famílias que fica a 800 metros do Itaquerão. Por lá não respingou nem um centavo dos investimentos que vieram com a Copa.

Veerle se mudou a São Paulo no fim do ano passado para acompanhar o marido, que veio para cá a trabalho. Ao chegar, achou curioso o fato de um evento do tamanho do torneio da Fifa ser sediado na periferia. Decidiu, então, registrar como era a vida dos moradores do bairro no documentário Itaquera — A World Cup in the Backyard (Uma Copa do Mundo no Quintal, em inglês). Ela vem fazendo esse trabalho há seis meses, com a ajuda de dois conterrâneos. Na semana passada, pôs na internet o primeiro dos quatro capítulos da série sobre a região. O vídeo foi visto por mais de 150 000 pessoas.

Quando terminar de exibir na rede o material, pretende transformá-lo em um filme, a ser lançado em 2015. A holandesa mora na Aclimação e vai a Itaquera pelo menos uma vez por semana. Vizinhos da Zona Sul perguntam frequentemente se ela tem medo de trabalhar em “um lugar tão perigoso”. Entre esses curiosos estão alguns alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “Conheço mais o bairro que muita gente daqui”, ironiza ela. Graças à Copa, que pôs aquela área no centro das atenções, os preconceitos e a falta de informação estão diminuindo. O principal legado do Mundial para Itaquera é ajudar o bairro a começar a se sentir parte de São Paulo.

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    Tomyam

    Rua José Maria Lisboa, 1065, Jardim Paulista

    Tel: (11) 4329 1002

    VejaSP
    2 avaliações

    A casa descende de um restaurante de Campinas e mira o Oriente. Muitos estrangeiros costumam aparecer no salão escurinho e pedir a lula recheada de pernil suíno com curry vermelho (R$ 32,00), no estilo tailandês. Opção de prato principal, o koh tao (R$ 62,00) vem na forma de cubos de filé-mignon com abacaxi, broto de feijão e gengibre.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha variada

    Beato

    Rua dos Pinheiros, 174, Pinheiros

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  • Vinhos

    Bardega

    Rua Doutor Alceu de Campos Rodrigues, 218, Itaim Bibi

    Tel: (11) 2691 7578 ou (11) 2691 7579

    VejaSP
    17 avaliações

    Uma respeitosa seleção de 88 garrafas diferentes é conservada em máquinas Enomatic. O cliente coloca o cartão de consumo no equipamento, aperta o botão do rótulo desejado e, pronto, o líquido desce à taça em dose de 30, 60 ou 120 mililitros. Há opções como o siciliano Fina Chardonnay 2015 (R$ 10,00, R$ 20,00 e R$ 36,00), branco com um certo corpo, e o californiano Estrada Creek Old Vines 2010, com predominância da uva zinfandel (R$ 7,00, R$ 14,00 e R$ 26,00). Um bom petisco é o bolinho de pancetta e polenta (R$ 34,00, seis unidades).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

     

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  • Botecos

    Sabiá

    Rua Purpurina, 370, Vila Madalena

    Tel: (11) 3032 1617

    VejaSP
    3 avaliações

    Uma agradável atmosfera boêmia encanta quem visita o Sabiá. O chão de ladrilhos e a iluminação baixinha, misturada à luz da rua filtrada pelos janelões, dão aquela imagem de sossego que a Vila Madalena perdeu por aí. A calmaria só é rompida pelo ruído da freguesia, contente em tomar um chope tirado no ponto (Eisenbahn Pale Ale R$ 10,00) e saborear as receitas que Graziela Tavares traz da cozinha. “Faço comida caseira”, conta a chef, desde 2011 na sociedade junto dos irmãos Leonardo e Stefânia Gola. Hipermacia, a língua bovina em fatias ao molho de vinho, com arroz e um sedoso purê de mandioquinha (R$ 40,00), é apenas um dos preparos cada vez mais apurados de forma deliciosamente simples no botequim.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Sanduíches

    Tigre Cego

    Rua Girassol, 654, Vila Madalena

    Tel: (11) 3586 8370

    VejaSP
    3 avaliações

    Responsável pelos sanduíches — e também pela ótima porção mista de batatas inglesa e doce e mandioquinha fritas (R$ 22,00) —, Pablo Muniz reformulou o cardápio. Entre as estreias estão quatro opções de hambúrguer, três delas com um belo disco de carne de 180 gramas e a última, vegetariana. Outra novidade, o bul go gui (R$ 30,00), que no passado vinha numa massa de arroz, é apresentado na forma de três pequenos tacos de milho: dentro de cada um deles vem fraldinha marinada no óleo de gergelim com gengibre, shoyu e alho. Um mix de pimenta dedo-de-moça, cebolinha, picles de moyashi e maionese de conserva picante de acelga completa a sugestão.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Salgados

    Torteria

    Rua Alagoas, 28, Higienópolis

    Tel: (11) 2306 9755

    VejaSP
    Sem avaliação

    Basta dar a primeira garfada na massa de textura perfeita para comprovar que algumas das melhores tortas da cidade são servidas aqui. Torça para encontrar a ótima versão de frango com requeijão ao aroma de limão-siciliano (R$ 16,00) ou a de carne desfiada na cerveja preta com cebola caramelada (R$ 19,00) — esta em tamanho grande, suficiente para até oito pessoas, custa R$ 99,00. No almoço dá para pedir o sabor do dia ao lado de uma salada verde e quinoa por R$ 28,00. A refeição fica completa e mais feliz com a tortinha de banana com doce de leite e gotas de chocolate (R$ 9,00 o pedaço).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Artur (papel de Cristiano Meirelles), de 8 anos, é obrigado a encarar uma nova realidade depois que seus pais, Fausto (Leandro Borgo) e Inês (Adriana Salcedo), decidem se separar. Tudo fica mais difícil quando o garoto descobre que ele e seu melhor amigo, o cão Salomão (Márcio Araújo e João Vitor D’Alves, em revezamento), não vão mais morar juntos. No dia da mudança, Salomão se perde e Artur sai em busca dele. Ao encontrá-lo, precisa lidar com situações difíceis da rua, como quando aparece uma carrocinha. Em boa atuação, o elenco garante que cenas tristes ganhem leveza, a exemplo da notícia do divórcio. Caixas de papelão formam o cenário e representam desde a bagagem da antiga casa até as jaulas para cães. As canções são tocadas pela trupe ao vivo, com violão, teclado, pandeiro e sanfona. Neusa de Souza completa o elenco. Estreou em 1º/4/2014. Até 21/9/2014.
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  • Depois dos shoppings Mooca Plaza e Villa-Lobos, é a vez do Jardim Sul de receber o parque temático inspirado no joguinho para celular Angry Birds. Uma das principais atrações é o Castelo dos Porcos. Em seu interior, é possível encontrar uma  grande piscina de bolinhas com mais de 17 metros quadrados. Todos os brinquedos são indicados para crianças a partir de 3 anos. Até 30/3/2015.
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  • Ao fundo, um menino grita desesperadamente. O motivo de tanta angústia: seu animal de estimação foi laçado e está sendo levado embora por um funcionário da carrocinha. A cena aconteceu em 1959, na Freguesia do Ó, e rendeu a Sérgio Jorge o primeiro Prêmio Esso de Fotojornalismo. Em cartaz na Casa da Imagem, a exposição Sérgio Jorge — Múltipla Trajetória traz essa foto e outras que completam a série, com o final feliz do garoto e seu cãozinho recuperado. Na seleção de 100 fotografias escolhidas de acervo de 60 000 imagens de Sérgio Jorge, há retratos de celebridades (como os estilistas Clodovil e Dener e a atriz Bruna Lombardi) e momentos importantes da história do Brasil. Um deles é a construção de Brasília, no tempo em que a cidade mais lembrava um cenário de faroeste, com casas de madeira e chão de terra batida. Além da inauguração da capital federal, o fotógrafo registrou a família do presidente Juscelino Kubitschek no novíssimo Palácio da Alvorada. Para quem gosta de esportes, a mostra ainda reúne cliques do pugilista Éder Jofre em defesa do cinturão, uma pose de Pelé na comemoração do milésimo gol e um flagrante do piloto José Carlos Pace (ao lado de Emerson Fitipaldi) em sua última corrida, antes do acidente que o matou. Até 10/8/2014.
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  • Entre o fim de março e o começo de abril, as cinco décadas do golpe de 1964 foram pouco lembradas no teatro. Com exceção de apresentações especiais, quase nada foi produzido para promover uma reflexão histórica com o público. Em uma encenação simples e bonita, o drama Sabiá, escrito e dirigido por Paulo Faria, da Cia. Pessoal do Faroeste, já garante o interesse. Atinge maior contemporaneidade, no entanto, ao estabelecer uma ponte entre a ditadura militar e casos de corrupção vigentes nos dias atuais. A canção homônima de Chico Buarque e Tom Jobim serve apenas de leve inspiração. Na trama, Helena e Joana (interpretadas por Eliana Guttman e Jerusa Franco) são duas amigas que se reencontram depois de um longo período. Durante a conversa, vem à tona um segredo sobre o desaparecimento de Ricardo (o ator Gustavo Haddad), irmão de uma e namorado da outra, nos anos 70. A cronologia muitas vezes se embaralha, e a direção faz valer esse recurso para mostrar que as antigas feridas não cicatrizaram. Dos intérpretes, Eliana é quem melhor aproveita as emoções para representar o passado e o presente na bem construída dramaturgia. Estreou em 10/5/2014.  Até 30/11/2014.
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  • Criado em 2008, o grupo carioca Foguetes Maravilha ocupa o Sesc Belenzinho entre a quarta (11/6) e o dia 20 de julho. Cinco espetáculos ganham o palco e duas oficinas serão ministradas pelos integrantes da trupe fundada pelo diretor Alex Cassal e pelo ator Felipe Rocha. Nas duas primeiras semanas, as atrações são o monólogo Ele Precisa Começar (80min, 14 anos), protagonizado por Rocha na quarta (18/6), às 21h30, e a comédia dramática Ninguém Falou que Seria Fácil (90min, 16 anos), com Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello, que pode ser vista às sextas e sábados, às 21h30, e aos domingos, às 18h30, até dia 22. Na sequência, vêm as montagens Duas Histórias, Síndrome de Chimpanzé e Desejo-Manifesto.
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  • Por muito pouco, a comédia Terceiro Sinal, ambientada nos bastidores de um teatro, não imita, literalmente, a arte. Protagonizado por Cassio Scapin e Rosi Campos, o texto do inglês Michael Frayn acompanha a fase final de ensaios de um atrapalhado espetáculo em que tudo se destina ao fracasso. No primeiro e arrastado ato, o elenco — completado pelos atores Alexandre Barros, Daise Amaral, Djalma Lima, Déo Patrício, Larissa Garcia, Almir Marcelino e André Di Paulo — representa um grupo completamente cru para encarar o público na véspera da estreia. Na segunda parte, mais divertida e alucinada, a plateia acompanha a primeira sessão da peça, como se estivesse nas coxias. Ainda que tenha momentos risíveis, a encenação dirigida por Zadoque Lopes não se salva. Mesmo os tarimbados Rosi e Scapin estão pouco à vontade e, sem embarcar no pastelão, não envolvem o espectador. Estreou em 2/5/2014. Até 27/7/2014.
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  • Letícia Sabatella interpreta Antígona em Trágica.3. Denise Del Vecchio e Miwa Yanagizawa também participam da montagem
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  • No final da temporada comemorativa dos trinta anos de trajetória, a Raça Cia. de Dança, fundada pela coreógrafa Roseli Rodrigues (1955-2010), inicia o programa da noite com ✪✪✪ Caminho da Seda, de 2001. A peça, repleta de cenas coletivas, tem foco na rota da seda, que ligava o Ocidente ao Oriente comercialmente. Um estica e puxa de panos amarelos, que lembra o movimento do mar, colabora bastante para o dinamismo do espetáculo. Em seguida, a nova ✪✪ Ágape faz um mix de trechos de coreografias marcantes do coletivo e privilegia os duos. A combinação de ritmos brasileiros, dança de salão e passos contemporâneos, porém, resulta confusa e inconsistente. Até 16/7/2014.
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  • Passaram-se vinte anos desde o lançamento de Afrociberdelia, o segundo trabalho do Nação Zumbi (à época com Chico Science), responsável pela projeção da banda e do movimento manguebeat do Recife. Estão lá, por exemplo, os clássicos Manguetown e Maracatu Atômico. Neste show, o álbum é tocado na íntegra. Outra surpresa é a exibição do documentário Chico Science — Caranguejo Elétrico antes do espetáculo. Abaixo, confira o setlist da apresentação. > Mateus Enter > O Cidadão e o Mundo > Etnia > Quilombo Groove > Macô > Um Passeio no Mundo Livre > Samba do Lado > Maracatu Atômico > O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu > Corpo e Lama > Sobremesa > Manguetown > Um Satélite na Cabeça > Baião Ambiental > Sangue de Bairro > Enquanto o Mundo Explode > Interlude Zumbi > Criança de Domingo > Amor de Muito > Samidarish
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  • Em 2010, aos 18 anos, ela lançava músicas pop bobinhas sobre amores adolescentes. Pudera: a californiana Sky Ferreira havia assinado contrato com uma grande gravadora aos 15 para ser a “nova Britney Spears”. Gradualmente, a cantora, que também foi modelo e atriz, deu o rumo que queria à carreira e uma decadência roqueira começou a aparecer no tema das músicas, no visual e na maquiagem. No ano passado, ela brilhou quase irreconhecível no primeiro álbum de estúdio, o ótimo Night Time, My Time, que mostra em sua estreia no Brasil. You’re Not The One e Boys estão no set list. Dia 11/6/2014.
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  • Autor que se estabeleceu com sucesso no segmento literário chamado de young adult, o americano John Green aprovou a adaptação de seu best-seller A Culpa É das Estrelas. Difícil ser de outro jeito. Da escolha dos protagonistas ao desenrolar de uma trama triste e sem sentimentalismo barato, o longa-metragem envolve o espectador em um drama romântico capaz de arrancar lágrimas até dos mais insensíveis. Fase importante na vida, é na pós-adolescência que surgem as primeiras paixões concretas, a necessidade da escolha profissional, o sexo ligado ao amor. Gus e Hazel (Ansel Elgort e Shailene Woodley) se encaixam nesse universo quase adulto, mas têm limitações físicas e afetivas. Por causa de um câncer terminal, Hazel sabe de seu curto período de vida. Gus já atravessou a fase crítica da doença e precisou amputar parte de uma perna. Eles se conhecem num grupo de apoio a pacientes e, do primeiro bate-papo, nasce uma amizade. Embora a garota recuse qualquer tipo de ligação íntima (pensando no futuro sofrimento do outro), ela enxerga no adorável Gus um parceiro de todas as horas. A afinação cresce, e eles partem para Amsterdã a fim de encontrar o escritor favorito de ambos. Se há leveza e humor em algumas situações, o filme carrega a dolorosa condição de seus protagonistas, defendidos com unhas, dentes e alma por dois talentosos atores. Estreou em 5/6/2014.
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  • Neste drama de partir o coração, John May (Eddie Marsan) trabalha numa repartição pública em Londres. Ele é o encarregado de procurar os parentes de pessoas que morreram na solidão. Por meio de vestígios encontrados no apartamento dos falecidos, como fotos ou agenda de telefones, ele vira um persistente detetive. Mas seu empenho mostra-se em vão, já que poucos se interessam em comparecer ao funeral dessas pessoas. Aos 44 anos, o protagonista não tem mulher, amigos nem família. Ninguém o espera em casa, onde, sistematicamente, abre uma lata de atum para o jantar. Sem se dar conta, May é um reflexo de seus “clientes”. De poucas palavras, o roteiro se lança num drama particular para refletir sobre a vida. Duplamente surpreendente, o desfecho deixa, ao menos, um nó na garganta. O diretor Uberto Pasolini demonstra talento de veterano, e, embora carregue um sobrenome que indica parentesco com outro cineasta italiano, é sobrinho de Luchino Visconti (de Morte em Veneza). Estreou em 5/6/2014.
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  • Federico Fellini (1920-1993) foi um dos grandes cineastas da história e, até hoje, não há substituto nem discípulo à sua altura. Amigo dele, o diretor Ettore Scola, de 83 anos, presta uma bela homenagem ao mestre nesta cinebiografia. Embora siga uma narrativa linear (focada no início da vida profissional de Fellini), o roteiro também imagina como teriam surgido alguns personagens marcantes de sua filmografia, a exemplo da prostituta de Noites de Cabíria (1957). Vindo de Rimini, onde nasceu, o jovem Federico (Tommaso Lazotti) chega a Roma, em 1939, para fazer um teste de chargista no jornal Marc’Aurelio. Ganha o emprego e a amizade dos colegas mais velhos. Anos depois, já um realizador em início de carreira, conhece Scola (Giulio Forges Davanzati), prestes a ingressar no  mesmo pasquim. Para quem é fã ou cinéfilo, a fita tem um irresistível sabor nostálgico. Além de registros reais (como as filmagens na Fontana di Trevi de A Doce Vida), o desfecho se dá com trechos de obras marcantes: A Estrada, Amarcord, 8 1/2 e E la Nave Va, embalados pela inebriante trilha sonora de Nino Rota. Estreou em 5/6/2014.
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  • Joe Doucett (Josh Brolin) não vale um centavo. Em uma das primeiras cenas desse suspense dramático, o  protagonista dá uma cantada barata na esposa de um amigo. Ao sair do restaurante, trôpego de tanto beber, cai na sarjeta de uma rua em Nova Orleans e, ao acordar, se vê num quarto de hotel. Mal sabe ele o futuro que tem pela frente. Dias, semanas, meses e anos se passam e Doucett permanece preso. Recebe uma garrafinha de vodca e a  mesma refeição chinesa diariamente. Durante duas décadas, quase enlouquece. No dia da liberdade, está sedento por justiça e com apenas um pergunta na cabeça: quem estaria por trás de seu cárcere? Quem viu Oldboy (2003), do sul-coreano Chan-wook Park, vai sacar que se trata de um remake, agora dirigido pelo americano Spike Lee.  Embora intrigante e com um desfecho arrasador, a refilmagem não tem a pegada de violência e fúria do original. Estreou em 5/6/2014.
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  • Há exatamente um ano, o país parou por causa de uma série de protestos. Junho — O Mês que Abalou o Brasil faz um competente registro do que aconteceu em São Paulo. Foi aqui, em 11 de junho, devido ao aumento de 20 centavos na passagem de ônibus, que a população foi às ruas. Produzido pela Folha de S.Paulo e dirigido pelo editor e fotógrafo João Wainer, o documentário faz um balanço daquele momento por meio de imagens de impacto e depoimentos sensatos de historiadores, cientistas políticos e colunistas do jornal, a exemplo de Luiz Felipe Pondé, Clóvis Rossi e Gilberto Dimenstein. Entre as cenas, a truculência da Polícia Militar, uma entrevista reveladora com a repórter Giuliana Vallone (atingida no olho por uma bala de borracha) e a ação anárquica dos black blocs. Estreou em 5/6/2014.
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  • Na linha do bom cinema-reportagem, Tim Lopes — Histórias de Arcanjo leva às telas a trajetória do jornalista, morto por traficantes em 2002. O assassinato fica em segundo plano. Interessa mais a Bruno Quintella, condutor do filme, filho de Tim Lopes e também jornalista, rever a vida profissional de seu pai. Vêm à tona, então, depoimentos de parentes e colegas, além de trechos de suas reportagens investigativas. Entre elas, a internação numa clínica de dependentes químicos e a convivência com meninos de rua. Roteirista, Quintella é prudente em não fazer um egocêntrico resgate de memórias. Encerra, porém, o retrato de Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento com sensibilidade e afeto. Estreou em 5/6/2014.
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  • A partir de quarta (11/6), Pierre Etaix ganha retrospectiva de sua carreira no Centro Cultural Banco do Brasil. Pouco conhecido do grande público, Etaix, de 85 anos, é ator, diretor e roterista e segue a linha do cinema mudo de Jacques Tati, de quem foi assistente. A mostra O Cinema de Pierre Etaix vai até o dia 22 com seis longas e três curtas-metragens — das produções antigas, como Ruptura (1961), às atuais, a exemplo de Em Plena Forma (2010). Entre os imperdíveis está Grande Amor (1969), que será exibido no domingo (15/6), às 15h. Trata-se da história de um homem casado, apaixonado por uma jovem secretária. Também presente na mostra, o curta Feliz Aniversário, ganhador do Oscar em 1963, será projetado no dia da abertura, às 16h. De 11 a 22/6/2014.
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  • Driblando a vida

    Atualizado em: 6.Jun.2014

Fonte: VEJA SÃO PAULO