Teatro

Confira as peças clássicas em cartaz

De Nelson Rodrigues a Bertold Brecht, há uma série de textos clássicos sendo apresentados na cidade

Por: Livia Deodato - Atualizado em

Uma Alice Imaginária
'Uma Alice Imaginária': drama trata da aceitação da morte (Foto: Lilian Segui)

Existem alguns textos clássicos de teatro são montados, pelo menos, uma vez por ano em São Paulo - seja por companhias renomadas, grupos recém-formados de escolas profissionalizantes ou artistas famosos da TV.

Há também aqueles diretores e dramaturgos que preferem atualizar o texto, contextualizando a história clássica ao momento presente. Em Uma Alice Imaginária, da Cia. dos Imaginários, o texto de Lewis Carroll ganha uma nova roupagem, assim como em Mulheres, adaptação do dramaturgo Mario Bortolotto para o romance de Charles Bukowski.

Confira a seleção de nove espetáculos clássicos em cartaz:

  • Adaptação de Samir Yazbek e do Estúdio em Cena para obra de Homero. Sob a direção de Marco Antônio Rodrigues, o núcleo Estúdio em Cena apresenta sua primeira montagem. Trata-se de uma versão contemporânea da saga de Odisseu, escrita há quase 3.000 anos. Depois de vencer a Guerra de Troia, o protagonista se desestabiliza ao não encontrar suas referências na terra natal, no caso uma metrópole como São Paulo. Não há como negar que a encenação traz o vigor e o entusiasmo do jovem elenco. A saudável vontade, no entanto, de enfileirar citações e criar conexões com a realidade torna a dramaturgia um tanto dispersiva. Com Aline Basili, Camila Caparroz, Gabriel Muglia, Pedro Lopes, Rafael Faustino e outros. Estreou em 12/10/2012. Até 2/03/2014.
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  • Adaptação de Vadim Nikitin para peça de Plínio Marcos (1935-1999). A tragédia grega Medeia, escrita por Eurípides em 431 a.C., oferece elementos para a releitura da peça O Abajur Lilás, criada pelo autor paulista em 1969. Ambientado em um bordel, o drama traz um cafetão que explora duas prostitutas em fim de carreira. Para alavancar os lucros, ele contrata uma jovem e passa a torturar psicologicamente as mais velhas. A busca por uma encenação criativa e de personalidade para um texto tão conhecido — no caso, o de Plínio Marcos — levou a direção de Joaquim Goulart a se perder. As referências de Medeia tornam-se soltas e supérfluas, deixando claro que tudo resultaria melhor com menos pretensão e maior investimento no uniforme elenco. Com Cácia Goulart, Inês Aranha, Bia Toledo, Edmilson Cordeiro e Joaquim Goulart. Estreou em 10/01/2013. Até 17/02/2013.
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  • De Mauro Rasi (1949-2003). Escrita em 1984, a comédia fez sucesso com o ator Miguel Falabella e as atrizes Bia Nunnes, Claudia Jimenez e Claudia Raia, em diversas ocasiões. Desta vez, Maurício Machado e Nívea Stelmann protagonizam as tramas que envolvem as dores e as delícias de um casal. Quase nada se salva na montagem dirigida por Jacqueline Laurence, que cria uma encenação convencional e sem fôlego. Machado e Nívea não têm o timing cômico e o carisma que poderiam contornar essa fragilidade. O curioso é perceber que o texto continua atual e, se fosse levado de forma mais solta, ainda renderia risadas. Estreou em 11/01/2013. Até 31/03/2013.
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  • Juan Alba e Daíse Amaral protagonizam a comédia de Bertolt Brecht (1898-1956), ambientada em uma festa de casamento. À medida que a noite se prolonga, a elegância e as boas maneiras dão espaço ao tédio, à embriaguez e às grosserias. Os noivos, amigos e parentes perdem o controle da situação. O texto de Brecht já deveria garantir o interesse da encenação, mas a falta de ousadia em sua transposição banaliza o espetáculo. Com Roger Rodrigues, Luiz Amorim, Lilian Blanc, Ângela Barros e outros. Estreou em 10/11/2012. Até 25/8/2013.
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  • Adaptação de Mário Bortolotto para romance de Charles Bukowski (1920-1994). Após longo jejum sexual, um escritor (Bortolotto, em atuação inspirada) começa a fazer relativo sucesso e percebe que as mulheres voltam a se interessar por ele. A ideia da solidão é confrontada com a possibilidade de estabelecer um relacionamento. A diretora Fernanda D’Umbra criou uma encenação que sublinha o contraste entre o protagonista e as figuras femininas que cruzam sua vida. Com Danielle Cabral, Wanessa Rudmer, Maria Tuca Fanchin, Pablo Perosa e Erika Puga. Estreou em 16/01/2013. Até 28/04/2013.
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  • Adaptado por Cássio Pires, o romance de Leon Tolstoi (1828-1910) virou um drama pouco óbvio. Os atores André Capuano e Ernani Sanchez se dividem na pele de Pózdnichev, um homem que assassinou a mulher por ciúme. Quatro discos contendo a Sonata a Kreutzer, de Beethoven, tocados numa vitrola, provocam suas memórias. A música e os ruídos misturam pensamentos e emoções pouco nítidos. O diretor Marcello Airoldi concebeu uma encenação calcada no jogo de espelhos entre os intérpretes. Muito parecidos, eles provocam o espectador com a afinação da performance. Dias 25 a 27/7/2014.
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  • De Nelson Rodrigues (1912-1980). Escrita em 1965, a tragédia ganha montagem dirigida por Antunes Filho. Herculano (interpretado por Leonardo Ventura) é um casto viúvo que se apaixona pela prostituta Geni (papel de Ondina Clais Castilho). A vida dele se transforma completamente, sobretudo diante da oposição do filho, Serginho (Lucas Rodrigues). Poucas inserções da mão autoral do encenador — sempre tão forte — podem ser percebidas em meio ao original. Uma das mais interessantes é apresentar Geni como um fantasma que assombra Herculano durante a ação. Percebendo ter em mãos intérpretes irregulares, Antunes concentrou a atenção na regência desse grupo e fez um espetáculo de qualidade, mas econômico em surpresas. Com Mariana Leme, Felipe Hofstatter, Naiene Sanchez e outros. Estreou em 05/10/2012. Até 27/3/2014.
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  • Adaptação e direção de Roberto Alvim para peças de Ésquilo. Pela primeira vez no Brasil, um grupo encena as seis obras do pioneiro do teatro. Responsável pelo feito, a Cia. Club Noir apresenta na íntegra o projeto. Às sextas, serão exibidas Suplicantes e Os Persas. Sete contra Tebas e Prometeu têm vez aos sábados. Oresteia I e II são as atrações dos domingos. Com Juliana Galdino, Renato Forner, Fernando Gimenes, José Geraldo Jr. e outros. Estreou em 08/06/2012. Até 23/04/2013.
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  • Depois de mostrar o universo de Franz Kakfa em Niklasstrasse, 36, o autor e diretor René Piazentin, ao lado dos atores da Cia. dos Imaginários, mergulha na obra do inglês Lewis Carroll (1832-1898) com a personagem Alice. O drama percorre muitos caminhos para tratar de um tema delicado: a aceitação da morte. A protagonista (a atriz Luana Frez) é uma menina que despenca em um lugar desconhecido e depara com incríveis criaturas, como o Chapeleiro Maluco, o Dodô, a Lagarta e a Rainha. Estreou em 5/10/2012. Até 7/11/2013.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO