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Terminal Tietê recebe mais viajantes com crise aérea

Reformado, maior complexo rodoviário da América Latina é opção para escapar de atrasos no aeroporto

Por: Regina Cazzamatta - Atualizado em

O matemático Azzis Netto tinha um vôo com destino ao Rio de Janeiro marcado para as 6 horas da manhã do último dia 8. Preocupado com os constantes atrasos causados pelo apagão aéreo, ele resolveu checar, no dia anterior, se o avião sairia no horário. "A atendente da companhia disse que o vôo não partiria antes das 8 da noite", conta. Netto não pensou duas vezes. Diante do caos nos aeroportos, foi para a Rodoviária do Tietê tomar um ônibus. "Além de não precisar ficar esperando, fui muito bem tratado", diz.

Quatro companhias saem do terminal com destino ao Rio de Janeiro. Segundo a Auto Viação 1001, de setembro a novembro houve um aumento de 25% na venda de passagens para os chamados serviços executivo e de primeira classe no trecho. "É um crescimento atípico para esta época do ano", afirma o superintendente Heinz Kumm Júnior. Por dia, a 1001 está vendendo 100 bilhetes a mais do que no mesmo período do ano passado. Segundo pesquisa realizada pelo Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo, entre os consumidores que estão receosos em viajar de avião, 41% admitem trocar o transporte aéreo pelo rodoviário.

Usar o Terminal Tietê está muito mais confortável. Depois que foi reformada, há quatro anos, a maior rodoviária da América Latina ganhou, ao custo de 14 milhões de reais, 23 pontos de alimentação, 36 lojas, caixas eletrônicos de sete bancos, 100 carrinhos de bagagem, carregadores credenciados, estacionamento externo com 952 vagas e outras facilidades. Para cuidar da segurança, foram instaladas sessenta câmeras de monitoramento. Os ônibus também melhoraram. Há casos, como o do double, veículo de dois andares da 1001, em que o passageiro pode viajar em poltronas acolchoadas bem maiores que as convencionais. Entre outros confortos, os passageiros dispõem de ar-condicionado, manta, travesseiro, lanche, jornais do dia e TV. De acordo com a Socicam, empresa que administra a rodoviária, 60 000 passageiros embarcam e desembarcam dos 3 000 ônibus que passam por ali todos os dias. A paranaense Mariana Rigon estuda economia na Universidade de São Paulo e vai pelo menos duas vezes por mês para casa. Desde o feriado de Finados, quando tinha um vôo marcado para as 11h e só conseguiu embarcar às 21h30, resolveu encarar sobre rodas os 408 quilômetros que separam São Paulo da capital paranaense. "Não existe nada pior do que ficar esperando sem nenhuma informação", afirma. "De ônibus, pelo menos sei que vou sair e chegar na hora certa."

Fonte: VEJA SÃO PAULO