Joias

Sutis e sedutoras

O designer Fernando Jorge conquista as inglesas com pedras incomuns e peças que remetem "às curvas das brasileiras"

Por: Ilana Rehavia, de Londres - Atualizado em

fernando jorge
Brincos de ouro amarelo, calcita e diamantes, 20 000 dólares, e o designer Fernando Jorge: de Campinas para Londres (Foto: Miro)

Fernando Jorge nasceu em Campinas e escolheu Londres para morar. Mas, se dissesse que é mineiro, qualquer um acreditaria. Jorge tem fala mansa. Maneiras tão discretas quanto o blazer Aquascutum que escolheu para este retrato. Sua paixão é garimpar pedras brasileiras, de preferência aquelas esnobadas pela joalheria tradicional. É o caso da calcita usada nos brincos acima, destaque de sua terceira (e nova) coleção. Empregada na produção de cerâmicas, a rocha tem um tom de “verde esquisito”, como ele mesmo define. Há outras escolhas incomuns nas peças que começou a fazer há dois anos, quando decidiu criar a marca que leva sua assinatura. Entre elas, duas viraram características: pedras leitosas — enquanto a concorrência oscila entre transparentes e opacas — e metal fundido em curvas assimétricas, caso dos brincos.

fernando jorge peças
As peças do designer seguem "as curvas das brasileiras" (Foto: Divulgação)

Como usa correntes flexíveis, ele não se preocupa em reproduzir milimetricamente as medidas de um par no outro. “São formas orgânicas, que remetem às curvas da brasileira em movimento”, conta. “As criações são sedutoras e sutis”, afirma Carmen Busquets, fundadora da butique on-line Couture- Lab. O site aposta nas joias desde a época em que Jorge, formado em desenho industrial e com passagem pela joalheria brasiliense Carla Amorim, fazia mestrado na universidade inglesa Central Saint Martins. Ele também está em lojas conceituadas da Inglaterra, como Matches Fashion, Wolf & Badger e Darkroom. Foi na capital britânica, aliás, que o designer encontrou seu estilo, fascinado pela visão que o estrangeiro tem da bossa tropical. “Hoje, não quero ser internacional no Brasil. Quero ser brasileiro no mundo”, diz ele.

Fonte: VEJA SÃO PAULO