Consumo

Sites promovem escambo on-line

Endereços para troca de itens como livros e games se espalham na rede

Por: Nathalia Zaccaro - Atualizado em

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O chef Fabio Vieira e os games que adquiriu: “É só o começo” (Foto: Fernando Moraes)

Em setembro, o gerente de marketing Ricardo Guggisberg vistoriava sua biblioteca pessoal quando deparou com alguns títulos que só serviam para acumular poeira. Um deles era Web Design: Interactive & Games, do autor Julius Wiedemann, comprado anos atrás para um projeto específico de trabalho. Em vez de jogar o livro no lixo, decidiu usá-lo para ingressar em um site do qual só tinha ouvido falar: um portal dedicado a promover a troca de objetos entre seus cadastrados. Colocou a oferta no ar e, no prazo de catorze dias, havia recebido três propostas.

“Eram volumes sobre história, biologia e design. Escolhi a última opção”, diz. Do outro lado da tela, estava o biólogo Rodrigo Generali, que buscava informações sobre como montar uma plataforma virtual para seu novo negócio: plantar e vender cogumelos de uso culinário. “Combinamos de nos encontrar em Moema para concluir a troca e acabamos nos tornando amigos depois disso”, conta Generali.

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Generali (à esq.) e Guggisberg: amizade depois do compartilhamento de livros no contato virtual (Foto: Fernando Moraes)

Estava selada, assim, uma das 1.500 transações feitas pelo site DescolaAí, lançado oficialmente há três semanas, mas que funciona desde agosto de 2011 em fase de testes. “Na versão definitiva, a página tem cara de rede social e as vendas também são permitidas”, afirma o responsável, Guilherme Brammer, filiado a um escritório batizado de Green Business, que busca “o lucro com um propósito”. Afirma Ariane Reis, professora do núcleo de negócios sustentáveis na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM): “Iniciativas desse tipo ganham espaço à medida que se valorizam o combate ao desperdício e os comportamentos politicamente corretos, como o compartilhamento de bicicletas”.

Sites semelhantes se espalharam pela rede nos últimos tempos. O potencial do mercado foi logo percebido pelo radar da construtora Tecnisa, que lançou em agosto um aplicativo no Facebook focado em trocas e empréstimos. A iniciativa começou no mundo físico. Parte dos prédios inaugurados pela empresa é dotada de espaços para que os moradores dividam objetos pouco usados, como furadeiras. “Deu tão certo que decidimos incluir o público em geral e, assim, reforçar nossa marca com o Consumo Colaborativo Tecnisa”, conta a gerente de marketing Patricia Paes. Ali é possível encontrar games, ferramentas e barracas de camping. O chef de cozinha Fabio Vieira foi um dos primeiros a embarcar na proposta. “Por enquanto só troquei jogos, mas tentarei usar o serviço para outras coisas que não uso mais”, afirma ele.

Como os sites especializados não se responsabilizam pela qualidade dos produtos, proliferou por aqui principalmente a troca de itens de pequeno valor, caso de livros e games. “No Brasil é inviável para um fã experimentar um jogo por semana”, diz Flávio Banyai, criador do Troca Jogo, que agrega 100.000 adeptos. “Sem falar que é uma maneira de não estimular a compra de produtos piratas.” O publicitário Flavio Ackel testou pelo menos setenta títulos com a ajuda do serviço. “Economizei mais de 2.500 reais”, calcula. Os leitores contumazes podem acessar o Livra Livro, que registra 3.000 transações por mês. “Depois que desenvolvi essa plataforma, nunca mais comprei um livro”, diz Samur Araujo, dono do endereço virtual. Suas últimas aquisições ali foram A Era da Loucura, de Michael Foley, e O Alquimista, de Paulo Coelho.

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Guilherme Brammer, do DescolaAí: 1.500 negócios fechados (Foto: Fernando Moraes)

Apesar do crescimento do número de usuários, os empresários paulistanos que investiram na ideia estão patinando para lucrar. “Por enquanto, não ganhamos 1 real com o projeto, que mal consegue caminhar com as próprias pernas, mesmo com alguma publicidade”, conta Banyai, do Troca Jogo. Guilherme Brammer, que investiu mais de 300.000 reais para lançar seu DescolaAí, ainda estuda a melhor forma de transformar a audiência em cifrões. “No início eu cobrava 2 reais por transação, mas isso inibia os consumidores, e agora minha aposta é receber uma porcentagem nas vendas e oferecer um serviço pago dedelivery”, diz. Ariane Reis, da ESPM, aponta outra possibilidade: “Transformar esses veículos em fontes de pesquisa sobre o comportamento do consumidor a respeito dos produtos que mais querem passar para a frente ou adquirir pode se tornar algo rentável”.

Permutas.com

Conheça alguns endereços que oferecem o serviço

Sapatos

Games

Livros

Roupas

Variados: DescolaAí, Dois Camelos, Bom de Troca e Consumo Colabroativo Tecnisa

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO