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Barcos nas ruas da capital

Centenas de lanchas e veleiros cruzam a cidade a caminho da maior feira do setor

Por: Manuela Nogueira - Atualizado em

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Os primeiros caminhões com as embarcações: dificuldade para passar por viadutos, fios e árvores (Foto: Fernando Moraes)

Desde terça passada, lanchas e veleiros podem ser vistos em ruas e avenidas paulistanas. Os barcos seguem em direção ao Transamérica Expo Center, em Santo Amaro. Estarão expostos (e à venda) no 13º São Paulo Boat Show, entre quinta (14) e o dia 19. A logística para trazer centenas dessas máquinas (algumas com 50 pés de comprimento, ou 15,24 metros) até o local do evento é complexa. Primeiro porque os 150 estaleiros participantes estão espalhados pelo Brasil (do Amazonas ao Rio Grande do Sul) e pelo mundo (há empresas do Japão, China, Canadá e Inglaterra). Mas o principal motivo é que, uma vez em São Paulo, os caminhões que transportam esses barcos precisam desviar-se de viadutos, placas de sinalização, rede de alta-tensão e árvores.

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O Boat Show, no ano passado: movimento de 185 milhões de reais (Foto: Mozart Latorre)

As primeiras seis lanchas a chegar aqui vieram de Florianópolis, em Santa Catarina. A viagem foi programada para que os seis caminhões e os quatro veículos de escolta estivessem no fim da Rodovia Régis Bittencourt até as 18 horas da terça-feira — por causa do tamanho da carga, eles não podem circular por estradas federais após esse horário. Aí, precisaram esperar dar 21 horas para rodar pela cidade, já que desde setembro os caminhões estão proibidos de circular, de segunda a sexta, das 5 às 21 horas na Marginal Pinheiros e nas avenidas dos Bandeirantes e Jornalista Roberto Marinho. Sem congestionamento, o percurso da Régis até o Transamérica Expo Center, próximo à Ponte Transamérica, levaria menos de uma hora. “Gastamos o dobro do tempo porque tivemos de seguir uma rota de fuga”, conta André Cota, gerente operacional da TransAcácio, empresa especializada em transporte náutico. Eles trafegaram por Taboão da Serra e por dentro do bairro do Morumbi — passaram em frente ao Hospital Israelita Albert Einstein e ao Estádio do Morumbi —, chegaram à Marginal Pinheiros pela Ponte João Dias e, enfim, subiram a Ponte Transamérica. Outro fator para a demora é que, dentro da cidade, o comboio não ultrapassou os 30 quilômetros por hora. Nas rodovias federais, a velocidade chegou a 60 quilômetros por hora.

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A Fairline Targa 58 GT: por até 12 milhões de reais, dependendo dos acessórios (Foto: Divulgação)

O Boat Show é o maior evento do gênero no Brasil e deve atrair 55 000 visitantes neste ano. Na edição de 2009, as compras de barcos (lanchas, veleiros e jet skis), motores, equipamentos e acessórios para a prática de mergulho e wakeboard somaram 185 milhões de reais. A previsão dos organizadores é que esse montante cresça 10% neste ano. “O mercado náutico está aquecido”, diz Ernani Paciornik, presidente da feira. Ele aponta a queda da cotação do dólar em relação ao real e o bom momento da economia brasileira como causas para a boa fase do setor. Dados da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos(Acobar) dão conta de que esse mercado movimentou 857 milhões de reais no Brasil em 2009, o que representa um crescimento de mais de 20% em comparação aos 711,5 milhões de reais de 2006. “São Paulo é o principal polo consumidor de barcos do país”, afirma Lenilson Marcelo Bezerra, diretor executivo da Acobar.

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A Phoenix 230 Classic: uma das mais baratas em exposição, custa 60 000 reais (Foto: Divulgação)

Segundo Paciornik, a maioria dos frequentadores do São Paulo Boat Show pertence à classe A. “Mas a classe B está entrando nesse mercado graças à oferta de produtos de baixo custo e ao financiamento em até sessenta vezes.” A feira vai expor 22 lanchas que custam menos de 100 000 reais. Um exemplo é a Phoenix 230 Classic, que sai por cerca de 60 000 reais, a mesma faixa de preço de um automóvel Honda New Fit, por exemplo. É claro que estarão expostos também modelos luxuosos, caso da Fairline Targa 58 GT, ao custo de até 12 milhões de reais, dependendo dos acessórios.

Fonte: VEJA SÃO PAULO