Crime

Cerca de cinco bicicletas são furtadas ou roubadas por dia na capital

Avenida Paulista vira a campeã de ocorrências do tipo

Por: Sérgio Quintella

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Thais: coronhada e cortes no rosto em assalto na Sumaré (Foto: Leo Martins)

Por volta das 20 horas de 10 de agosto, a relações-públicas Thais Serra voltava do trabalho com sua bicicleta elétrica Ford Villaggio pela ciclovia das avenidas Paulo VI e Sumaré. Na altura da Praça Ana Maria Poppovic, um homem virou-se bruscamente em sua direção, deu-lhe uma coronhada no rosto com um revólver e levou o equipamento de 4 000 reais. A agressão rendeu a ela quatro pontos na boca e diversos cortes e hematomas na cabeça. “Restam poucas cicatrizes, mas será difícil voltar ao mesmo lugar”, diz. “Ainda assim, não deixarei de pedalar nesse trajeto”, completa ela, que pretende comprar um modelo idêntico com o dinheiro que receberá do seguro.

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Thais foi uma das vítimas recentes da proliferação de roubos e furtos de bicicleta na capital. Entre 2014 e 2016, a média mensal de ocorrências do tipo cresceu quase 30%, chegando a 153. Ou seja, mais de cinco por dia. Somente nos primeiros seis meses de 2016, foram registrados 920 casos em nossas ruas. Nenhum local supera a Avenida Paulista em grau de perigo. Dados obtidos por VEJA SÃO PAULO junto à Secretaria Estadual de Segurança mostram que a via tornou-se a campeã dessa modalidade de crime na cidade ao longo do ano passado.

O número de queixas no local saltou de catorze para 37 entre 2014 e 2015, quando foi inaugurada a ciclovia. Em 2016, até junho, foram 21. O bike boy Edson Gushiken foi uma das pessoas que tiveram problema ali. Sua Caloi Aluminum acabou sendo surrupiada de um poste, onde estava presa com cadeado, perto do Shopping Pátio Paulista, em 6 de julho. “Ela era meu instrumento de trabalho”, reclama ele, que arcou com o prejuízo de 500 reais e teve de arrumar uma nova para cumprir seus 70 quilômetros diários.

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Gushiken: furto do equipamento de trabalho (Foto: Leo Martins)

Outras localidades também chamam atenção pela recorrência dos casos (veja o quadro). O bicicletário do Terminal João Dias, situado na avenida homônima, registrou onze furtos entre julho de 2015 e junho deste ano. A SPUrbanuss, que administra o terminal, afirmou que realiza rondas periódicas com seguranças. No hipermercado Extra, no Itaim Bibi, foram dezessete casos no mesmo período. O Grupo Pão de Açúcar informou que instalou câmeras de vigilância. Antes o ponto mais visado da capital, a Cidade Universitária, muito frequentada por atletas amadores, registrou queda no número de crimes, com dezessete na Avenida Escola Politécnica em 2015, contra cinco neste ano, depois de a Polícia Militar passar a deslocar duas viaturas da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) para lá.

Apesar da tentação de apoderar-se das bicicletas mais caras — alguns modelos de passeio chegam a custar 5 000 reais —, os tipos mais visados pelos criminosos são os vendidos por valores entre 700 e 1 000 reais. Os ladrões costumam depená-los para reaproveitar as peças. A fim de dificultar esse comércio, a Secretaria da Segurança Pública criará, nos próximos meses, um sistema de registro do número de série das bikes.

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Por meio de um site, o proprietário informará esse código, que poderá ser verificado em abordagens da polícia. Enquanto isso não é posto em prática, a dica é reforçar os cuidados. “Para quem estaciona na rua, as melhores travas são aquelas em formato de U, que custam quase 500 reais”, diz Pedro Cury, criador do site Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas, que mapeia os crimes do tipo com base em reclamações das vítimas. Em quinze anos, o serviço registrou 727 casos em São Paulo. A maior parte deles ocorreram na região da Paulista e no bairro de Pinheiros.

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(Foto: Veja São Paulo)

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO