Solidariedade

Sírios em São Paulo: a vida após o visto

Após divulgação de foto de menino morto em praia na Turquia, aumentou o interesse de voluntários nas entidades paulistanas ligadas à causa 

Por: Sophia Braun - Atualizado em

As fotos do menino sírio encontrado morto em uma praia na Turquia gerou uma rede de solidariedade que extrapolou fronteiras. Desde sua publicação, na semana passada, intensificou-se a campanha mundial por doações. 

Talal Al-Tinawi refugiado sírio
O sírio Talal Al-Tinawi e sua família: professor de curso de idiomas (Foto: Reprodução)

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Em São Paulo, muitos paulistanos têm buscado formas de ajudar os refugiados residentes na cidade. "Em um dia recebi cerca de cinquenta ligações", diz Marcelo Haydu, fundador do Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus). A ONG atua desde 2010 na capital e auxilia diretamente 550 pessoas, principalmente com a inserção no mercado de trabalho.

O site da Missão Paz, que mantém a Casa do Migrante, no centro, avisa: "Devido ao grande número de interessados em ajudar nos finais de semana, informamos que no momento não há mais vagas para esses dias". Para dar conta da quantidade cada vez maior de pessoas dispostas a contribuir, a instituição precisou montar uma espécie de "banco de voluntários".

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De acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), o Brasil acolhe mais de 7 000 refugiados reconhecidos, de 81 nacionalidades. No ano passado, o órgão registrou mais de 8 000 novas solicitações, sendo a maior parte de São Paulo.  

Os sírios compõem o grupo mais numeroso, segundo análise da Agência da ONU para Refugiados (Acnur). Até outubro de 2014, quando foi publicada, eram 1 525 pessoas desta nacionalidade, o que correspondia a 20% do total de refugiados no país.

Conheça melhor essas e outras ONGs que atendem refugiados por aqui e saiba como ajudá-las:

Abraço Cultural
Abraço Cultural: aulas de idiomas ministradas por refugiados (Foto: Ilana Goldsmid)

ABRAÇO CULTURAL

Com o intuito de inserir os refugiados no mercado de trabalho, a Atados, plataforma social de voluntariado, lançou cursos de idiomas ministrado por imigrantes em situação de refúgio. Mais de trinta docentes estão à frente das aulas de inglês, francês, espanhol e árabe com foco em cultura africana, latina e islâmica. Cada refugiado recebe 50 reais por hora como professor, o que resulta em uma contribuição mensal de pelo menos 1 000 reais. O engenheiro mecânico sírio Talal Al-tinawi, que arrecada recursos para abrir um restaurante via financiamento coletivo, está entre os professores.

O projeto recebe doações por transferência bancária. Os dados da conta do Atados são os seguintes: Banco Itaú, agência 0185 e conta corrente 18912-3. O CNPJ é: 18.110.558/0001-95.

AGÊNCIA DA ONU PARA REFUGIADOS (ACNUR)

Cuida de refugiados em diversos países, fornecendo abrigo, água, saneamento e assistência médica. De acordo com a organização, no ano passado, 1,7 milhão de refugiados receberam ajuda alimentícia, 350 000 crianças foram matriculadas na escola e mais de 400 000 pessoas receberam abrigo em campos.

É possível fazer doações mensais ou pontuais. No site, há sugestões de cifras: 45 reais comprariam tapetes sintéticos para duas famílias, evitando que dormissem no chão; com 165 reais, poderiam ser fornecidos cobertores térmicos; e 1 150 reais seriam suficientes para uma tenda.

CARITAS ARQUIDIOCESANO SÃO PAULO

É parte da Rede Caritas Internationalis, organismo da igreja católica presente em 200 países e territórios. Atua em quatro frentes principais: assitência social, proteção jurídica, integração (cursos profissionalizantes e ajuda para buscar empregos) e saúde mental (apoio psiquiátrico e psicológico).

O interessado em ser um voluntário deve enviar uma carta de motivação mais o currículo para casp.refugiados@uol.com.br. O ideal é ter domínio de outros idiomas, como inglês e francês. Doações em dinheiro devem ser feitas pelo site, via PagSeguro.

INSTITUTO DE REINTEGRAÇÃO DO REFUGIADO (ADUS)

Criado cinco anos atrás, ganhou sede própria em janeiro. O espaço no centro é usado para fazer os atendimentos iniciais de novos refugiados, além de acolher aulas de português e qualificação em informática. As sessões de apoio psicológico e acupuntura também são feitas ali. Atualmente, atende diretamente 550 pessoas e depende exclusivamente de doações para se manter ativa. Também recebe voluntários para acompanhar o desenvolvimento de um refugiado.

As doações são feitas no próprio site do instituto, via Paypal ou boleto bancário. Elas podem ser pontuais, de qualquer valor, ou mensais. Neste caso, as parcelas são fixadas em 20, 50, 100 ou 200 reais.

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MISSÃO PAZ

A organização mantém a Casa do Migrante, no centro. Lá, cerca de 100 refugiados recebem alojamento, refeições e roupas, além de orientação para cursos profissionalizantes.

Neste momento, necessita principalmente de doações de leite em pó e fraldas para as famílias atendidas. Quem preferir contribuir com alguma quantia em dinheiro, pode fazer uma transferência para a conta da instituição. Os dados bancários estão disponíveis no site. Para mais informações, ligue para (11) 3340-6950 ou entre em contato pelo e-mail contato@missaonspaz.org.

Fonte: VEJA SÃO PAULO