Teatro

Quatro peças para conferir entre 23h e 0h

Os Adultos Estão na Sala e Homem não Entra estão na lista

Por: Dirceu Alves Jr.

Os Adultos estão na Sala
Estreia do coletivo A Má Companhia Provoca: Flávia Strongolli, Michelle Boesche e Maura Hayas (Foto: Ligiane Braga)

Conheça quatro peças de teatro que começam bem tarde, entre 23h e 0h:

  • Oriunda do Núcleo de Dramaturgia do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) de Antunes Filho, a autora e diretora paulistana Michelle Ferreira, de 31 anos, estreou a comédia dramática Os Adultos Estão na Sala em março (2013). A primeira montagem da Má Companhia Provoca é ambientada em um apartamento por onde circulam três mulheres (as atrizes Maura Hayas, Flávia Strongolli e Michelle Boesche). Enquanto elas se preocupam com suas questões individuais, um garoto está no quarto e, pelas ruas, uma manifestação contra a construção de uma ponte ameaça paralisar a cidade. Uma sintonia casual relacionada aos recentes protestos que se espalharam pelo país valoriza o conjunto e mostra a inquietação de Michelle, responsável por outra peça em cartaz, o drama Tem Alguém que Nos Odeia, no Teatro Augusta. Diálogos fortes e irônicos induzem à reflexão. Na contramão do realismo, as protagonistas elevam a voz e soltam frases como petardos. Às vezes, as palavras perdem efeito por ser disparadas na ânsia pueril de provocar, mas chegam à cena em uma hora conveniente. Estreou em 15/3/2013. Até 2/3/2014.
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  • Sob a direção de Eduardo Figueiredo, a comédia de Cacau Higyno e Daniele Valente se inspira no livro que Daniele escreveu há quatro anos sobre as dificuldades enfrentadas na solteirice. Hoje casada com Christiano Cochrane, seu parceiro também no palco, ela dá dicas de como se dar bem no amor. Daniele se esforça para ganhar a cumplicidade da plateia, principalmente a feminina. Mas a montagem não escapa do clichê. O melhor momento é quando a protagonista conhece a mãe do namorado (uma gravação em off da apresentadora Marília Gabriela, sogra da atriz na vida real). Estreou em 11/4/2012. Até 7/7/2013.
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  • Poucos minutos antes do término do espetáculo Homem Não Entra, o público é convidado a deixar a arquibancada da Sede Luz do Faroeste e acompanhar a cena final ao ar livre, na esquina da Rua do Triunfo com a General Osório. Os transeuntes, inclusive alguns moradores de rua e remanescentes da Cracolândia, observam a movimentação e, sem perceber, colaboram para acentuar o realismo do desfecho da peça escrita por Paulo Faria e Rodrigo Pereira. Com papel importante na batalha de revitalização da região da Luz, a Cia. Pessoal do Faroeste atinge o ápice da proposta de inserir o ambiente na dramaturgia. Para tanto, recorre ao lado B da história oficial, tratado como um faroeste. A montagem inspira-se em um episódio de 1953, quando o então prefeito Jânio Quadros expulsou mais de 1.000 prostitutas dos arredores do Bom Retiro e dos Campos Elíseos. A ação é centrada em Brigitte (interpretada por Mel Lisboa), que, ao lado do pistoleiro Django (o ator José Roberto Jardim), executa uma vingança contra o inescrupuloso xerife Mardock (vivido por Roberto Leite). Assim, vem à tona a origem da Boca do Lixo e, entre vilões e mocinhos, o público percebe que a marginalização da região é coisa antiga. Mel Lisboa brilha em papel desenhado para sua sensualidade, mas o destaque é a encenação. O diretor Paulo Faria abre mão de uma cronologia para explicitar que o tempo parou na região. Os problemas, no entanto, só se multiplicaram. Estreou em 4/5/2013. Até 30/9/2013.
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  • Escrito por Sarah Kane, o espetáculo é costurado por acordes de bandas como Joy Division, Radiohead e Pixies para abordar a depressão, doença que atormentou a dramaturga até a morte. Com Cláudia Piassi, Daniela Thellere e outros. Estreou em 14/4/2013. Até 24/9/2013.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO